
Icônico e, por quase 50 anos, considerado o prédio mais alto do RS, o edifício Parque do Sol, em Caxias do Sul, passa por uma manutenção visual em sua estrutura. O condomínio residencial é pintado em um serviço que tem investimento superior a R$ 1 milhão e previsão de conclusão para março de 2027.
As cores definidas para o corpo principal do imóvel são o branco de papel seda, de forma predominante, nas alvenarias de fechamento, o cinza urbano para destacar o volume de concreto nas empenas (paredes laterais do edifício) e o mármore na verticalidade central. O verde será preservado nas paredes das garagens.
De acordo com o síndico José Paulo Soffredi Soares, o prédio não é lavado e repintado há aproximadamente 18 anos. Além da parte externa, tinta nova também é aplicada em paredes, pisos, grades de segurança e corrimões internos de 18 dos 36 andares e áreas como hall de escadaria e casa de máquinas.
— O orçamento para a pintura é grande, temos três fundos para gestão financeira do condomínio: o de emergência e o de investimento para reformas, e o fundo só para a pintura — diz Soares.
Em janeiro deste ano, uma assembleia de moradores definiu as cores a serem utilizadas. Embora o serviço tenha começado em março, as discussões internas e pesquisas ocorrem desde 2023.
De acordo com Renato Solio, arquiteto responsável pelo projeto de revitalização, o Parque do Sol, originalmente, tinha a cor branca como prevalente. Em complemento, a estrutura era composta por tons de amarelo e azul, além do concreto armado nas empenas.
Ele defende que a proposta em execução busca valorizar a verticalidade e a linguagem modernista do edifício, e aponta que a pintura atual "praticamente monocromática" em verde não representa a origem do imóvel.
— Buscamos construir com os condôminos uma solução. Ouvimos expectativas, sugestões e desejos de que o prédio tenha aspectos de elegância e de modernidade. O branco dá uniformidade. Agora, a gente assume uma nova coloração que vai deixar o prédio bastante relevante e conservado. É a manutenção de um patrimônio histórico, e a pintura é uma maneira de conservação — sintetiza.
A pintura, iniciada pelas costas do edifício (lado oeste), atingiu cerca de 30% de execução até a última segunda-feira (20).
Mudança na pintura foi denunciada, mas descartada pelo Dippahc
A Divisão de Proteção ao Patrimônio Histórico e Cultural (Dippahc) recebeu uma denúncia a respeito da mudança na pintura do edifício Parque do Sol. Entretanto, não houve penalização porque o órgão da Secretaria Municipal da Cultura (SMC) avaliou e aprovou a realização das intervenções.
O projeto privado recebeu aval por meio de processo administrativo após cumprir critérios técnicos, como o respeito das características históricas e identidade do prédio.
Embora não seja tombado, o Parque do Sol tem valor histórico reconhecido.
— Alterações nesses imóveis precisam seguir critérios técnicos. Um arquiteto que tem conhecimento de patrimônio foi contratado, ele fez a proposta à Dippahc, justificou e nós aprovamos. Não fizemos nenhuma alteração ou modificação no que foi proposto, porque estava adequado — explica a diretora da Dippahc, Rosana Guarese.
Cerca de 13 mil litros de tinta
A Repintar Pinturas LTDA foi selecionada e contratada em um processo com outras 11 empresas para realizar a revitalização. A companhia atua há 20 anos com foco na repintura de condomínios, como o Vêneto, na Rua Sinimbu, e a Galeria Auto João Muratore (mais conhecida como Caixa de Fósforos), em frente à Praça Dante Alighieri.
No Parque do Sol, é empregada uma equipe de em torno de 10 profissionais. A estimativa é que sejam utilizados até o fim das operações 13 mil litros de tinta.

A pintura externa é executada manualmente e não diz respeito apenas à aplicação da tinta. O processo envolve etapas como a lavagem da superfície, correções com massa para reparar imperfeições e desgaste, colocação de textura e de fundo preparador para só então chegar a tinta e os acabamentos finais.
— Mudamos o layout da pintura, porque antes ela estava na horizontal, já não dava mais para vê-la porque as cores estavam muito parecidas, desbotadas. Agora a sensação será de um prédio ainda mais alto porque faremos na vertical — explica a sócia da empresa contratada, Aline Sartor.
Entre os maiores desafios do serviço, citados pela equipe, estão a altura elevada e as rajadas de ventos, que exigem um aparato de equipamentos de proteção.
O prédio possui cerca de 120 metros de altura, conforme registros repassados pelo síndico. São 36 andares, além de outros quatro pavimentos acima reservados à depósito de peças, casa de máquinas, caixas d'água e heliponto.
Os 63 apartamentos estão dispostos entre o 6° e o 36° pisos. Há ainda andares para garagem, térreo e playground.





