
Um dos crimes mais comuns, o estelionato tem registrado queda no Rio Grande do Sul nos últimos meses, de acordo com os índices da criminalidade divulgados recentemente pela Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP). No Estado, comparando os meses de janeiro deste ano com o do ano passado, houve queda de 24% nos registros (de 7.862 casos para 5.974). A redução também é vista em Caxias do Sul em índice ainda mais expressivo: na maior cidade da Serra a queda foi de 35% no período - em 2022, foram registrados 453 casos; neste ano, 293, conforme a SSP.
Essa queda é atípica em Caxias, já que os estelionatos vinham, nos anos anteriores, em uma crescente: em 2019 foram 143 registros, subindo para 200 em 2020 e para 458 em 2021. O delegado Edinei Albarelo, titular da 3ª Delegacia de Polícia (DP), acredita que o aumento nos estelionatos nos anos de 2020 e 2021 foi devido à criação do Pix. As transações bancárias de forma virtual, feitas com mais frequência a partir de então, fizeram com que os falsários percebessem ali novas oportunidades de enganar as pessoas.
— A queda em janeiro deste ano, que precisa ser avaliada melhor a partir dos próximos meses, pode ser em função do conhecimento que a população está recebendo sobre esses crimes. As investigações policiais que desmantelam as quadrilhas especializadas também estão diminuindo o número de criminosos.
Crimes mais comuns em Caxias envolvem golpes virtuais
Albarelo, responsável pela DP que abrange os bairros próximos da BR-116 e interior, afirma que, nessa área, os estelionatos mais comuns são aqueles que envolvem mensagens e pedidos de dinheiro por WhatsApp. A mais comum, segundo o delegado, é aquela em que a pessoa manda uma mensagem a um familiar dizendo que perdeu o celular e solicita que ele salve esse novo número de telefone. Após alguns minutos de conversa, o golpista pede dinheiro para pagamento de contas.
Já na abrangência da 1ª Delegacia de Policia (área central) que está sob supervisão do delegado regional, Augusto Cavalheiro, o golpe dos nudes está em maior evidência. Cavalheiro explica que, nestes casos, estão sendo utilizados até fotos de delegados para cometer os estelionatos. O golpe consiste na troca de mensagens íntimas entre duas pessoas. Após, um terceiro indivíduo entra na conversa, ele diz que as fotos da vítima foram enviadas para uma pessoa com menos 18 anos e, por consequência, seria um crime.
— Após a troca de mensagens íntimas entre a vítima e um golpista, entra na conversa uma terceira pessoa utilizando fotos de policiais, inclusive minhas já foram usadas, para coagir a vítima a depositar dinheiro e o caso ser abafado, não virar um inquérito policial. — conta o delegado regional.
A investigação de alguns casos já registrados apontam que os crimes estão sendo cometidos de dentro das cadeias do município.
O subcomandante do 12º Batalhão de Polícia Militar (12°BPM), major Wagner Carvalho afirma que os crimes mais comuns atendidos pela Brigada no ano passado são o conto do bilhete, golpes de Whatsapp e dos nudes. Assim como a Civil, a BM não divulgou os números de registros de cada golpe.
— Os idosos são os principais alvos dos criminosos: 57% dos crimes são realizados por meio de ligações, redes sociais e aplicativos de bate-papo. Em 43% dos crimes os criminosos abordam a vítima na rua — detalha Carvalho.
Em janeiro deste ano, a BM recebeu 14 registros de estelionato. As vítimas, normalmente, registram as ocorrências de forma online ou direto no plantão da Polícia Civil, a quem compete a investigação deste tipo de crime:
— A orientação é de que o cidadão, ao suspeitar que está sendo vítima de um possível golpe, entre em contato com a Brigada Militar, via 190. É importante que ele não forneça informações pessoais e nem bancárias para pessoas desconhecidas. Além disso, que não efetue nenhum tipo de pagamento sem segurança.
O delegado regional Augusto Cavalheiro acredita que as pessoas, principalmente quando não há prejuízo financeiro, preferem não denunciar, por vergonha, medo, enfim outros atributos que exponham a situação. Porém, ele ressalta a importância da denúncia, pelos canais online ou presencialmente nas delegacias, para que os criminosos possam ser identificados e responsabilizados.
Dicas para não cair em golpes
- Golpistas, em geral, oferecem vantagens para atrair a vítima e têm pressa para obter lucro. Fique atento;
- Não envie dados pessoais ou cópias de documentos para desconhecidos;
- Se estiver acertando qualquer tipo de aluguel, seja por temporada ou permanente, visite o imóvel antes de fechar o negócio;
- Na hora de comprar algo pela internet, desconfie se o site só aceitar pagamento por boleto ou transferência, se tiver falhas ou erros na página e se o único contato for por WhatsApp;
- Desconfie de publicações na internet que ofereçam serviços e bens por valor abaixo do preço de mercado;
- Não adquira produtos pela internet sem antes se certificar de quem está vendendo. Mesmo que seja um perfil conhecido, só efetue o pagamento após conversar diretamente com a pessoa;
- No momento do pagamento, seja por Pix ou transferência, confira se o nome do destinatário é o mesmo de quem se está adquirindo o produto;
- Não repasse códigos recebidos no celular. Essa é uma das principais estratégias usadas para hackear contas no WhatsApp e no Instagram;
- Certifique-se de que a pessoa com quem você está conversando por WhatsApp, por exemplo, é ela mesma. É possível conferir isso telefonando para o contato;
- Desconfie de ligações de desconhecidos e nunca repasse informações pessoais;
- Durante a venda de algum item, só entregue o produto após o dinheiro entrar na conta ou receber o valor. Não confie em comprovantes de transferência porque eles podem ser falsificados;
- Se tiver um familiar idoso, oriente a pessoa sobre os golpes mais comuns e como se prevenir deles;
- Caso seja vítima, registre a ocorrência. É possível utilizar a Delegacia Online. Reúna todas as informações que podem servir como provas, como dados bancários, conversas por mensagens e fotografias.
Fonte: Polícia Civil do RS




