
Uma competição um tanto incomum, que exige técnica, precisão e confiança, pode terminar com uma campeã de Caxias do Sul. A final da disputa do Melhor Serrador do Brasil será realizada no sábado e no domingo (5 e 6), em São Paulo, e tem entre os concorrentes a arborista e estudante de Biologia Nadiane de Lima Miranda, 31 anos. A caxiense é a única mulher disputando o título nacional.
Formada como técnica de enfermagem, Nadiane conta que se apaixonou pelo manejo e pela poda de árvores a partir de uma experiência na Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade há cerca de quatro anos.
Nomeada como servidora municipal, ela passou pelo horto e pelo canil, até ser transferida para o setor de parques, praças e jardins, onde conseguiu colocar em prática o que realmente desejava.
— Eu adquiri um interesse em particular pela parte de poda e corte de árvores. Fiz o curso de arborista e comecei a atuar nessa área. Foi desafiador no início devido às dificuldades físicas que eu tinha, mas eu fui atrás e me desenvolvi. Junto com a equipe, aprendi muitas técnicas — afirma a competidora.

Com experiência na área e com um olhar atento às demandas do mercado, Nadiane pediu exoneração do cargo e abriu uma empresa com o marido, voltada para a arboricultura.
— Também trabalhamos com jardinagem, paisagismo, plantio e manutenção de áreas verdes. Não é simplesmente chegar e cortar uma árvore. Cada situação precisa ser avaliada. Precisamos entender a árvore, analisar os riscos e escolher a melhor estratégia. Às vezes, a melhor solução é uma poda. Em outras situações, é preservar — comenta.
"Excesso de confiança pode ser perigoso"

Atuar em um meio predominantemente masculino desperta curiosidade, segundo ela.
— As pessoas ficam muito admiradas. Falam que é a primeira mulher que conhecem que trabalha nessa área, falam que é muito gratificante ver o desenvolvimento de uma mulher neste meio — afirma Nadiane.
Nem sempre Nadiane trabalha diretamente no manejo florestal em campo. Em algumas situações, ela se dedica aos licenciamentos e à avaliação das árvores. Mas, quando está na prática, não abre mão da segurança:
— Trabalhar com motosserra exige respeito. Experiência é importante, mas excesso de confiança pode ser perigoso. Se eu não tiver 100% de certeza de que aquele corte vai acontecer como planejado, eu não faço. Procuro outra estratégia — enfatiza.
O campeonato
O campeonato que definirá o melhor serrador do Brasil é promovido pela marca Husqvarna. A etapa estadual ocorreu em março, em Caxias do Sul. Nadiane lembra que soube do concurso por um grupo de amigos e decidiu participar sem expectativas:
— Não tinha intuito nenhum de ganhar. Eu acreditava mais no potencial dos outros do que no meu próprio, infelizmente. Isso me trouxe uma autoestima bem importante — reforça a competidora.
Neste final de semana, a arborista terá que enfrentar outros 13 competidores no Centro de Inovação e Experiência Husqvarna, em São Carlos, interior de São Paulo.
Segundo ela, haverá provas como desgalhamento (técnica de cortar e remover galhos de uma árvore), desdobramento de madeira (processo de corte de peças maiores, para transformá-las em tábuas, vigas ou outras estruturas) e troca de corrente de motosserra.
— Eu estou ansiosa. Tento não pensar muito, mas eu fico feliz de poder viajar, de poder representar o Estado e também a Husqvarna — finaliza.

