
Começou nesta terça-feira (8) a nova gestão das unidades de pronto atendimento (UPAs) Central e Zona Norte de Caxias do Sul. A responsabilidade pela prestação do serviço passa a ser da Fundação Universidade de Caxias do Sul (Fucs).
O contrato, que passou a valer a partir da meia-noite, tem a duração de cinco anos. A gerência das unidades fica com a Universidade de Caxias do Sul (UCS) e o Hospital Geral (HG).
— Estamos trabalhando em plena sinergia. UCS, Secretaria da Saúde e Hospital Geral. Nós não vamos deixar um segundo sem assistência — afirmou o secretário municipal da Saúde, Rafael Bueno.
Hoje, as duas UPAs, juntas, tem uma média de atendimentos diários de 750 pessoas.
Reforço nas equipes incluído no acordo
Em comparação com o contrato anterior, existe um acréscimo mensal de R$ 800 mil. O contrato emergencial previa repasses de R$ 6 milhões mensais para as duas UPAs, incluindo insumos. Com a Fucs, o custo mensal para o município será de R$ 6,8 milhões.
Contudo, como explicou a assessoria da SMS, a proposta foi R$ 67 mil mais barata do que o que foi pedido pela Associação Mão Amiga para seguir na gestão. O secretário Rafael Bueno adiantou que uma diferença do novo acordo é o aumento efetivo do quadro de servidores.

O contrato, como explica Bueno, prevê 10% de funcionários para a cobertura em caso de faltas. São cerca de 600 pessoas atuando nas duas unidades.
— Por exemplo, aquele servidor que muitas vezes falta, por um atestado ou férias, já está previsto no plano de trabalho para não ficar desfalcada a equipe. Isso é um grande diferencial da proposta pela Universidade de Caxias do Sul, com um custo bem diferenciado — explicou o secretário.
Outro diferencial, como acrescenta Asdrubal Falavigna, reitor da UCS, é que além da equipe de servidores, as UPAs contarão com o reforço de professores e estudantes que estão em fase final de cursos como Medicina, Enfermagem, Psicologia, Assistência Social, Nutrição, Odontologia, Farmácia e Radiologia.
— Vamos ter uma diversidade de conhecimento que facilita muitas vezes o apoio das equipes que estão lá, mas o número de profissionais é o número já estabelecido no contrato, isso não vai modificar. Vamos somar quantidade de pessoas atendendo e lembrar que os alunos estão lá aprendendo junto com o seu professor — explicou o reitor.
Conforme o município, quando a Fucs esteve à frente da UPA Zona Norte, entre 2020 e 2025, 3.869 alunos realizaram mais de 56 mil horas de estágio na unidade. Além disso, é afirmado que nas pesquisas internas, realizadas mensalmente, nunca foi registrada uma avaliação de atuação com o indicador “bom e ótimo” inferior a 97%.

Transição e reformas estruturais
Mesmo que a transição tenha iniciado à meia-noite, o trabalho começou antes. Após o anúncio da nova gestão, foram realizadas as primeiras etapas, como a contratação das equipes.
Como explicou Bueno, a preferência foi dada aos funcionários que já atuavam nas UPAs Central e Zona Norte. Os trâmites para contratações ou recontratações foram feitos na última sexta-feira (4) e no sábado (5).
— Estamos fazendo um golaço. Nós pegamos a melhor empresa de Caxias do Sul, que forma médicos há quase 60 anos, forma profissionais da saúde. Então, teremos aqui na saúde pública de Caxias do Sul um CNPJ que sabemos aonde é, sabemos quem são os gestores, a credibilidade e a qualidade — celebrou o secretário.
O acordo com a nova gestão, segundo o secretário, também prevê melhorias estruturais nas UPAs. São situações como reformas nas estações de energia e ar-condicionado, além de pintura.
Antes do início da transição, o reitor da UCS também informou que vistorias foram feitas em conjunto e as equipes se reuniram para entender o atual processo nas UPAs. O entendimento sobre as unidades, como afirmou Falavigna, também foi importante para que a Fucs fizesse a proposta que foi a vencedora para assumir a gestão.
As conversas entre município e Fucs, inclusive, ocorriam desde fevereiro.
— Então, agora conseguiremos nos apropriar e entender praticamente todo o funcionamento das 24 horas das UPAs, da sua necessidade. E aí o orçamento ficou muito mais particularizado e mais assertivo — contou o reitor.
O contrato final segue em elaboração, segundo Bueno. Município e Fucs têm 30 dias para realizarem os ajustes necessários.




