
O mundo está cada vez mais hiperconectado. As contas não precisam mais ser pagas indo até uma lotérica ou a um banco. O contato com alguém distante pode ser feito por um simples aparelho celular. A tecnologia já consegue resolver a maioria dos problemas do nosso dia a dia de forma descomplicada e rápida.
Foi pensando nisso que Gelson Tefili resolveu se inscrever em um curso para aprender a mexer tanto em computadores como em celulares. Aluno do UCS Sênior, ele descobriu as aulas do curso de de Ferramentas Digitais por meio de um folheto e decidiu se matricular para se aprimorar e se adaptar ao mundo tecnológico.

Tefili, que não tinha conta nas redes sociais, passou a navegar nelas graças aos aprendizados obtidos com o avançar das aulas.
— Eu não tinha rede social e nas aulas a gente foi criando, foi aprendendo como faz, para que serve, como se utiliza — diz, alegre, com o sentimento de segurança e independência.
Aulas são para quem tem conhecimento e também para quem não tem
O Programa UCS Sênior iniciou seus primeiros movimentos em 1990, quando o então reitor Ruy Pauletti voltou de uma viagem à França. Lá, percebeu que durante o período de recesso das aulas regulares muitas pessoas idosas frequentavam os espaços das instituições de ensino. Ao retornar para Caxias do Sul, ele decidiu que a universidade iria iniciar ações relacionadas à terceira idade.

Entre as atividades oferecidas pelo programa estão os cursos de tecnologia, como de Ferramentas Digitais. Nele, o aluno aprende o básico para manusear o celular e o computador. As aulas custam R$ 202 por mês e ocorrem nas segundas, terças e quintas-feiras.
— As atividades de tecnologia foram sempre se modernizando e não tinha como não ser assim. A gente tem turmas para aqueles alunos que já têm uma noção e para aquela pessoa que sabe o mínimo para usar um celular — explica a professora responsável pelo Programa, Verônica Bohm.
Quem ministra o curso de Ferramentas Digitais é a professora Andréia Velho Witt, que explica que as aulas são planejadas de acordo com as necessidades e os interesses dos participantes, com exercícios práticos desenvolvidos de forma individual e em grupo.
— Muitos chegam com medo e insegurança. E muitos acreditam que não vão conseguir aprender, mas conforme vão participando das aulas, eles percebem que não é um bicho de sete cabeças. E com paciência, incentivo e prática, eles conseguem aprender e passar a usar a tecnologia com mais confiança. É muito gratificante ver a alegria e a satisfação deles quando percebem que são capazes de aprender algo novo e de utilizar ferramentas que fazem parte do dia a dia deles — relata a professora.
As matrículas devem ser feitas de forma presencial na Central de Atendimento da Universidade de Caxias do Sul, das 8h às 18h. Para se inscrever é necessário apresentar carteira de identidade, CPF e comprovante de endereço.
Sesc Caxias do Sul ensina a capturar momentos
O Sesc de Caxias do Sul também oferece curso de letramento digital para idosos, mas com foco na utilização do celular para a captura de fotos e vídeos. As aulas acontecem dentro do grupo Maturidade Ativa.
O curso costuma ter 15 integrantes por turma, com atividades de dois em dois meses. O número baixo de estudantes tem o objetivo de garantir ampla atenção da professora com os idosos.
— A adesão dos participantes nessa oficina de foto e vídeo com celular é bastante significativa. Eles sempre procuram e pedem bastante por oficinas voltadas para as tecnologias digitais — relata Adriele Massafra Dobler, coordenadora do Maturidade Ativa.
Além disso, a oficina também visa contribuir para a uma formação mais crítica em relação ao uso das plataformas digitais, favorecendo a proteção de dados e o uso responsável da internet.
Mais informações sobre como participar do curso: na sede do Sesc Caxias no Sul, que fica na Rua Moreira César, 2.462, no bairro Pio X ou pelo telefone (54) 3209-8250.
Aprender novas habilidades estimula diferentes funções cognitivas, diz geriatra
Para a médica geriatria Gabriela Marchese, a inclusão digital de idosos traz benefícios que vão além da conectividade. Ela explica que aprender novas habilidades estimula diferentes funções cognitivas, como atenção, memória, linguagem e funções executivas, contribuindo para a manutenção da reserva cognitiva.
Além disso, aplicativos voltados ao treinamento cognitivo e ao aprendizado, como Lumosity, CogniFit e Duolingo, podem complementar esse estímulo quando associados a um estilo de vida ativo.
Gabriela ainda pontua que é fundamental que essa inclusão ocorra de forma segura, por conta da vulnerabilidade da população idosa aos golpes virtuais e a desinformação. Ainda completa dizendo que os cursos de tecnologia também precisam dar atenção ao desenvolvimento de habilidades de segurança digital.
— O objetivo não é apenas ensinar o idoso a utilizar a tecnologia, mas capacitá-lo para que ela seja um instrumento de autonomia, participação social e promoção da saúde, sem que isso represente exclusão das experiências do mundo real — conclui a geriatra.




