
Sair de onde se está para enxergar mais longe e conhecer outras realidades, encontrar pessoas novas, descobrir caminhos e voltar diferente. Esse é o foco do 2º Moot Nacional Pioneiro, que ocorre de 18 até 23 de julho de 2026, na cidade de Caxias do Sul e em diversos municípios da Serra gaúcha.
Com o tema Explorar o mundo, ampliar horizontes, o encontro é conhecido como o maior do ramo pioneiro, que é a etapa do Movimento Escoteiro focada no serviço ao próximo, na cidadania ativa e na transição para a vida adulta, com idades entre 18 e 22 anos, guiada pelo lema "Servir". No evento na Serra, mais de 370 jovens e voluntários estarão presentes provenientes de 17 Estados do Brasil.
Durante os percursos, os participantes irão assumir responsabilidades relacionadas à organização da Rota. A programação diária poderá envolver deslocamentos, ações de serviço, atividades de aventura, culturais, momentos de convivência e interação com as comunidades locais.
O acampamento central, onde os jovens ficarão alojados, será na sede do Grupo Escoteiro Saint Hilaire, que fica localizado no campus-sede da Universidade de Caxias do Sul.
— Este Moot Nacional está sendo planejado e organizado a muitas mãos e com muito carinho desde o ano passado. Preparamos cada detalhe para que todos levem na mochila, e no coração, experiências marcantes e memórias inesquecíveis ao voltarem para casa — recorda com carinho, Denise Bampi, diretora-presidente do GE Saint Hilaire 154/RS e coordenadora do Campo Central - Caxias/UCS do Moot.
Rotas pela Serra gaúcha
Os participantes serão divididos em grupos que terão rotas específicas. Cada uma delas foi construída a partir das realidades dos territórios, considerando diferentes experiências relacionadas às características da região e potencialidades locais.
A descrição das rotas foi antecipadamente oferecida aos grupos. Nela foi apresentado o perfil de cada proposta, o ritmo das atividades e o nível de intensidade física esperado, sem identificar diretamente a respectiva cidade-sede.
Em Caxias do Sul, os pioneiros participarão do Explora Caxias, onde os jovens irão percorrer diferentes pontos turísticos e espaços de interesse do município. Entre eles, a Biblioteca Parque da Fundação Marcopolo, com a participação especial de Chiquinho Divilas, seguida pelo Walking Tour São Pelegrino, realizado em parceria com a Secretaria do Turismo e Desenvolvimento Econômico de Caxias.
Outras cidades da Serra também foram escolhidas para receber os jovens, como Bento Gonçalves, Canela, Farroupilha, Flores da Cunha, Garibaldi, Nova Petrópolis e Veranópolis.
O que é ser um escoteiro do Clã Pioneiro?
O lema "Servir" é o motor das ações desse clã, que estão sempre ligadas à comunidade, ao desenvolvimento social e ao impacto real. Com isso, as experiências que ocorrem durante o período no grupo deixam de ser apenas simuladas e passam a dialogar diretamente com a vida adulta.
Os jovens que participam do ramo pioneiro são estimulados de forma constante a desenvolver autonomia, convivência, serviço e reflexão sobre o papel do jovem na sociedade.
Integrante do movimento, Giovana Bof, 21, conta que iniciou, aos nove anos de idade, como bandeirante, vertente diferente do escotismo. Em 2022, entrou oficialmente para o Movimento Escoteiro, e, dois anos mais tarde, começou a integrar o grupo que faz parte hoje: o Saint Hilaire, de Caxias do Sul.

