
O Rio Grande do Sul se prepara para enfrentar uma mudança brusca no tempo. Do frio com neblina ao cenário ensolarado com temperatura elevada, acima dos 20°C, o Estado passará por dias consecutivos de alta instabilidade, chuva intensa e fortes ventos.
Apesar do alerta emitido pela Defesa Civil para a quinta-feira (16), a situação na Serra gaúcha será diferente da observada em outras regiões do Estado. Segundo meteorologistas da Climatempo, não há previsão de chuva para a região até sábado (18).
O principal impacto neste período será o vento. Em municípios como Caxias do Sul, Canela e Bom Jesus, as rajadas podem chegar a 70 km/h, aumentando o risco de queda de árvores.
A chuva deve chegar à Serra no domingo (19), acompanhada de ventos fortes. Conforme a Climatempo, o dia deve ter precipitação mais intensa. Já a partir de segunda-feira (20), a instabilidade perde força temporariamente, embora as rajadas de vento continuem predominando.
Uma nova mudança está prevista entre quarta-feira (22) e quinta-feira (23), quando aumenta o risco de temporais. Ao longo da próxima semana, os acumulados de chuva podem variar entre 100 e 200 milímetros em pontos da região.
Em todo o Rio Grande do Sul, o alerta de atenção segue até 25 de julho, devido ao risco de chuva forte, temporais, granizo, ventos intensos e acumulados elevados de precipitação.
O que explica a instabilidade
De acordo com o meteorologista Vitor Takao Suganuma, da Climatempo, a persistência das condições adversas está relacionada à formação de um bloqueio atmosférico sobre o país.
Esse fenômeno funciona como uma barreira na atmosfera, dificultando o deslocamento dos sistemas meteorológicos. Com isso, uma frente fria permanece próxima ao Rio Grande do Sul por mais tempo do que o normal, prolongando o período de instabilidade.
Ao mesmo tempo, correntes de vento transportam calor e umidade da região Norte do Brasil para o Estado. O encontro desse ar quente e úmido com a frente fria cria um ambiente favorável à formação de nuvens carregadas e tempestades.
— Enquanto uma frente fria permanece próxima ao Estado sem conseguir avançar rapidamente, correntes de vento trazem calor e umidade da região Norte do país. Esse encontro entre ar quente e úmido com a frente fria cria condições favoráveis para a formação de nuvens carregadas e tempestades.
Qual é a influência do El Niño?
Segundo a Climatempo, o El Niño já começa a influenciar o comportamento do clima no sul do Brasil, mas não é o principal responsável pelos temporais previstos para os próximos dias.
Os fenômenos esperados nesta semana estão ligados principalmente à atuação de uma frente fria, ao transporte intenso de umidade e ao bloqueio atmosférico. Mesmo assim, o El Niño contribui para tornar o ambiente mais favorável à ocorrência de chuva frequente e persistente.
Embora julho já seja tradicionalmente um mês chuvoso na Região Sul, a tendência é de que a influência do fenômeno se torne mais evidente nos próximos meses. A partir da primavera, com o fortalecimento do El Niño, aumentam as chances de precipitações acima da média e de episódios prolongados de chuva.





