
A Polícia Civil investiga outros dois casos envolvendo a professora Leonice Batista dos Santos, 49 anos. Ela foi presa na manhã desta sexta-feira (22) no interior de Palmeira das Missões, no noroeste do Estado.
Agentes da Polícia Civil local e da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Caxias do Sul participaram da ação. Segundo a delegada Thalita Giacomiti Andrich, que investiga o caso, Leonice teria ido para a cidade no noroeste do Estado após ter a casa depredada e invadida.
Nessa mesma semana, outras duas famílias que têm crianças estudando na Escola Infantil Xodó Da Vovó, registraram boletins de ocorrência. Conforme a delegada, os crimes teriam acontecido no ano passado.
— São casos de maus tratos simples, envolvendo crianças de seis anos. Elas teriam sofrido essas reprimendas de forma abusiva, com apertões e tapas na cabeça. Estamos avaliando se esses casos serão investigados no mesmo inquérito ou se serão desdobrados em inquéritos distintos — explica.
Por hora, a professora permanece em Palmeira das Missões. Ela passou por audiência de custódia durante a tarde da sexta, mas segue presa. No entanto, ela poderá ser transferida para Caxias do Sul, caso a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) decida por isso.
No momento, a professora é investigada por maus tratos qualificados por lesão grave, contudo não é descartada a possibilidade do crime migrar para tortura.

— Estamos esperando um laudo complementar, que vai ser feito daqui a algum tempo. Então, nada impede que no final, tenhamos mais elementos que indiquem que o caso de trata de tortura — indica a delegada.
Ainda, a delegada informou que os proprietários da Escola Infantil Xodó Da Vovó serão tratados apenas como testemunhas. Ao final da investigação, a polícia irá avaliar se eles serão responsabilizados. Outros colaboradores da escola serão ouvidos nos próximos dias. Sobre as crianças, vítimas das agressões, ainda não há uma definição se terão os depoimentos colhidos.
— As crianças a gente não ouve na delegacia por conta de uma vedação legal. Se forem ouvidas, serão em juízo, em um depoimento especial, por uma equipe adequada. Essa possibilidade vai ser avaliada em conjunto como o Ministério Público — detalha.
O inquérito tem prazo de finalização de 10 dias, contando a partir do dia da prisão da professora. Dessa forma, as investigações devem ser encerradas até 31 de agosto.
Relembre o caso
A agressão a um menino de quatro anos ocorreu dentro de uma sala de aula, na Escola Infantil Xodó Da Vovó, na manhã de segunda-feira (18) e foi gravada por uma câmera de segurança.
As imagens mostram a professora Leonice Batista dos Santos, organizando materiais em um armário, enquanto as crianças da turma do Pré estão sentadas, em círculo, nas classes. Em um determinado momento, Leonice se dirige a um menino e bate na cabeça dele com os livros. O aluno chora bastante. A profissional grita e pega um papel para limpar a boca do menino. Ambos saem da sala.
Após, os pais levaram o menino para uma avaliação com um dentista, que constatou o afrouxamento de seis dentes. O caso veio à tona depois da escola verificar as imagens das câmeras de segurança, que flagraram a agressão.





