É por meio das denúncias feitas pelo telefone 156, o Alô Caxias, e de casos confirmados de leptospirose, a mais comum das doenças transmitidas pelos ratos, que a prefeitura de Caxias do Sul monitora a presença dos roedores no perímetro urbano. Neste momento, conforme Magda Teles, diretora da Vigilância em Saúde, são analisados casos em bairros como o Rio Branco, o Petrópolis e o Panazzolo.
A Vigilância trabalha com o impacto da presença do roedor na saúde dos moradores, porém não há um mapeamento de área de maior ocorrência. Segundo Magda, os cuidados devem ser compartilhados entre poder público e a população. As ações da prefeitura também englobam a Secretaria Municipal do Meio Ambiental e Sustentabilidade (Semmas).
Um dos locais em que eles mais aparecem é nas proximidades dos containers de lixo e, sobre isso, a Companhia de Desenvolvimento de Caxias do Sul (Codeca) informou que: “a limpeza no entorno dos contêineres é feita periodicamente, assim como a lavagem dos equipamentos, há uma escala diária”.
— Para o rato se reproduzir, ele precisa de um ambiente propício, do que chamamos dos quatro "As": alimento, água, acesso de circulação e abrigo. Às vezes vemos essa ocorrência próxima a bocas de lobo e containers porque teriam esses quatro "As" para eles. E pensamos como vigilância, usar um raticida vai agir só naquele momento. Para ter sucesso precisa estar em conjunto com a eliminação do abrigo, acesso, alimento e água — explica Magda Teles.
Segundo Magda, nas residências é mais comum que apareçam espécies como os camundongos e os conhecidos ratos de telhado. Já nas ruas, principalmente perto de lixeiras, são as ratazanas, que são maiores.
— Além de ter o impacto ambiental por ser algo químico, não podemos usar o raticida de forma indiscriminada. Temos que evitar que o rato venha procurar o alimento, a água e se abrigue, tentar eliminar a possibilidade de se reproduzir e fazer ações básicas como não deixar áreas de descarte de lixo inapropriadas, cuidar dos containers. A população deve fazer o descarte adequado dos resíduos, com os sacos de lixo, fazer a separação do seletivo e orgânico.
Até maio, a secretaria da Saúde investigou oito casos suspeitos de leptospirose e um se confirmou. Para efeito de comparação, em todo o 2025 foram sete confirmados e 19 descartados. A doença é transmitida pelo contato direto ou indireto com a urina de animais infectados, principalmente ratos. Quando há confirmações, a prefeitura atua também na região em específico, como uma forma de que outras pessoas não sejam contaminadas.
— Ele é um animal que se adaptou à parte urbana, porque tem o alimento, a água, está abrigado e protegido. Ele acaba se reproduzindo mais nessas condições, e acaba tendo uma superpopulação, mas é um animal dentro da cadeia, ele não vai ser eliminado, e nem podemos fazer isso ecologicamente falando. O que temos que fazer é controlar esses acessos dentro do meio urbano, para não ser um problema de saúde também.
Casos de leptospirose em Caxias
- 2020: quatro confirmados e oito descartados;
- 2021: oito confirmados e 21 descartados;
- 2022: sete confirmados e 29 descartados;
- 2023: cinco confirmados e 19 descartados;
- 2024: dez confirmados e 28 descartados, além de um inconclusivo;
- 2025: sete confirmados e 19 descartados, além de um inconclusivo;
- 2026: um confirmado e sete descartados - até maio
Fonte: Secretaria Municipal da Saúde




