
A Fundação Universidade de Caxias do Sul (Fucs) é a nova gestora das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Caxias do Sul. A entidade assume as unidades no Centro e na Zona Norte a partir da próxima terça-feira (8). O anúncio foi feito nesta quarta-feira (2) pelo secretário municipal da Saúde, Rafael Bueno, e pelo prefeito Adiló Didomenico.
A operação, conforme anunciado, será conduzida pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) e pelo Hospital Geral (HG). O investimento nas duas UPAs será de R$ 6,8 milhões mensais. O acordo é válido por cinco anos.
De acordo com Adiló, a proposta da Fucs foi R$ 67 mil mensais menor do que a apresentada pela Associação Mão Amiga, o que chega à redução de R$ 804 mil ao ano.
A nova gestão assume depois da Mão Amiga anunciar na terça-feira (1º) que não renovaria o contrato com a prefeitura. A entidade assumiu as UPAs de forma emergencial em junho e o acordo era válido por três meses — até a próxima segunda-feira (7). O contrato de três meses teve repasses mensais de R$ 6 milhões para as duas unidades.
Mesmo com a mudança na gestão, Adiló e Bueno fizeram questão de agradecer a entidade que assumiu o contrato emergencial em junho. O secretário destacou que a escolha da gestão já vinha sendo trabalhada:
— Nesses 90 dias, trabalhamos intensamente todos os dias com as entidades aqui de Caxias do Sul. Nós lançamos para vários prestadores de serviço, como Pompéia, Virvi Ramos, Geral, Círculo Operário e Mão Amiga. Não somente na vantagem econômica, mas também no interesse público e social, nós chegamos a UCS.
Para a Fucs será uma segunda experiência nesta área. Antes, foi a gestora da UPA Zona Norte entre 2020 e 2025. A diretora-geral do HG, Daniele Meneguzzi, ex-secretária de Saúde, afirma que a transição se inicia à meia-noite de terça (8) e "não haverá em hipótese alguma a interrupção de qualquer tipo de atendimento".
Já o reitor da UCS, Asdrubal Falavigna, definiu como "um sonho" o retorno da instituição à gestão das UPAs. Falavigna adiantou que as equipes das UPAs terão o reforço de professores e estudantes em fase final de graduação.
— Fazer a gestão da UPA Zona Norte praticamente não era trabalho para nós. Era uma alegria estar junto com todos os funcionários, os médicos. O propósito é o que nos move e o propósito da universidade sempre é uma universidade comunitária, é cuidar do bem mais importante das pessoas, que é a vida — destacou o reitor.
O histórico das UPAs
Desde as respectivas inaugurações no formato de UPA, tanto a Central como a Zona Norte funcionaram no sistema de terceirização. A primeira a operar nesse formato foi a Zona Norte, com as obras finalizadas em 2014, mas só aberta em 20 de setembro de 2017 por causa do custo necessário para a manutenção do local. O Instituto de Gestão e Humanização (IGH) foi o primeiro gestor do local, ficando à frente até janeiro de 2020. A saída ocorreu em virtude do descumprimento de parte das exigências contratuais.
Após o rompimento com o IGH, a prefeitura firmou convênio com a Fundação Universidade de Caxias do Sul (Fucs), mantenedora da UCS para administração, operacionalização e manutenção da UPA Zona Norte. A vigência inicial era de 12 meses, no entanto, ficou até 2025, quando o Ideas assumiu a gestão após vencer a licitação da prefeitura. Com sede em Florianópolis, a empresa atuou até junho de 2026, quando teve o contrato rompido.
Já a UPA Central foi inaugurada neste formato em 20 de dezembro de 2019 e passou a ser administrada pelo Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão em Saúde (InSaúde), que ficou até o início de 2025. O contrato inicial com o InSaúde se encerrava no final de 2023, no entanto, foi prorrogado até uma nova licitação, que saiu em 2024, vencida pelo Ideas, que assumiu em 1º de fevereiro de 2025. No entanto, o InSaúde também tinha problemas na gestão que, inclusive, o impedem de firmar contrato com a prefeitura de Caxias por dois anos.
Em junho de 2026, a prefeitura rompeu os contratos que mantinha com o Ideas por irregularidades apontadas, como o não pagamento a fornecedores e atraso no salário de médicos e enfermeiros. Os casos começaram a ser investigados ainda em janeiro, e geraram paralisações por parte dos profissionais. Em 9 de junho, a Associação Mão Amiga assumiu a gestão das duas UPAs em caráter emergencial por 90 dias.


