Galópolis, bairro da zona sul de Caxias, foi um dos locais da Serra mais afetados pela enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024. Na época, a água do Arroio Pinhal subiu em virtude do grande volume de chuva, além de terem sido registrados diversos deslizamentos, inclusive causando mortes na região. Desde então, para que a comunidade esteja mais preparada para enfrentar esses eventos climáticos, foi criado o Núcleo Comunitário de Proteção e Defesa Civil de Galópolis (Nupdec).
De acordo com o tenente-coronel Marcelo Almeida de Souza, coordenador regional da Defesa Civil, esses núcleos são previstos legalmente no sistema nacional e estadual de proteção civil, e são vinculados às coordenadorias municipais, sendo uma forma de organização das comunidades próximas das áreas de risco. Com eles, os moradores podem fazer a gestão de prevenção e até de respostas de forma autônoma. Esse foi o primeiro núcleo formado na região, e servirá como subsídio para criar outros, segundo Souza.
— A evacuação da área, acompanhamento dos alertas que são emitidos pelos órgãos, ficam todos com gestão própria: a comunidade não aguarda o Estado diante de um alerta meteorológico — explica o tenente-coronel.
O grupo de Galópolis foi formado no final de 2025 após os integrantes, cerca de 25 no início, terem passado por treinamentos com a Defesa Civil municipal. Nos encontros, tiveram aulas com especialistas em monitoramento meteorológico, aprenderam sobre suporte básico de vida e atendimento pré-hospitalar, noções básicas de análise de riscos geológicos, como identificar sinais de movimentação de massa, rachaduras e instabilidade de encostas. Tudo isso para preparar os integrantes do Nupdec na hora de auxiliarem os moradores do bairro em caso de novas chuvaradas.
Conforme Darla Pereira, presidente da Associação de Moradores de Galópolis (Amog) e coordenadora do núcleo, a chuva foi constante no bairro nesta semana, mas não tão forte. Dados do pluviômetro do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), instalado na unidade básica de saúde, e de pluviômetros caseiros, apontam para precipitação de 80 milímetros em três dias.
— Nós não tivemos alerta de alagamento justamente pela questão de aqui não ter tido um volume muito grande — analisa Darla.
O único alerta, conforme a coordenadora do núcleo, foi referente à possibilidade de pequenos deslizamentos, que não se concretizaram. Nenhuma família precisou sair de casa:
— No caso desse alerta pontual de desmoronamento de risco moderado, a gente fez um comunicado à comunidade explicando da possibilidade, mas não aconteceram. Pedimos só para as pessoas que não se sentissem confortáveis em permanecer nas suas residências que procurassem um outro local.
O Nupdec ainda não conta com uma sede fixa, e nesse momento os integrantes elaboram documentos informativos e materiais para a comunidade. Nos próximos dias, o grupo irá se reunir para avaliar as atuações. Um dos desafios, neste segundo semestre, será o enfrentamento ao El Ninõ.
— Montamos um material junto com uma equipe da UCS e da Defesa Civil para poder informar a comunidade. Nossa ideia agora é, a partir de agora, estipular líderes por áreas de risco em Galópolis. Essas pessoas vão fazer esse treinamento com a comunidade no geral — diz Darla.





