
A Polícia Civil realizou na manhã desta quinta-feira (11) uma operação em Vacaria contra uma organização criminosa investigada por estelionato, furto qualificado, fraudes bancárias e outros crimes relacionados.
De acordo com a polícia, o grupo agia há pelo menos três anos sob a liderança de um hacker profissional, um homem de 26 anos, que atuava com outras seis pessoas. O principal suspeito tem passagens por nove crimes, incluindo tráfico de drogas, e teria, segundo a investigação, obtido lucros de até R$ 200 mil por ação fraudulenta.
As autoridades não divulgaram nomes, mas a reportagem apurou que o líder é Victor Ravier da Silva Bueno, vulgo Brandão. Ele e outras cinco pessoas foram presas preventivamente — um dos suspeitos não foi localizado — e um veículo foi apreendido nesta manhã.
Por meio de nota, assinada pelos advogados Ueslei Natã Dias Boeira e Renan Kramer Boeira, a defesa de Bueno afirma que "até o presente momento, está em busca do acesso integral aos elementos de prova encartados nos autos do inquérito policial e das medidas cautelares remanescentes".
A Justiça também autorizou o bloqueio de R$ 8 milhões em contas bancárias, cifra que teria sido movimentada pelos envolvidos e comparsas nos últimos dois anos. Conforme a polícia, embora a base de atuação dos criminosos fique em Vacaria, as fraudes atingiam pessoas e empresas em todo o país.
A operação foi batizada como Haridade em referência ao codinome do alvo da ofensiva na internet. Integraram os trabalhos 60 agentes entre policiais civis e militares, da Brigada Militar (BM), que atuaram nos bairros Fátima, Jardim das Oliveiras, Mauá, Jardim América, Gasparetto e Altos da Glória.
Como atuavam
Segundo a investigação, iniciada em outubro do ano passado, a organização criminosa gerava limites fictícios em contas bancárias para burlar o sistema financeiro e furtar valores disponíveis.
O grupo adquiria dados de cartões de crédito na internet, em contato com outros fraudadores, e lesava pessoas físicas, operadoras de cartão e comerciantes. Com os valores obtidos, os criminosos liquidavam boletos; compravam produtos de luxo, como celulares, e os revendiam; e viviam em hotéis e resorts de alto padrão.
A polícia também registrou prejuízos a agências e plataformas de viagem. Nesse caso, eram comprados serviços com cartões fraudados e, na sequência, revendidos nas redes sociais.
Os lucros eram pulverizados para contas de terceiros. Ainda conforme a polícia, a maioria dos investigados é familiar da liderança do grupo. Eles eram responsáveis por dar apoio operacional para a concretização das fraudes eletrônicas repassando valores para a compra de dados vazados, aliciando vítimas, transportando e ocultando armas e gerenciando contas bancárias.




