
Um incêndio de grandes proporções atinge duas casas abandonadas na manhã desta segunda-feira (1º) no bairro Pio X, em Caxias do Sul. As chamas consomem os imóveis localizados no final da Rua Visconde de Pelotas.
Dois caminhões do Corpo de Bombeiros atuam no combate ao fogo. A fumaça pode ser vista de diferentes pontos da região.
Segundo vizinhos, o incêndio teve início por volta das 8h30min. Moradores relataram ainda que as casas eram frequentemente ocupadas por moradores de rua.

Até o momento, não há informações sobre feridos. As causas do incêndio também são desconhecidas e deverão ser apuradas após o controle das chamas.
Por conta da ocorrência, o trânsito na Rua Visconde de Pelotas opera em meia pista, exigindo atenção dos condutores que circulam pela região.
Comerciante relata rotina de insegurança no entorno das casas incendiadas
O incêndio que destruiu as duas casas não surpreendeu quem convive diariamente com problemas de insegurança no entorno dos imóveis. Uma comerciante que mantém um estabelecimento na Rua Duque de Caxias, nos fundos das residências atingidas pelas chamas, afirma que a presença de moradores de rua no local já havia sido denunciada diversas vezes às autoridades e a responsáveis por imóveis próximos.
A empresária, que pediu para não ser identificada, relata que há cerca de um ano e meio enfrenta uma rotina marcada pela insegurança. Segundo ela, o comércio precisa permanecer com portas e portões fechados para evitar furtos e invasões.
— A gente vive aqui com medo. Já roubaram o meu banner, a placa da frente da loja e até cadeiras de uma vizinha — contou.
Ao lado do estabelecimento existe um terreno baldio que, conforme a comerciante, era utilizado por moradores de rua para acessar as casas abandonadas localizadas nos fundos.
Diante do cenário, ela afirma que decidiu deixar o endereço:
— Nós vamos sair daqui, porque o comércio tem que ficar com a porta fechada. Existe o risco de entrarem — disse.
Por meio da assessoria de comunicação, a Brigada Militar (BM) afirma que a "situação envolve questões que extrapolam a esfera da segurança pública, abrangendo também aspectos de saúde pública, assistência social e propriedade privada. Em consulta aos registros, foram localizados dois atendimentos relacionados ao endereço no último mês. Ambos referem-se a averiguações de possível invasão de imóvel abandonado por pessoas em situação de rua.
Em uma das ocorrências, foi localizado um indivíduo no interior da residência, o qual foi identificado e orientado quanto ao fato de se tratar de propriedade privada. Na outra, a situação não foi constatada pela guarnição no momento da chegada ao local".
Causas devem ser investigadas
As causas do incêndio ainda são desconhecidas, mas um curto-circuito ou até mesmo a ação de alguma pessoa que tenha acessado o imóvel estão entre as hipóteses consideradas inicialmente pelo Corpo de Bombeiros.
De acordo com o capitão Patrick Dipp da Silva, a residência onde as chamas começaram estava desabitada e possuía grande quantidade de material acumulado, o que favoreceu a propagação do fogo.
— Não temos a informação ainda se ela estava com energia elétrica ligada ou não. Então pode ter ocorrido um curto-circuito, que a gente nunca descarta. Mas também não podemos descartar, considerando que a residência está abandonada, que alguém possa ter iniciado algum tipo de fogo no interior dela, de maneira acidental ou intencional — afirmou.
O capitão ressaltou que a definição da causa dependerá da investigação que será realizada pela Polícia Civil e pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP).
O incêndio foi comunicado aos bombeiros por volta das 8h45min desta segunda-feira. Quando as equipes chegaram ao local, as chamas já consumiam uma residência nos fundos do terreno e atingiam o segundo pavimento de outra edificação. Segundo Dipp da Silva, uma guarnição atuou diretamente no combate ao fogo, enquanto outra trabalhou para proteger os imóveis vizinhos.
A operação mobilizou oito bombeiros militares, dois caminhões de combate a incêndio e a autoescada mecânica (magirus), utilizada principalmente por causa da dificuldade de acesso à residência dos fundos, localizada em um corredor estreito entre as construções.
— Conseguimos preservar totalmente as duas residências lindeiras e não há vítimas no local — destacou.
Até o fim da manhã, cerca de 35 mil litros de água haviam sido utilizados na ocorrência. Os trabalhos contaram ainda com apoio da Brigada Militar, da Guarda Municipal e de uma empresa particular, que disponibilizou um caminhão-pipa para reforçar o abastecimento.
Segundo o capitão, o rescaldo deve se estender ao longo da tarde em razão da grande quantidade de material combustível existente no imóvel.




