
O primeiro dia de operação do Agilzinho, novo serviço de transporte seletivo de Caxias do Sul, foi marcado por avaliações distintas entre os passageiros. O sistema, operado pela Visate, substitui os extintos táxis-lotação, conhecidos como azuizinhos, e começou a funcionar nesta terça-feira (1º) nas linhas S150, entre o Shopping Villagio e Ana Rech, e S151, que liga o Villagio ao Rio Branco e à Universidade de Caxias do Sul (UCS).
Na manhã desta terça, a reportagem acompanhou uma viagem da linha S150. O embarque ocorreu no Shopping Villagio, às 7h38min, e o percurso levou cerca de duas horas até Ana Rech. Ao longo do trajeto, 16 passageiros utilizaram o serviço. Entre os quatro entrevistados, as principais críticas foram relacionadas ao preço da passagem e ao cumprimento dos horários. Por outro lado, o conforto e as condições dos novos veículos foram elogiados.
Para quem está à frente da condução dos veículos, a expectativa com o início do novo modelo é positiva. O motorista Charles Augusto, 46 anos, destaca que alguns dos primeiros passageiros já demonstraram uma boa impressão com a estrutura oferecida.
— A expectativa é a melhor possível, porque já estamos com todo o serviço e todo o conforto. Os passageiros também falaram que está bom, alguns elogiaram o carro e o trajeto — relata.

O Agilzinho conta com capacidade para até 26 passageiros sentados e oferece ar-condicionado, wi-fi, entradas USB e poltronas estofadas. O serviço também permite paradas em diferentes pontos ao longo do itinerário e o transporte de animais de estimação.
A tarifa passou de R$ 6, cobrados anteriormente nos azuizinhos, para R$ 9. O valor foi definido pelo Conselho Municipal de Mobilidade em julho e ficou abaixo dos R$ 10,80 inicialmente estimados para o novo transporte seletivo. Apesar disso, a mudança pesa no orçamento de alguns usuários.
É o caso de Angela Mara Staudt, 55, que trabalha em uma loja de tintas e mora no bairro Villagio. Ela utilizava os azuizinhos com frequência e considera que o modelo anterior tinha um bom funcionamento. Apesar disso, reconhece que os novos veículos apresentam melhores condições.
— Em termos de conforto, limpeza e por ser um ônibus novo, é melhor. Os azuizinhos realmente estavam bem sucateados. Mas o que importava para a gente era conseguir pegá-lo no horário, chegar ao local e não precisar pagar um valor tão alto de vale-transporte — afirma.

Para Angela, o reajuste terá impacto significativo ao longo do mês.
— No mês vai dar R$ 120 a mais. Esses R$ 120 eu poderia usar para fazer qualquer outra coisa, então esse valor a mais impacta, sim.
A questão dos horários também apareceu entre as reclamações. O estudante de Direito Leonardo Celli, 21, avaliou que o veículo apresenta uma melhora significativa em relação à estrutura, mas teve ressalvas quanto ao primeiro dia de funcionamento.
— Eu achei, além de caro, que atrasou bastante. Foram uns 15 ou 20 minutos, e achei bem desfavorável nessa parte. Também achei que o pagamento em dinheiro não é muito prático — opina.
O estudante, que costumava utilizar os azuizinhos, considera que houve avanço na qualidade do transporte, mas afirma que o reajuste da tarifa deverá pesar no fim do mês.
— Dá para ver que melhorou bastante a qualidade. Eu era fã do azulzinho e não me importava tanto com essa questão do conforto, mas a qualidade melhorou bastante. Só que é um aumento de 50%, então vai pesar um pouco no final do mês — relata o universitário.

A adaptação ao novo modelo também foi citada por Patrícia Reis, 42, moradora do bairro Medianeira. Ela relatou um atraso de aproximadamente 10 minutos, mas ponderou que se trata do primeiro dia de operação.
— Eles atrasaram 10 minutos em relação ao horário que a gente costuma pegar, mas é o primeiro dia. Devem estar se adaptando, a linha também. A condição do veículo está ótima. Vamos ver se vai manter. Mas o valor ficou pesado.
Entre os passageiros ouvidos pela reportagem, também houve quem considerasse que o aumento da tarifa pode ser compensado pela melhoria na estrutura oferecida. Moradora do bairro Floresta, a auxiliar de cozinha Maria Jaureci Marcolan, 59, disse que, pelo menos neste primeiro dia, a experiência foi positiva.
— A princípio, está tudo certo. É um pouco mais caro, mas compensa pela qualidade. Os outros (azuizinhos) já estavam todos estragados. Já tinha dias que não passavam porque não tinha ônibus. E o povo precisa trabalhar — descreve Maria.

Além dos novos veículos, outra novidade está nas formas de pagamento. Além do cartão Caxias Urbano e do dinheiro, os passageiros podem utilizar cartões de débito e crédito. Nos cinco primeiros dias de operação, além do motorista, um instrutor estará nos veículos para orientar os usuários durante a adaptação ao novo serviço.
A programação de horários e o tempo de deslocamento atualmente adotados pelos azuizinhos foram mantidos neste início de operação e podem ser consultados no site Caxias Urbano.

O que diz o secretário sobre o primeiro dia
O secretário Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade (SMTTM), Edio Elói Frizzo, reconheceu que o primeiro dia do novo modelo de serviço foi marcado por problemas de atraso, situação que relacionou com a falta de experiência dos novos motoristas.
— Eles ficaram esperando o pessoal sentar nos bancos para partir, também tiveram problemas no acesso às estações. São pontos que vamos discutir na quarta, em uma avaliação feita na secretaria para melhorar esses pontos — indica.
Por outro lado, o secretário se mantém confiante na perspectiva de dobrar o número de usuários do Agilzinho até o fim de setembro. Conforme Frizzo, menos de mil passageiros eram atendidos diariamente pelos azuizinhos. Caso o aumento na procura se concretize, o secretário prevê a possibilidade de retomar linhas que foram descontinuadas.
Sobre os micro-ônibus em operação, ele indicou que quatro são novos, enquanto três estão em circulação provisória até que a Marcopolo entregue os novos veículos, o que deve ocorre nos próximos dias.