Seguindo o objetivo do Clã Pioneiro, que gira em torno do jovem se tornando adulto e também de explicar de maneira leve sobre as escolhas e caminhos do decorrer da jornada da vida, ela explica que as atividades ajudam a preparar para o futuro.
— Para mim o ramo pioneiro é mágico, é onde voltamos a ser lobinhos e acantonar. Onde voltamos a ser escoteiros para relembrar um nó. Onde revivemos o ramo sênior com as aventuras e correria do dia a dia. Além disso, é onde podemos ser quem realmente somos, com união, respeito e empatia pelo outro — explica, emocionada.
Acantonar é um termo usado no escotismo para descrever a instalação de um grupo em alojamentos com melhor infraestrutura.
Uma história de pai para filha
Uma das participantes do Moot, Maria Eduarda Abreu, 19, já está na estrada rumo a Caxias do Sul para se aventurar pela Serra gaúcha. Vinda diretamente de Manaus, no coração da Floresta Amazônica, ela se apaixonou pelo escotismo quando tinha 13 anos de idade, durante um encontro promovido pelo acaso.
— Eu fui jantar com a minha família e por um acaso tinha um grupo de escoteiros jantando lá após uma atividade. Eu nem sabia o que era o escotismo, não tinha ideia. Eu só vi um pessoal com uma roupa muito engraçada, um meião até o joelho, uns lenços no pescoço. E eu falei, nossa, que negócio estranho. Aí eu olhei para o meu pai e falei: "pai, eu quero ser aquilo ali. O que é aquilo ali? Eu quero ser" — conta aos risos.

O que ela não sabia era que seu pai, quando jovem, tinha sido escoteiro, chegando até a ser pioneiro, em Mato Grosso do Sul. Após o pedido da filha, pesquisou o nome do grupo na internet e nas redes sociais e apresentou a ela.
— Antes de entrar, eu comecei a ler, a pesquisar, e eu me apaixonei ali por todos os valores e por tudo o que foi apresentado. E, depois que eu entrei, meu pai voltou para o movimento. Ele tinha se afastado por causa da família, do trabalho, depois do meu nascimento. Quase 15 anos afastado do movimento, ele voltou — comemora.
Por fim, Maria confidencia que nunca havia vindo ao sul do Brasil, mas que está com expectativas altas para conhecer as cidades da Serra gaúcha. Além disso, ela conta que conhece um pouco da cultura gaúcha, já tendo experimentado a gastronomia típica e reconhecendo que será um desafio enfrentar o clima da região.
— É um Estado com uma cultura muito diferente, para quem não tem tanta familiaridade. A gente vê uma culinária muito gostosa, já tive a oportunidade de experimentar. Ir para outra cidade com escotismo é uma experiência diferente, porque não é uma viagem comum, é uma viagem com pessoas que eu não conheço, mas que compartilham da mesma visão que eu. Então, eu acredito que vai ser uma viagem muito leve, porque o escoteiro tem essa personalidade de sempre levar as coisas com leveza. Acredito que conhecer Caxias do Sul com pessoas do movimento vai me enriquecer muito culturalmente. Eu vou ter outra visão, porque é uma coisa diferente — esclarece.
Um encontro sul-americano
Único escoteiro a vir de fora do Brasil para participar do Moot, Santiago Adame, 18, é do grupo mexicano Scout de Ciudad de Mexico. Ele lembra que começou a se interessar pelo escotismo com 10 anos de idade. De lá para cá, participou de diversos acampamentos e atividades, dentro e fora do seu país.
O convite para participar do evento na Serra gaúcha surgiu pelo curitibano Bruno Zatta, 19. Os dois viraram amigos durante o JamCam 2025, tradicional reunião de escoteiros que ocorre em Cali, na Colômbia.
Eles se conheceram durante a ida até o país sul-americano. Ambos embarcaram nos mesmos aviões que iam até Bogotá e depois até Cali. Nisso, descobriram que estavam indo até o mesmo local e já iniciaram uma relação de proximidade.
— Eu trabalhei na equipe de serviço internacional e o Santiago também. A gente acabou formando um grupo de amigos que tinha peruanos, colombianos, mexicanos, brasileiros e pessoas de outros países também — conta Bruno.

Nos mais de 7.460 quilômetros de distância que separam a Cidade do México de Caxias do Sul, Santiago pretende, assim como nos outros acampamentos que participou, conhecer pessoas, fazer amizades e absorver novos conhecimentos.
— Quero conhecer a cultura brasileira, a diversidade do país, suas tradições e experimentar a comida típica — revela.


