
Uma palavra de origem francesa, que representa um prato suíço. Do verbo "fondre", que significa derreter ou fundir, surgiu o nome de um dos pratos mais conhecidos do mundo: o fondue, prato tradicional em restaurantes da Região das Hortênsias.
A história da iguaria começa no Século 18, quando camponeses que viviam nos Alpes Suíços precisavam de comidas quentes para enfrentar os invernos rigorosos. Como era difícil o deslocamento entre regiões, eles aproveitavam alimentos que tinham em casa, como queijo, pão e vinho.
O queijo derretido era transformado em uma espécie de sopa, e o pão, que ficava seco com o tempo, era mergulhado nessa mistura. O primeiro registro está em um manuscrito datado do ano de 1699, em Zurique, na Suíça. Uma preparação de queijo cozido com vinho, que se tornou referência histórica para a receita utilizada até hoje.
O início de tudo

Panelas de cerâmica, cobre e inox guardam mais de 50 anos de história em Gramado, na Região das Hortênsias. O registro das primeiras opções de fondue servidas na cidade está até hoje em um cardápio escrito à mão, no Museu do Fondue, localizado no Edelweiss Restaurant. A tradição começou em 1975, quando o empresário Clécio Gobbi, hoje com 86 anos, fundou a primeira casa especializada no prato.
— Achei que ia fazer sucesso, que ia ser um prato de inverno, típico, mas jamais imaginava que ia tomar as dimensões que têm hoje — afirma.

Na época, a proposta era associar a culinária ao clima da cidade.
— Gramado é uma estação de inverno e não de veranistas, então, vamos colocar um prato de inverno. E aí surgiu o primeiro fondue de queijo, com (queijo) emmental e queijos suíços, que eu tinha que buscar em Buenos Aires — lembra.
Com o passar dos anos, o fondue se popularizou. Atualmente, mais de 80 restaurantes de Gramado servem o prato. Segundo o chef de cozinha Sérgio Schramm, a base segue ingredientes clássicos:
— A gente utiliza os queijos suíços, como emmental e gruyère, e faz um blend, uma mistura, para dar o ponto. O vinho branco ajuda no derretimento e também no sabor.
Além das versões salgadas, como queijo e carne, o fondue ganhou adaptações no Brasil. O de chocolate, por exemplo, é uma criação brasileira, com destaque para o produto em Gramado, considerada a Capital Nacional do Chocolate Artesanal.
Queridinho dos casais

No Dia dos Namorados, celebrado nesta sexta-feira (12), a procura pelo fondue aumenta na cidade. Os restaurantes encerram as reservas com dias e até semanas de antecedência, já que os casais buscam viver essa experiência na data.
— Sempre que a gente pensa em fondue, a gente já vai pra esse lado mais romântico, mais de aquecer. E o Dia dos Namorados, realmente, é uma das datas que a gente tem a casa cheia, dois, três turnos de reserva. É uma experiência muito boa. Tanto para o restaurante quanto para o cliente, que chega numa casa acolhedora, com luz baixa, lareira. Com isso no Dia dos Namorados, o clima fica mais romântico e mais aquecido — destaca o chef de cozinha.
O casal Tobias Neves e Ingrid Madeira veio de Fortaleza (CE). Eles estão juntos há 15 anos, e, durante esse tempo, viajaram diversas vezes a Gramado como turistas. Até que decidiram se tornar moradores da cidade. Em todo esse tempo, o fondue fez parte da história do casal, sendo sempre uma das experiências escolhidas.
— Traz um aconchego no relacionamento. É essa sensação que eu tenho. Tem aquelas comidas que são chamadas de comfort food (comida afetiva). Na minha opinião, o fondue é uma comfort food do casal. Tem um ato todo especial de ser com alguém que você gosta, alguém que você ama! É diferente — afirma Ingrid.



