
Moradores de Galópolis, em Caxias do Sul, conheceram nesta semana o Guia Comunitário de Proteção e Defesa Civil, elaborado para orientar a população sobre como agir em casos de chuvas intensas, deslizamentos e outras emergências climáticas. O material reúne informações sobre rotas de fuga, pontos de apoio, formas de acionar os órgãos de emergência e os principais sinais de risco.
O guia é uma das ações desenvolvidas pelo Núcleo Comunitário de Proteção e Defesa Civil (Nupdec), criado no fim do ano passado. Galópolis foi o primeiro bairro da Serra a formar um grupo desse tipo, composto por moradores treinados para atuar na prevenção e na resposta a desastres.
— Ao longo do tempo, fomos desenvolvendo formas de comunicação com a comunidade. O guia é uma delas e é importantíssimo para trazer mais tranquilidade em situações de eventos climáticos — afirma a presidente da Associação de Moradores de Galópolis e coordenadora do Núcleo, Darla Pereira.
Os voluntários receberam capacitação da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e de pesquisadores da Universidade de Caxias do Sul. Durante os treinamentos, aprenderam a identificar áreas de risco, reconhecer sinais de deslizamentos, monitorar o volume de chuva, prestar primeiros socorros e orientar a população em situações de emergência.
Um dos equipamentos utilizados pelo núcleo é um pluviômetro instalado na Unidade Básica de Saúde do bairro e conectado ao Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). As informações são acompanhadas em tempo real e ajudam a definir quando há necessidade de emitir alertas ou recomendar uma evacuação preventiva.

Segundo Darla, o grupo também fez um levantamento das áreas mais vulneráveis e estabeleceu parâmetros para o acionamento de alerta.
— Identificamos os tipos de solo e definimos um limite de volume de chuva para disparar um alerta e avaliar uma possível evacuação. Não é toda chuva que exige isso, mas temos critérios técnicos para agir — explica.
O coordenador municipal de Proteção e Defesa Civil, Armando da Silva, destaca que a preparação da comunidade é fundamental para reduzir riscos.
— Nós damos o pontapé inicial com aulas sobre geologia, identificação de rachaduras, primeiros socorros e combate a incêndio. Depois, a própria comunidade passa a se ajudar, porque ninguém conhece melhor as necessidades do bairro do que quem vive aqui — afirma.
Criado no fim de 2025, o núcleo reúne atualmente 20 voluntários distribuídos por diferentes localidades de Galópolis. A organização permite que informações sobre bloqueios de vias, riscos e rotas de fuga sejam compartilhadas rapidamente entre os integrantes, facilitando a orientação da população.
A diarista Maria do Carmo da Rosa decidiu participar do grupo depois de vivenciar os impactos das enchentes de 2024.
— Quanto mais pessoas preparadas houver, melhor. Assim conseguimos ajudar os vizinhos quando acontece uma emergência.
Ela explica que o grupo conta com representantes de diferentes regiões do bairro para informar rapidamente sobre bloqueios de estradas e indicar as rotas mais seguras para evacuação.
Os moradores também mapearam todas as residências de Galópolis, onde vivem cerca de 20 mil pessoas, segundo a Associação de Moradores. O levantamento reúne informações como localização das casas, número de moradores, presença de pessoas com deficiência, comorbidades, necessidade de uso de oxigênio e existência de animais.
Para a empresária Vanessa Dallegrave, o cadastro permite que o atendimento seja mais eficiente.
— Nós temos uma extensa área rural. Precisamos saber onde estão essas pessoas, se alguém depende de oxigênio, tem dificuldade de locomoção ou precisa de medicamentos. Se uma estrada ficar bloqueada, já sabemos quem pode precisar de ajuda primeiro — explica.
Galópolis foi o bairro mais atingido em Caxias do Sul durante as chuvas de maio de 2024. Oito pessoas morreram em deslizamentos, tragédia que impulsionou a criação do núcleo comunitário.
Para a auxiliar fiscal Suelen Menegol Pistorello, o treinamento deixa a população mais preparada para enfrentar novos eventos extremos.
— A gente se torna mais consciente e consegue se prevenir melhor. Não podemos evitar que essas situações aconteçam, mas podemos estar mais preparados e unidos para enfrentá-las — afirma.



