
Sejam crianças ou adultos, poucos consumidores têm o costume de passar reto pela gôndola onde estão expostos biscoitos, salgadinhos e outras guloseimas nos supermercados – ou nos atacarejos, que ganham cada vez mais espaço na Serra. Nas prateleiras, a disputa pela preferência se dá entre gigantes multinacionais, como Elma Chips, Bauducco, Mondelez e Nestlé, e empresas regionais, muitas delas familiares, que crescem sem abrir mão das receitas e da identidade que ajudaram a fidelizar o público na hora de escolher qual lanche vai para o carrinho de compras.
Instalada em um amplo pavilhão em Galópolis, empregando mais de 100 funcionários, o Panifício Panine soma mais de 30 produtos no catálogo, que tem como principais produtos o pão de mel, o grostoli e o alfajor. Diante da expectativa pela Copa do Mundo, cresceram também os pedidos pelos aperitivos, como palitinhos salgados. Consolidada no Estado e firmando cada vez mais espaço na região Sul, a empresa se prepara para entrar no mercado paulista, através de uma parceria com a gigante Carrefour, que irá colocar os produtos serranos em mais de 60 lojas.
Nada mal para uma iniciativa despretensiosa de dois funcionários da Panificadora Rio Branco, diante da necessidade que a distribuidora percebia de diversificar a oferta de produtos. Surgiram, então, como primeiros rótulos, as galletas açucaradas e o grostoli. A entrada na Rede Andreazza, por volta de 2017, impulsionou de vez o negócio dos sócios Alexandre Chagas e Marcelo do Nascimento, tendo o doce típico da imigração italiana como símbolo da marca.

– O grostoli foi um divisor de águas, impulsionou muito o nosso crescimento. Depois vieram as grandes redes e demos um segundo salto, chegando ao Estado todo – afirma Chagas.
Depois dos supermercados da rede Andreazza, o passo seguinte foi a expansão para atacadistas, como a Stok Center. Para dar uma dimensão do volume comercial, apenas o grostoli alcança uma produção mensal de 117 mil pacotes. Dos alfajores, são produzidas mais de 500 mil unidades por mês.
Apesar do crescimento, a empresa afirma manter a mesma filosofia que orientou seus primeiros anos de atividade. A aposta está na qualidade das matérias-primas, no cuidado com o acabamento dos produtos e na preservação das receitas originais, sem deixar de registrar na embalagem a frase que funciona como um chamariz quase tão importante quanto o sabor: produzido na Serra Gaúcha.
– A gente não abre mão de algumas coisas, como matéria-prima de qualidade, formato do produto e jeito de embalar. O cliente precisa comer e querer voltar a consumir – destaca Chagas.
Biscoitos impulsionam crescimento da Orquídea

Conhecida historicamente pelas farinhas, que ainda respondem por cerca de 60% dos negócios da companhia, a Orquídea encontrou nos biscoitos, especialmente as variedades cracker, maria e maizena, sua principal frente de expansão: a categoria já representa 20% do faturamento.
Instalada em Forqueta, a empresa atua em um mercado que movimenta cerca de 1,5 milhão de toneladas por ano no Brasil. Para se diferenciar em um segmento dominado por grandes fabricantes nacionais, a companhia apostou em inovação na apresentação dos produtos. Um dos exemplos é o chamado “biscoito que vira oito”, embalagem que divide os tradicionais 400 gramas em oito pacotes menores.

