
O Movimento de Emaús, voltado à formação de jovens por meio de valores humanos e cristãos, completa 50 anos de atuação em Caxias do Sul. Criado na década de 1960, em São Paulo, e implantado na cidade em maio de 1976, o movimento já reuniu cerca de 12 mil participantes ao longo de sua história na Diocese.
O Emaús surgiu a partir da iniciativa de lideranças religiosas e leigas que buscaram, em Porto Alegre, uma proposta de evangelização voltada à juventude. A experiência foi trazida para Caxias com autorização da Diocese e realizada pela primeira vez entre 6 e 9 de maio de 1976, na Casa de Retiros Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha.
Desde então, o movimento se consolidou como uma proposta de vivência comunitária e espiritual para jovens de 18 a 29 anos, com o objetivo de formar lideranças que atuem nas comunidades.
Atualmente, são realizados quatro cursos por ano — dois por semestre — com cerca de 50 participantes em cada edição. De acordo com o presidente do Emaús em Caxias do Sul, Ademar Bassanesi, 48 anos, o alcance do movimento vai além do período do curso.
— Ao longo desses 50 anos, estimamos que cerca de 12 mil pessoas tenham participado dos cursos. São jovens que, depois, acabam se inserindo em pastorais, atuando como catequistas, ministros ou em outras atividades da igreja — afirma.
Segundo Bassanesi, o movimento mantém hoje 15 grupos em Caxias e está presente em 13 núcleos da Diocese, somando cerca de 58 grupos de vivência — encontros periódicos que dão continuidade à experiência após o curso:
— O jovem faz o curso e depois segue em um grupo, que pode se reunir semanal ou quinzenalmente. É uma forma de manter a vivência comunitária. Temos inclusive o grupo mais antigo do Brasil, em Caxias, com mais de 45 anos.
Experiência e transformação
O curso do Emaús é realizado de quinta-feira à noite até domingo à tarde, em formato fechado, no Seminário Diocesano Nossa Senhora Aparecida. A proposta segue uma metodologia padronizada em todo o país e tem como característica o sigilo sobre as atividades, preservando a experiência para novos participantes.
Para Bassanesi, que fez o curso em 1999, a vivência representa uma mudança de perspectiva.
— É uma descoberta de um amor maior, de Cristo. A gente passa a enxergar sentido na vida depois dessa experiência — relata.

A esposa dele e também presidente do movimento, Daniele Galina Bassanesi, 45, conta que teve o primeiro contato com o Emaús ainda jovem, na Diocese de Santo Ângelo, e seguiu no movimento após se mudar para Caxias.
— Foi uma virada de chave. O Emaús dá um sentido diferente para a vida. Nos momentos difíceis, a gente passa a olhar de outra forma, porque tem a fé e a comunidade junto. Para mim, é algo essencial na construção da minha vida e da minha família — afirma.
O vice-presidente do movimento, César Viana, 62, participou do curso em 1986 e destaca o aprofundamento da fé como principal impacto.
— O Emaús fez com que a fé deixasse de ser superficial e passasse a fazer parte da minha vida de forma mais concreta — diz.
A mulher de Viana e vice-presidente do movimento Rafaela Calcagnotto Viana, 56, relata uma ligação ainda mais antiga com o movimento, já que seus pais foram presidentes do Emaús na década de 1980.
— Eu cresci vendo grupos na minha casa e sempre quis fazer parte. O Emaús se torna uma família, um espaço de crescimento na fé que não se vive sozinho — afirma.
Juventude e continuidade
Entre os jovens, a experiência também é marcada pelo convívio e pelas relações construídas, conforme descreve a contadora Isabelle Isotton, 23.
— Além da vivência de fé, o Emaús me trouxe amizades verdadeiras. É um espaço onde a gente encontra pessoas com o mesmo propósito, de viver e compartilhar a fé em comunidade — diz.
A estudante de Publicidade e Propaganda Ana Souto, 22, também destaca o aspecto comunitário.
— O Emaús representa uma família. A gente compartilha dificuldades e conquistas. O objetivo é que outros jovens também possam conhecer essa experiência — afirma Ana, que atua como cantora nos encontros e cursos do movimento.
Já o advogado Gustavo Dani, 27, ressalta o impacto pessoal da experiência:
— Foi dentro do Emaús que eu tive meu encontro com Cristo. Não é só um momento, é um caminho que transforma a vida.

Atuação na Diocese
O diretor espiritual do movimento, padre Volnei Vanassi, 48, avalia que o Emaús segue como uma das principais iniciativas de evangelização voltadas aos jovens na região.
— É uma oportunidade de chegar ao coração dos jovens, nos questionamentos e dúvidas, levando a mensagem do Evangelho. O movimento continua forte, presente em várias cidades da Serra, como uma presença viva da Igreja junto à juventude — afirma.
A celebração do cinquentenário inclui uma sessão solene na Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, marcada para quarta-feira (6), às 19h, reconhecendo a trajetória do Movimento de Emaús na formação de jovens e na atuação comunitária. Haverá ainda, no sábado (9), uma missa na Catedral Diocesana, às 17h30min, seguido de um jantar no restaurante Tulipa, às 19h30min.




