O ex-assessor do vereador Juliano Valim (PSD), de Caxias do Sul, Luiz Alberto Corrêa Boff está sendo investigado pela Polícia Civil após a denúncia de cinco mulheres que alegam terem sido vítimas de assédio sexual.
De acordo com a delegada Thalita Andrich, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), inicialmente foram três denúncias contra Boff. Porém, depois que ele foi detido na Câmara de Vereadores na manhã de quinta-feira (10), surgiram mais duas ocorrências do mesmo teor. Com isso, foi instaurado um inquérito policial para iniciar as investigações.
—Estamos apurando, a investigação ainda está no início, estamos verificando a prática de outros crimes associados, mas o crime principal é de assédio sexual — destacou a delegada.
Por questões de sigilo, não foi detalhado quais seriam os outros crimes. A delegada também confirmou que todas as denunciadas estão ou estavam vinculadas à Câmara, sem especificar se eram funcionárias de gabinetes ou da própria Casa.
De acordo com Thalita, o inquérito pode ser encerrado em até 30 dias, mas o período pode ser prorrogado.
— Já ouvimos essas vítimas e agora vamos seguir coletando demais provas que forem necessárias. Legalmente, temos um prazo de 30 dias para concluir o inquérito, mas como é uma investigação um pouco mais complexa, se houver necessidade de solicitar prorrogação, nós vamos fazer — salientou.
O que diz o denunciado
Luiz Alberto Corrêa Boff foi procurado para manifestação, mas direcionou o contato para seu advogado, Álvaro Antônio Bof, que enviou uma nota dizendo que seu cliente se considera "uma vítima de uma denúncia caluniosa" e apresentará "sua versão dos fatos". Veja a nota abaixo:
"Luiz Alberto entende que está sendo vítima de uma denunciação caluniosa. A informação de que foi instaurado inquérito policial é bem-vinda, uma vez que é através desse procedimento que os fatos serão investigados e apuradas responsabilidades de quem quer que seja. Nele, após tomar conhecimento dos exatos termos da imputação, Luiz Alberto apresentará a sua versão para os fatos e produzirá provas, o que poderá culminar, não só, na sua inocência como, também, na responsabilização das sedizentes vítimas.
O que se lamenta é a exposição pública mediática, espetacularizada, a que ele foi submetido, sem ter tido a chance, sequer, de conhecer os exatos termos da acusação, quanto mais se defender. Teve sua imagem pessoal e profissional destruídas de forma sumária. O dano a sua reputação é irreparável, mesmo sendo demonstrada a sua inocência. De qualquer sorte seguimos confiantes na Justiça".
Nota oficial da PEM sobre caso de assédio
Ainda na noite de quinta-feira (9), a Procuradoria Especial da Mulher (PEM) da Câmara de Caxias do Sul publicou uma nota de repúdio sobre o ocorrido. A manifestação é assinada pela procuradora titular, a vereadora Rose Frigeri (PT), além das integrantes da PEM: Andressa Marques (PCdoB), Andressa Mallmann (PDT), Daiane Mello (PL), Estela Balardin (PT), Sandra Bonetto (Novo) e Marisol Santos (PSDB). Confira abaixo:
"A Procuradoria Especial da Mulher (PEM) da Câmara Municipal de Caxias do Sul, por meio de suas vereadoras integrantes, manifesta seu mais absoluto repúdio a qualquer forma de assédio, violência ou discriminação contra as mulheres, em qualquer ambiente
A Procuradoria Especial da Mulher (PEM) da Câmara Municipal de Caxias do Sul, por meio de suas vereadoras integrantes, manifesta seu mais absoluto repúdio a qualquer forma de assédio, violência ou discriminação contra as mulheres, em qualquer ambiente e sob qualquer circunstância.
Solidarizamo-nos integralmente com as servidoras que relataram ter sido vítimas de assédio no âmbito do Legislativo e reafirmamos nosso compromisso permanente com a defesa dos direitos das mulheres e com a construção de um ambiente institucional seguro, ético e respeitoso.
Reiteramos que o combate ao assédio é uma responsabilidade coletiva e que a coragem das mulheres em denunciar situações de violência é um passo fundamental para transformar a cultura de silêncio que ainda persiste.
Destacamos as medidas tomadas de maneira imediata pela Presidência e pela Direção desta Casa em face do ocorrido, bem como a relevância da Comissão Interna de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação de Gênero, criada neste ano, como um importante instrumento de acolhimento, escuta e proteção às vítimas, além de promoção do respeito e da equidade a todas as identidades de gênero.
Seguiremos vigilantes e atuantes para que a Câmara Municipal de Caxias do Sul seja, cada vez mais, um espaço de respeito, segurança e dignidade para todas as pessoas."
Relembre o caso
O assessor do vereador Juliano Valim (PSD), de Caxias do Sul, Luiz Alberto Corrêa Boff foi detido pela Brigada Militar na manhã de quinta-feira (9), na Câmara de Vereadores de Caxias pouco antes do meio-dia. Ele não saiu algemado. Contra ele haveria uma denúncia por suposto assédio sexual e ameaça. Boff ocupava o cargo de assessor de bancada do PSD, do qual já foi exonerado.
No momento em que os policiais chegaram à Câmara, Boff estava no gabinete do vereador Valim e não reagiu. Ele já sabia da situação e estava arrumando os pertencentes, uma vez que havia sido exonerado. Boff foi revistado para verificar se estava armado, mas nada foi encontrado com ele.
Por mensagem, Boff afirmou não saber o que estava acontecendo e que, quando soubesse, se manifestaria. Ele e a polícia deixaram a Câmara por volta das 12h10min, quando os vereadores se reuniram em uma sala fechada no Legislativo. Após prestar esclarecimentos, Boff afirmou:
— Vim até a delegacia porque teria uma denúncia contra mim, dizendo que eu estava ameaçando funcionários. Estou sendo liberado porque não foi provado nada, só foi uma denúncia que teve, anônima.
O vereador Valim se pronunciou após algumas horas, destacando que a partir do momento que tomou conhecimento da situação, exonerou Boff e que vai "exigir uma apuração rigorosa do caso".
Em nota, o partido informou que "não compactua com qualquer tipo de assédio ou ameaça e tomará as medidas necessárias conforme o andamento das apurações".
