
Ao longo da Copa do Mundo de 2026, a jornalista caxiense Gabriela Machado mostrou curiosidades sobre o Mundial para além dos estádios em várias cidades dos EUA, junto com o também jornalista Vitor Vieira de Oliveira. A cobertura feita por ambos pode ser conferida no Instagram, pelo perfil @journalismwhy.
A pedido do Pioneiro, Gabriela escreveu um texto sobre a atmosfera no entorno do MetLife Stadium, em Nova York, local da final da Copa do Mundo entre Argentina e Espanha, neste domingo. Leia a seguir o relato:
“Cinquenta mil reais na bucha para assistir à final da maior Copa do Mundo de todos os tempos. Era o preço mais em conta por um ingresso a duas horas do apito inicial, em grupos de WhatsApp e sites de revenda. Lancei uma mensagem demonstrando interesse em um destes grupos e dez sujeitos imediatamente chamaram em conversas privadas. Faltando uma hora para a bola rolar, tinha brasileiro pagando R$30 mil na porta do estádio.
O show pré-jogo bombando e uma alma solidária me escreve: "moça, consegui por R$20 mil aqui na entrada, vem pra cá que dá".
O preço dos tickets já fez arregalar o olho logo na largada no site da FIFA. Pela primeira vez, a entidade permitiu que os torcedores revendessem o ingresso com lucro, por quanto bem entendessem, abrindo brecha para um cambismo formalizado. E os valores dinâmicos, baseados em oferta e procura feito aplicativo de transporte, levaram algumas cadeiras a valerem milhões.
No dia a dia da Copa, cambistas e torcedores nos grupos de WhatsApp e ao redor dos estádios pediam de R$3 mil a R$10 mil por cabeça. O preço oscilava conforme as equipes em campo e a cidade, e ia caindo perto da hora do jogo. Na porta do estádio em Houston, no Texas, o Japão já tinha nos deixado borocoxôs marcando o primeiro gol e cantei o cambista com 100 dólares: "pra você não morrer com o ingresso na mão, amigão".
Ele revidou, arisco: "que tipo de torcedora é você que não paga pra ver sua Seleção?”
Ri. Sou o tipo de torcedora que viveu estes 39 dias à la Zeca Pagodinho com seu caviar - nunca vi, nem comi, eu só ouço falar como é sentir a Copa de dentro do estádio. Essa era a proposta desde o início: reportar a atmosfera para além das quatro linhas nos Estados Unidos.
Os valores nas alturas doeram até no bolso dos torcedores que pagaram em Euro (mais valorizado do que o dólar). “É caro também pra gente que ganha em dólar”, reclamaram brasileiros que moram nos Estados Unidos. O atacante da Seleção espanhola postou os preços para a final e escreveu “uma vergonha".
Aceitemos a derrota: o mundo - incluindo tantos com a camisa canarinho - lotou estádios ao longo de todo o mundial. E abriu pelo menos 15 vezes mais a mão para ver a última dança do Messi. Não à toa, já rodam posts nas redes sociais calculando quanto economizar por mês para viver o mundial de 2030”.