– A pesquisa mostrou que o consumidor queria menos desperdício. O produto permanece fresco por mais tempo, mantendo a crocância e o sabor – explica o diretor, Marcelo Tondo Tissot.
Segundo Tissot, pesquisas de mercado são realizadas diversas vezes ao ano para identificar tendências.
– A gente precisa ter muita agilidade e estar antenado ao comportamento do consumidor para antecipar movimentos do mercado – destaca.
Salgadinho Perereka’s aposta no sabor da infância

O que começou há quase três décadas na garagem de uma casa no bairro Kayser, em Caxias, transformou-se em uma das marcas mais conhecidas de snacks da Serra. A Perereka’s nasceu da iniciativa dos irmãos Adair e Adamir Anderle, que aproveitaram a estrutura de uma distribuidora de ervas para produzir e comercializar pipocas. A distribuição inicial era feita nos mesmos estabelecimentos que já atendiam.
O nome curioso surgiu de uma estratégia simples, voltada para o público infantil. Na época, várias empresas utilizavam nomes de animais para chamar a atenção das crianças.
– Pensaram primeiro em sapo, mas não funcionava tão bem. Aí chegaram na perereca e acabou dando certo – conta o diretor Júlio Cesar Anderle, filho de Adair.

A entrada no segmento de salgadinhos de milho ocorreu há cerca de 15 anos. Atualmente, a fábrica produz cerca de 10 mil pacotes por dia, distribuídos principalmente na Serra e no Litoral do Estado, com os sabores de requeijão e pizza como os mais vendidos. O crescimento foi gradual, conforme a marca conquistou espaço em redes como Andreazza, Multi Condor e Desco. Segundo Anderle, a estratégia nunca foi disputar o mercado apenas pelo menor preço.
– Desde o começo a ideia foi fazer um produto bom, que a pessoa gostasse e quisesse consumir de novo. Tem empresas que competem baixando preço, mudando a gramatura, mas a gente prefere competir pela qualidade – afirma.
Com cerca de 30 colaboadores, a Perereka’s segue focada em atender a demanda regional. Uma expansão dependerá de novos investimentos em estrutura produtiva. A instalação no bairro Kayser, por exemplo, não permite que a produção ocorra durante os três turnos. Enquanto isso, a marca mantém a aposta que a acompanha desde o começo: crescer passo a passo.
Santa Justina investe em qualidade para se fortalecer

Instalada na antiga cantina onde o avô de Ademir Schio produzia vinhos, no interior de Caxias do Sul, a Santa Justina Alimentos nasceu da compra de uma pequena fábrica de batata palha que passava por dificuldades. Sob o comando de Schio, a empresa cresceu gradualmente ao longo dos anos até se tornar uma marca conhecida no mercado gaúcho de snacks, agregando também a linha chips e os amendoins saborizados.
Conhecido também pela atuação da família na rede de restaurantes Tulipa, Schio voltou a dedicar atenção integral à indústria há cerca de um ano, após os filhos optarem por se dedicar aos restaurantes. Desde então, a empresa passou por uma série de ajustes voltados à qualificação da operação e ao aumento da competitividade.
– Fizemos investimentos em qualidade, em estrutura e também para dar mais conforto aos funcionários. Uma indústria exige acompanhamento diário, não dá para tocar de longe – afirma o empresário, de 76 anos.

Hoje, a batata palha responde por cerca de 80% a 90% do faturamento da empresa. A distribuição está concentrada principalmente na Serra e na Região Metropolitana de Porto Alegre, mas também alcança municípios de outras regiões do Estado, como Pelotas e Santa Maria. A concorrência com fabricantes de outros Estados, especialmente de Minas Gerais, é um dos principais desafios enfrentados. Para manter espaço nas gôndolas, a estratégia adotada passa pela diferenciação.
– Melhorar o produto era a minha sina e nós conseguimos elevar bastante a qualidade. A concorrência é forte, então precisamos oferecer algo que faça o consumidor voltar a comprar – destaca Schio.
Além das melhorias no processo produtivo, a Santa Justina investiu em eficiência operacional. Um dos principais projetos foi a instalação de um sistema de energia solar, que reduziu em mais de 50% os custos com eletricidade. Hoje, a empresa conta com 26 funcionários e mantém presença em grandes redes varejistas, além de mercados de bairro, fruteiras e armazéns.




