
Voltado para o atendimento clínico das crianças e adolescentes que apresentam dificuldades de aprendizagem, o Ambulatório Aprender será inaugurado nesta terça-feira (11), em Caxias do Sul. O ambiente, o primeiro do Rio Grande do Sul, segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), tem como um dos objetivos identificar e diagnosticar os casos, a partir de intervenções integradas para o público entre seis e 17 anos e 11 meses.
Os atendimentos se iniciam na quarta-feira (12). O serviço fica localizado no prédio do Sindicato dos Comerciários, localização também do Ambulatório Apoiar e do Cais Mental (Rua Pinheiro Machado, 1.239, Centro). Cerca de cem crianças e adolescentes já foram selecionados.
O ambulatório conta inicialmente com uma equipe multidisciplinar de sete pessoas, em uma parceria entre SMS e a Secretaria Municipal da Educação (Smed). São profissionais como psiquiatra, psicóloga, fonoaudióloga, assistente social e pediatra. O ambulatório será gerenciado pela psicóloga Letícia Poggere.
— Analisamos muito a questão da dificuldade de aprendizagem e essas crianças ficam em uma lista de espera de forma desnecessária. Muitas crianças e adolescentes precisam de acompanhamento neurológico, psicológico ou psiquiátrico para tratar o sintoma de saúde. No entanto, muitas dessas crianças, além de terem esse tipo de dificuldade, de evolução cognitiva, têm problemas na aprendizagem. Se tivermos um espaço propício para o desenvolvimento, conseguimos uma evolução — explicou o secretário municipal da Saúde, Rafael Bueno.
De acordo com o secretário, não há custos para o lançamento do serviço, uma vez que o município já possuía o espaço e a estrutura. O custo de manutenção será a folha de pagamento da equipe, além de testes que devem ser adquiridos. Números ainda não foram divulgados.
Intervenção integrada
Uma das motivações para a criação do Ambulatório Aprender foi a análise de que das mais de 4,6 mil crianças e adolescentes que aguardavam na lista da neurologia infantil, em abril, 45% possuíam dificuldades na aprendizagem escolar. Após o lançamento de um mutirão, em abril, a lista teve redução de mais de 1,3 mil atendimentos, chegando ao patamar de 3,3 mil.
A expectativa é que o ambulatório também auxilie a reduzir a demanda para a neurologia infantil. Um dos objetivos do serviço será fazer uma melhor triagem dos pacientes.
O secretário usa como exemplo a relação dessa fila com as listas de espera da psiquiatria infantil e da psicologia infantil.
A lista da psiquiatra infantil está com cerca de 640 crianças ou adolescentes na fila — antes era de 710. Enquanto isso, a psicologia infantil subiu de cerca de 1,5 mil para 2,2 mil. O aumento, como nota Bueno, é porque foi identificado que muitas crianças não deveriam estar na lista da psiquiatria ou da neurologia mas, sim, da psicologia.
Outro exemplo dado por Bueno é que no lugar de uma criança ou adolescente que necessita de atendimento de mais de uma especialidade ficar em diferentes listas de espera aguardando, esse paciente poderá ser encaminhado ao ambulatório para receber o atendimento clínico.
— Será um espaço para diagnosticar as pessoas com dificuldade escolar, tanto na questão neuro, emocional ou psicológica. É fazer uma intervenção especializada nessa criança, vendo qual é o transtorno de aprendizagem, contribuindo então no direcionamento terapêutico e pedagógico, conforme cada caso — reforçou o secretário.
Triagem a partir das filas
Os atendimentos serão feitos a partir de uma triagem do próprio ambulatório a partir das filas existentes e de novos encaminhamentos que surgirem a partir das unidades básicas de saúde (UBSs). Ou seja, a porta de entrada não muda: as famílias devem levar as crianças ou adolescentes na atenção básica para que a rede faça os encaminhamentos.
— Não é um ambulatório que ela vai passar três, quatro ou cinco meses. É um cuidado especial sobre essa criança em um espaço clínico para que possamos fazer uma intervenção prévia nessa criança, e a partir daí direcionarmos para outros serviços de alta complexidade — explicou Bueno.
Para o serviço, a SMS está adquirindo testes psicológicos, conforme detalha Bueno. A ideia é que esses pacientes passem por avaliação psicométrica, social e fonoaudiológica. Depois, os familiares devem ser informados sobre como deve ser a continuidade do tratamento.
Bueno acrescenta que o espaço também está equipado com materiais pedagógicos e didáticos, além de infraestrutura moderna. Os profissionais selecionados para o serviço também possuem experiência na área da infância e da juventude.
— O que eu quero enquanto gestor é ter um olhar diferenciado para que essas crianças não fiquem mais aguardando em uma lista de espera e fiquem dispersas em listas, pulando de um lado para o outro — destacou o titular da pasta.




