Pelo menos 8.476 acidentes de trabalho foram registrados em Caxias do Sul em 2025. O número representa um aumento de 21,4% em relação a 2024, quando foram 6.981. Os dados foram compilados pelo Centro de Referência Regional em Saúde do Trabalhador (Cerest/Serra), e encaminhados ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Em todo o ano passado, 19 pessoas morreram em casos do gênero na cidade.
Com o objetivo de alertar principalmente os empregadores para a situação, foi instituído em 1972 o Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho, lembrado sempre no 27 de julho — em Caxias existe o dia municipal, em 22 de julho.
O gerente regional do MTE, Vanius Corte vê com preocupação esse aumento nos casos registrados. Em 2026, até o final de junho, foram 3.374 registros, porém, pode haver um atraso na comunicação, e os números podem ainda aumentar.
Corte explica que todos os casos recebem atenção do MTE, e são os que causam ferimentos mais graves e até mesmo mortes que mais preocupam, obviamente. Entre as principais causas, o gerente regional do órgão destaca o aumento da informalidade e a ausência de treinamentos adequados, e soma-se a isso o não cumprimento das normas regulamentaras (NRs).
— Temos hoje 36 NRs em vigor, que o objetivo delas é exatamente esse: prevenir a ocorrência de acidente de trabalho. Essas normas vão dizer exatamente o que precisa ser feito para que o acidente não aconteça. E notamos que tem sido deixado de lado a observância delas, e aí não tem jeito, sempre que acontece um acidente, tu vais lá e identifica que ele aconteceu por que alguma obrigação do empregador no sentido de prevenir o acidente tinha sido deixada de lado — contextualiza Corte.
Em caso de acidentes, em especial os que resultam na morte de um trabalhador, são diversas as possíveis penalidades. Em caso de identificação do não cumprimento de normas, pode ser tratado como crime de homicídio culposo ou doloso, com incidências penais. Assim, haverá também a necessidade indenização à família do trabalhador, e até indenizações coletivas. Outro ponto lembrado pelo gerente do MTE é que, caso o trabalhador seja registrado, a família receberá um benefício previdenciário por direito, e o empregador poderá ter que ressarcir a previdência.
E para que não ocorram acidentes, o Ministério realiza ações de conscientização junto a sindicatos patronais. Os casos fiscalizados pelo MTE são encaminhados e contribuem nas investigações de órgãos de segurança, como a Polícia Civil.
— Sempre tentamos mostrar para os empregadores dizendo: "segurança do trabalho não é despesa, é investimento". Se tu deixas o acidente acontecer e fica caracterizado que houve uma falha, e na imensa maioria dos casos houve, a responsabilização atinge vários níveis e um volume bastante elevado.
O problema das subnotificações
Um alerta dado pelo gerente regional do MTE vai para as subnotificações. Os mais de 8,4 mil casos registrados em 2025 no município são aqueles em que os trabalhadores foram atendidos, por exemplo, em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), básicas de saúde (UBSs), hospitais, clínicas, entre outros. No entanto, quando os atendimentos ocorrem dentro das empresas, muitas vezes não são feitas as Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), o que pode fazer com os dados fiquem defasados.
Segundo Corte, isso ocorre, algumas vezes, pois existe pela Previdência Social uma estatística por setores com maior incidência, e se uma empresa tem um nível de acidente acima dessa média, ela é tributada de forma diferente.
— Porque tem um seguro de acidente de trabalho e ela é tributada diferente. Então, vai aumentar a tributação se ela tem um número de acidentes acima da média. Para não mudar essa média, para não subir muito, muitas vezes as CATs não são feitas, e temos uma subnotificação enorme por conta disso — explica o gerente regional do MTE.
Raio X dos casos de 2025
Os homens representaram 71,7% dos casos de acidentes de trabalho em 2025, e a maior concentração foi na faixa etária de 20 a 49 anos, considerada economicamente mais ativa. Quase 60% dos casos são registrados no setor indústria de transformação, seguido por comércio e reparação de veículos, construção civil, saúde e serviços sociais, transporte, armazenagem e comunicações.
A grande maioria dos acidentes, ou 90%, ocorrem durante a jornada de trabalho. Aproximadamente 58,2% são causados por forças mecânicas inanimadas, como máquinas, equipamentos, ferramentas, materiais e objetos. Outras causas frequentes são excesso de esforço físico, quedas, acidentes de transporte envolvendo motociclistas.
Já as partes do corpo mais atingidas são as mãos, os membros inferiores, os pés, os membros superiores, os olhos e a cabeça.




