
O volume de lixo que vai diretamente para o aterro sanitário aumentou em Caxias do Sul. É o que indica a Companhia de Desenvolvimento de Caxias do Sul (Codeca), responsável pela coleta. Estimativas da companhia indicam que, desde o ano passado, o município alcançou a marca de 500 toneladas de resíduos gerados diariamente. Até então, a projeção era de 400 toneladas ao dia.
Desse total, 400 toneladas são do lixo orgânicos (restos de alimento), além de papel higiênico, fraldas e absorventes, rejeitos que são enviados diretamente à Central de Tratamento de Resíduos (CTR) Rincão das Flores, onde são aterradas. As demais 100 toneladas são seletivas, com materiais que podem ser reaproveitados, como papel, plástico, vidro e metal.
Nesse cenário, o grande desafio da cidade é aumentar o percentual do resíduo seletivo que deveria retornar para a cadeia de produção ao invés de acabar no aterro. Das 100 toneladas diárias, o aproveitamento varia de 50% a 80%, dependendo do local onde acontece na coleta.
A Codeca, juntamente com as 12 associações de reciclagem, que recebem o lixo seletivo, avaliam que o maior percentual de aproveitamento está relacionado com as coletas em bairros de Caxias do Sul, onde os resíduos apresentam melhor separação. Em compensação, entre as coletas feitas na área central, apenas 50% são aproveitados.
O lixo de Caxias do Sul em números:
- 500 toneladas ao dia: o volume coletado todos os dias pela Codeca, desde o ano passado. Desse total, 400 toneladas são de lixo orgânico e descartes de papel higiênico, fraldas e absorventes, que são encaminhados diretamente para o aterro sanitário.
- 36 caminhões e 400 pessoas envolvidas na coleta: é o contingente da Codeca nas operações diárias.
- 70 trabalhadores na triagem: é o total de pessoas envolvidas no processo de separação do lixo seletivo na maior associação de recicladores de Caxias do Sul.
- Mais de 16 horas de trabalho: é o tempo que o grupo de triagem atua, de segunda a sexta-feira, na separação do lixo.
- Apenas 55% das 60 toneladas recebidas: é o que o equipe consegue aproveitar do lixo seletivo gerado em Caxias do Sul.
- 12 hectares, com ocupação praticamente lotada: é a área da Central de Tratamento de Resíduos (CTR) Rincão das Flores, de Caxias do Sul. O espaço está em operação desde 2010.
- 24 servidores da prefeitura atuam diretamente nas operações do aterro.
- 300 metros cúbicos: é o total de chorume gerado pelo lixo no aterro e tratado pelos servidores, equivalente a 10 piscinas residenciais cheias, diariamente.
O outro lado do descarte
Em média, 60 toneladas do lixo seletivo coletado em Caxias do Sul tem a Cooperativa Paz e Bem como destino. Resíduos de Antônio Prado e São Marcos também chegam à central de triagem no bairro Santa Fé. No entanto, a discrepância entre os materiais é nítida.
— Do que vem das cidades menores, 80% é aproveitado. Já em Caxias do Sul, chega no máximo a 55% por conta da má qualidade —detalha Tiago Pavelski, presidente da cooperativa.
Para ele, três fatores influenciam diretamente a situação: os containers, a separação incorreta feita nas casas, a ação dos catadores informais.
Pavelski aponta que o modelo amarelo de container, com a tampa grande, que precisa ser levantada, fica aberto a maior parte do tempo. Com isso, os resíduos são expostos à chuva e umidade, que danificam materiais como o papelão.
— Tem gente que nem sabe que o lixo vai para uma cooperativa de reciclagem. Aí separam errado em casa ou entendem que não é problema delas. Quando separam corretamente, tem os catadores, que na busca pelo PET, pelos materiais de alumínio, acabam misturando o orgânico com o seletivo — avalia.
Mais de 50 anos de inutilização
O impacto dessa baixa qualidade na separação aparece no destino final dos resíduos. A 35 quilômetros de distância da cooperativa, no CTR Rincão das Flores, em Vila Seca, o aterro sanitário se aproxima da ocupação total. Conforme a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), os 12 hectares que compõem o aterro sanitário da cidade está praticamente cheio.
A prefeitura já iniciou obras para ampliar a capacidade em mais dois hectares, que deverão ampliar a vida útil do local em seis anos. Contudo, a concentração de resíduos no espaço traz consequências que demandam manejo constante.
Diariamente, o aterro gera 300 metros cúbicos de chorume. É como se 10 piscinas residenciais fossem enchidas com esse líquido (considerando capacidade média de 30m³). Além disso, o espaço gera gases que precisam ser captados e queimados para evitar a poluição.
— Mas o grande problema são os impactos a longo prazo. O aterro ocupa uma área que poderia servir de moradia, para agricultura, mas que acaba inutilizado por pelo menos 50 anos após seu encerramento e demanda outros 25 de monitoramento — pontua Lademir Beal, pesquisador e professor da Universidade de Caxias do Sul (UCS).
Para ele, as problemáticas que envolvem a geração e destinação de lixo na cidade precisam ser repensadas, tanto pela visão da economia circular, ou seja, em como reaproveitar mais e melhor os resíduos, quanto pelo viés educacional, de criar entre os moradores a cultura de destinação consciente.
Campanha busca alertar população
Além do Semana do Meio Ambiente, que se encerrou nesta segunda-feira (15), a secretaria também está lançando a campanha Atitude de Respeito, que prevê o lançamento de um concurso entre as escolas da cidade. A proposta é que os alunos produzam esculturas com materiais recicláveis. Os trabalhos serão reunidos em uma exposição itinerante, com previsão de passagem por shoppings.


