
A osteopatia não é exatamente uma novidade, mas, nos últimos tempos, tem ampliado o número de adeptos que buscam aliviar dores e ter mais qualidade de vida, distante de medicamentos e tratamentos invasivos. A técnica se utiliza de terapia manuais para equilibrar o corpo, sendo indicada desde os primeiros meses da infância até a vida adulta.
O corpo é visto pelo osteopata de forma global, o que significa que o profissional buscará entender não só a queixa, como também o histórico de saúde e os hábitos diários para chegar ao diagnóstico e ao tratamento.
— Falamos que o papel do osteopata é tirar os bloqueios para que o corpo consiga se autorregular, se autocurar. A gente entende que temos uma capacidade de buscar a cura interna, só precisamos liberar esse caminho para que isso realmente aconteça — afirma a fisioterapeuta e osteopata Fernanda Pissaia.
A partir do trabalho com as mãos, o osteopata pode aliviar dores nas costas, no pescoço, nas articulações, além de tratar outras doenças, como rinite, sinusite, labirintite, distúrbios renais, tendinites e constipação intestinal, por exemplo.
No consultório de Fernanda, as queixas mais comuns estão relacionadas ao sistema musculoesquelético — que é composto por ossos, músculos e articulações.
— Os relatos mais comuns, sem dúvida, são as dores na coluna, tanto cervical, como lombar. Mas também temos outras queixas, como dores de cabeça, enxaquecas, dores na articulação temporomandibular, dores articulares — exemplifica.
O número de sessões varia para cada caso. Durante ou após o tratamento, a osteopata pode identificar a necessidade de outros encaminhamentos, como incentivar uma rotina de atividades físicas e direcionar o paciente para o atendimento com outros profissionais.
Osteopatia infantil

As técnicas manuais da osteopatia ajudam os bebês desde os primeiros dias de vida. A liberação das tensões é capaz de aliviar cólicas, disquesias, refluxos e até facilitar a amamentação e melhorar o sono.
— No bebê, as técnicas são supersutis, são toques muito mais leves, mais gentis, do que no adulto. Com as mãos, vamos dando mobilidade para os tecido que estão enrijecidos — explica Fernanda.
Outro tipo de atendimento comum para este público se refere ao torcicolo congênito. A condição se caracteriza pela contração ou encurtamento dos músculos do pescoço, fazendo com que a criança mantenha a cabeça inclinada para um dos lados.
— O bebê tem muito desconforto e (se não é tratado) começa a gerar atraso motor e assimetrias cranianas — sinaliza a osteopata.

Foi esta condição que Fernanda identificou na bebê Teresa, 11 meses, logo no primeiro atendimento, aos oito dia de vida. A mãe, a jornalista Camila Ruzzarin, lembra que buscou a profissional para auxiliar na amamentação. O alívio nas tensões da face foi imediato:
— Era incrível! Ela chegava chorando, com o rostinho tensionado e saia dormindo. E já na primeira avaliação foi observada essa questão do torcicolo — relembra Camila.
Meses depois, as sessões de osteopatia foram intensificadas e aliadas ao atendimento com uma fisioterapeuta motora infantil. O tratamento seguiu de julho do ano passado até abril de 2026.
— A experiência foi muito positiva, era perceptível o avanço, a melhora na qualidade de vida, no desenvolvimento motor da Teresa — detalha a jornalista.
Formação
No Brasil, a osteopatia não é regulamentada como uma profissão independente, diferentemente de alguns países europeus. A especialização é feita por fisioterapeutas após a conclusão da graduação. No caso de Fernanda, a formação durou cinco anos.




