Mesmo com os termômetros marcando 4ºC no início da manhã, a Rua Sinimbu ficou cheia nesta segunda-feira (7) para o desfile da Independência em Caxias do Sul. O público ocupou as calçadas do trecho entre as ruas Andrade Neves e Garibaldi para acompanhar a passagem de estudantes, bandas marciais, forças de segurança e grupos independentes.
A programação começou às 8h30min, com o hasteamento das bandeiras. Na sequência, teve início o desfile, que reuniu mais de seis mil pessoas distribuídas em 50 grupos. A programação teve como tema nacional os 400 anos do início das missões jesuíticas no Sul do Brasil, com homenagem aos Sete Povos das Missões. No âmbito regional, o destaque foi para a Polícia Civil do Rio Grande do Sul.
Entre as pessoas que chegaram cedo para garantir um lugar na calçada estavam a professora Virgínia Michelin Giacomelli, 47 anos, e a mãe dela, a professora aposentada Odete Virgínia Michelin, 74. Moradoras do bairro São Pelegrino, as duas aguardavam a passagem do Colégio Murialdo, onde estuda Vinícius Giacomelli Miotto, 15, filho de Virgínia.
Estudante do nono ano, Vinícius integra a banda marcial da escola. Para a mãe, apesar de o filho já ter experiência em apresentações, a expectativa de vê-lo desfilar continua sendo especial:
— O motivo principal é para assistir o meu filho desfilar. Eu estou achando muito bonito o desfile. A gente chegou cedinho, conseguiu assistir praticamente quase todos desde o início. Eu acho muito importante as escolas participarem. É importante que a gente valorize esse momento.

A espera pelo desfile também despertou lembranças em Odete. Professora aposentada, ela conta que acompanha a programação todos os anos e que a tradição se mistura às memórias da época em que ainda estava em sala de aula. A relação de Odete com os desfiles começou ainda na infância. Primeiro como estudante, depois como professora, ela participou de diversas edições ao longo da vida.
— Eu sempre gosto de acompanhar o desfile. Todo ano eu venho porque eu acho muito bonito. E as crianças, para elas, é importante esse momento, é um evento onde elas podem aparecer, onde elas podem ser vistas — diz.
A programação também marcou o retorno de uma tradição na Escola Estadual Santa Catarina. A banda marcial da instituição voltou a desfilar depois de mais de oito anos.

Segundo a diretora Flávia Schefelbanis, a retomada teve apoio de ex-integrantes e ex-alunos para reconstruir o grupo. O esforço resultou na formação de uma banda com 32 componentes, a maioria estudante.
— Antes da pandemia, já não tinha mais representantes. Mas quando assumi a gestão, eu disse: "A banda tem que voltar". E foi com muito esforço, pedindo apoio para ex-integrantes e ex-alunos, e todo mundo abraçou a ideia — conta a diretora.
A volta da banda ganhou um significado ainda maior durante o desfile desta segunda-feira. Emocionada, Flávia acompanhou a primeira apresentação do grupo depois de tantos anos e espera que a atividade tenha continuidade na escola.
— Meu Deus, dá vontade de sair chorando avenida afora. É muito emocionante, e espero que a banda não pare mais.

A Semana da Pátria será encerrada oficialmente às 17h desta segunda-feira, na prefeitura.



