
Os pesos, a força e a intensidade dos movimentos podem até assustar quem vê uma gestante treinando — especialmente se a atividade for de alta intensidade, como o crossfit. Mas a prática, quando é acompanhada por profissionais e respeita os limites de cada gravidez, está longe de representar um risco. Pelo contrário: manter o corpo em movimento traz benefícios tanto para a mãe quanto para o bebê.
A ginecologista e obstetra Janaína Carla Ely menciona que os exercícios físicos contribuem para a saúde da placenta, órgão responsável pela nutrição, oxigenação e proteção do bebê.
— Vai favorecer o crescimento adequado do bebê. E para a mãe, a gente tem benefícios no sono, no humor, nas dores lombares. Temos benefícios para o controle de peso, para a saúde mental, que é fundamental. Além disso, evita, por exemplo, doença de pressão alta na gravidez (pré-eclâmpsia) e constipação — detalha.

Quem seguia um ritmo sedentário pode começar a se exercitar na gestação, segundo a médica. Já as mulheres que têm uma rotina de exercícios devem mantê-los. A orientação, contudo, é buscar um médico de confiança assim que descobrir a gestação para saber quais as mudanças são recomendadas nesta fase.
— Se você nunca fez nada, inicie com atividades mais leves. Costumamos recomendar pilates, yoga e caminhadas para esse início. E para as gestantes que já faziam atividade física antes, mantenham com determinadas adaptações. É muito importante essa troca (entre médico e paciente), porque queremos o melhor para a mãe e para o bebê, e a paciente também tem que entender que nem tudo poderá ser do jeito que ela fazia antes — sinaliza a médica.
Além disso, segundo o Ministério da Saúde, a prática de atividade física não aumenta o risco de malformação do bebê, não induz ao trabalho de parto e nem mesmo aumenta o risco de ruptura da bolsa.
Pilates é aliado

O pilates é um método indicado do início ao fim da gestação. Segundo a fisioterapeuta e instrutora Bruna Bertin Leite, a atividade é de baixo impacto, segura e bastante recomendada para esta fase, desde que sejam respeitadas as individualidades e as necessidades de cada mulher aos longo dos nove meses.
Os exercícios reforçam os membros inferiores, o glúteo, o assoalho pélvico, bem como ajudam na estabilidade da coluna e diminuem os desconfortos e dores provocados pelas mudanças corporais.
— Trabalhamos com o fortalecimento muscular global, principalmente preparando a gestante para o parto e auxiliando na recuperação pós-parto. A respiração, que é um dos pilares do pilates, auxilia na oxigenação geral, no relaxamento e na diminuição do estresse e da ansiedade — sinaliza Bruna.

Atualmente, a fisioterapeuta atende a cinco gestantes e, desde o começo do ano, outras três alunas tiveram bebê. Uma das praticantes com este perfil é a cirurgiã-dentista Ingrid Casara Rigotto, 28. Ela está grávida de oito meses do filho Pedro.
Ingrid conta que começou o pilates pouco antes de engravidar, diante de dores na lombar ocasionadas pelos atendimentos no consultório. Naquela época, também treinava na academia, prática que foi interrompida para ter um atendimento mais personalizado na clínica.

— Eu fazia sozinha, aqueles exercícios pré-elaborados pelo professor de Educação Física, mas sem uma assistência no momento da execução. E aí eu percebi a importância de, durante a gestação, eu ter um professor e um fisioterapeuta comigo, me assistindo e me orientando durante a prática, para que eu não fizesse nenhum exercício de maneira equivocada — detalha.
Para ela, os benefícios do pilates são instantâneos:
— Depois das aulas, eu percebo um alívio. Parece que a musculatura, a articulação, dão uma relaxada e eu consigo me movimentar um pouquinho melhor.
Crossfit e musculação até o fim da gestação

Grávida de nove meses da primeira filha, Beatriz, a pediatra Marina Spricigo Crocetta treina de quatro a cinco vezes por semana em Farroupilha. A rotina é dividida entre a musculação e o crossfit, com acompanhamento médico e de um profissional da educação física.
Marina sempre foi ativa. Na infância, dançou balé e jazz. Mais tarde, foi pra musculação, pilates e o crossfit. Hábitos saudáveis que apenas precisaram ser ajustados nessa fase:
— Como eu sempre me exercitei, eu conheço muito bem os meus limites também. Antes de engravidar, tinha dia que eu fazia três treinos e, agora, parei. Os exercícios com barra, que envolvem altura, cancelamos pelo risco de queda e, depois, a barriga vai crescendo também, já não consegui mais nem me pendurar. Os pulos também foram adaptados no segundo trimestre — detalha.

O sobe e desce, a desenvoltura com os pesos e a intensidade das atividades podem chamar atenção de quem olha de fora, mas a médica garante que se sente bem e reconhece todos os benefícios de ser exercitar na gestação:
— Eu me sinto ótima treinando! Fazia bem antes e continua fazendo muito bem agora. Tem me ajudado muito mentalmente, fico menos ansiosa, mais tranquila e também sabemos de alguns benefícios como controle do ganho de peso e a prevenção de diabetes na gestacional.




