
A Associação Mão Amiga vai deixar a gestão das Unidades de Pronto Atendimento (Upa) Central e Zona Norte de Caxias do Sul. A decisão foi comunicada por meio de nota assinada pelo presidente, frei Jaime Bettega, e encaminhada à imprensa na manhã desta terça-feira (1º). A entidade havia assumido o serviço em 9 de junho em caráter emergencial e por um período de 90 dias no lugar do Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (Ideas), que teve o contrato rompido com a prefeitura.
Dessa forma, o contrato emergencial se encerra na próxima segunda-feira (7), e a Associação optou por não dar continuidade após a data. Em trecho da nota, a Mão Amiga afirma que a decisão foi tomada em virtude de indefinição quanto a uma possível renovação do contrato.
Logo na sequência, a entidade afirma que "conduzir uma estrutura dessa dimensão sob incerteza quanto à continuidade e à fonte de custeio significaria assumir riscos que recairiam justamente sobre quem menos pode suportá-los: o trabalhador que espera seu salário e o prestador que espera seu pagamento", e complementa dizendo que "não está disposta a correr esse risco em nome de terceiros".
Ao final do comunicado, a associação diz que os atendimentos seguirão até o último dia sem redução de equipes, serviços e estrutura. Além disso, afirma que todos os prestadores de serviço serão comunicados oficialmente e que prestará constas da gestão à Secretaria Municipal da Saúde (SMS).
Mensalmente, a associação recebia R$ 3,4 milhões para a administração da UPA Central e R$ 2,5 milhões pela UPA Zona Norte.
Procurada, a assessoria de imprensa SMS disse que: "ainda não há definição a respeito. Está passando por trâmites burocráticos, processo administrativo em trânsito". Ao colunista André Fiedler, Rafael Bueno, titular da SMS, negou que haja dificuldade em pagar o custeio das UPAs. Segundo ele, a proposta do Mão Amiga era superior a outras entidades com as quais o município vem mantendo conversas e por isso não foi aceita.
O histórico das Upas
Desde as suas inaugurações no formato de Upa, tanto a Central como a Zona Norte funcionaram no modelo de terceirização. A primeira a operar neste formato foi a Zona Norte, com as obras finalizadas em 2014, mas só aberta em 20 de setembro 2017 por causa do custo necessário para a manutenção do local. O Instituto de Gestão e Humanização (IGH) foi o primeiro gestor do local, ficando à frente até janeiro de 2020. A saída ocorreu em virtude do descumprimento de parte das exigências contratuais.
Após o rompimento com o IGH, a prefeitura firmou convênio com Fundação Universidade de Caxias do Sul (FUCS), mantenedora da UCS para administração, operacionalização e manutenção da UPA Zona Norte. A vigência inicial era de 12 meses, no entanto, ficou até 2025, quando o Ideas assumiu a gestão após vencer a licitação da prefeitura. Com sede em Florianópolis, a empresa atuou até junho de 2026, quando teve o contrato rompido.
Já a Upa Central foi inaugurada neste formato em 20 de dezembro de 2019 e passou a ser administrada pelo Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão em Saúde (InSaúde), que ficou na gestão até o início de 2025. O contrato inicial com o InSaúde se encerrava no final de 2023, no entanto, foi prorrogado até uma nova licitação, que saiu em 2024, vencida pelo Ideas, que assumiu em 1º de fevereiro de 2025. No entanto, o InSaúde também tinha problemas na gestão que, inclusive, o impedem de firmar contrato com a prefeitura de Caxias por dois anos.
Em junho de 2026, a prefeitura rompeu os contratos que mantinha com o Ideas por irregularidades apontadas, como o não pagamento a fornecedores e atraso no salário de médicos e enfermeiros. Os casos começaram a ser investigados ainda em janeiro, e geraram paralisações por parte dos profissionais. Em 9 de junho, a Associação Mão Amiga assumiu a gestão das duas UPAs em caráter emergencial por 90 dias.





