
Dois bombeiros voluntários da Serra vão viajar na noite desta sexta-feira (3) à Venezuela para auxiliar nos resgates na região de La Guaira, uma das localidades mais atingidas pelos fortes terremotos do dia 24 de junho. Até essa quinta-feira (2), o país já registra 2.595 mortos, 12,4 mil feridos e mais de 50 mil desaparecidos.
Salatiel Slongo, 46 anos, de Caxias do Sul, e Marcelo Bidone, 63, de Nova Petrópolis, fazem parte da Associação Estadual dos Bombeiros Voluntários (Voluntersul) e viajam também com um colega do Paraguai e outro de São Sebastião do Cai. O custeio da viagem é pago pelos próprios voluntários.
Chegando na região de Playa Grande, o grupo vai se encontrar com equipes do México, também vinculadas à associação, para realizarem a troca de turno e manter os trabalhos de resgate. A previsão é que fiquem na Venezuela por 10 dias.
Quem são os bombeiros voluntários
Os dois serranos têm formação técnica em Busca e o Resgate em Áreas Colapsadas (Brec) e atuaram durante as enchentes de 2023 e 2024 no Rio Grande do Sul.
Para Salatiel, bombeiro voluntário há 35 anos, ajudar no resgate das vítimas é um dever:
— Uma coisa que eu sempre digo é que nós somos a resposta de orações de muitas pessoas que precisam de ajuda. É o nosso dever, é o nosso trabalho.
O bombeiro também fala sobre a complexidade das operações no local que sofreu com terremotos:
— Não é uma ocorrência simples, é uma emergência complexa, onde há várias situações instáveis e nenhuma estrutura. Então, como eu já tenho conhecimento dessa área de Brec, é uma oportunidade de retribuir quem nos ajudou aqui no nosso Estado.
Já Bidone é bombeiro há nove anos e também atua como enfermeiro.
— Nós estamos pagando nossas passagens aéreas, somos todos voluntários. A gente quer ir para ajudar essas pessoas que estão numa dificuldade muito grande — destaca.
Além disso, entende o receio de ir em um local de grande risco, mas diz que faz parte do trabalho que escolheu.
— Isso evidentemente gera um receio para todo mundo, para nós também, não pense que a gente está lá e não vai com medo. A gente vai com muito medo também, mas para isso que a gente procura treinar e fazer com bastante cautela todos os procedimentos, sabendo dos riscos — complementa Bidone.
Sobre o terremoto
Os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram o norte da Venezuela no dia 24 de junho deixaram um cenário de devastação, com prédios colapsados, especialmente em La Guaira, uma cidade costeira a cerca de 30 quilômetros de Caracas.
O primeiro terremoto ocorreu às 19h04min (horário de Brasília), segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Quase um minuto depois, ocorreu o segundo, de magnitude 7,5, o mais forte a atingir a Venezuela desde 1900.
A força dos terremotos foi sentida até mesmo na Colômbia. Desde então, foram registrados mais de 130 tremores secundários. A Venezuela é um país de atividade sísmica, mas um grande terremoto não era registrado desde 1997.



