
Agradecer e pedir mais bençãos. Esse foi o relato da maioria dos romeiros que passaram pela Linha Palmeiro, entre Caxias do Sul e Farroupilha, em direção ao Santuário de Caravaggio na manhã desta terça-feira (26). Apesar da forte chuva no início da manhã, muitos peregrinos não deixaram de realizar a caminhada.
De Caxias do Sul até o santuário são aproximadamente 15 quilômetros, e a Linha Palmeiro é o ponto de descanso durante a jornada, com bancas que comercializam o tradicional "salchipão", pastéis fritos na hora, cachorroquente, além de claro, café, água e refrigerantes.

Nesse local está o comércio de Jair Brum dos Santos, 52 anos, que herdou a tradição de sua família. Ele aproveita para vender aos romeiros diversos lanches, além de uma bebida mais quente, como a graspa.
— Desde pequeno estava com a minha família vendendo produtos para quem passava por esse trajeto, mas era em outra localização. Aqui já faz cinco anos que estou trabalhando e é sempre muito bom — contou Jair.
Quem aproveitou para recarregar as energias nesse ponto foi a moradora de Flores da Cunha Miriam Lapasin, 30 anos. Ela decidiu fazer o trajeto pela primeira vez em 2026, a partir do Marco Zero entre a RS-122 e a Estrada dos Romeiros, em Caxias. A data escolhida também não foi por acaso: nesse mesmo dia 26, em 2025, Miriam fez uma promessa à Nossa Senhora de Caravaggio para que ela ajudasse a salvar a vida de sua "segunda" mãe.
— Há um ano eu fiz uma promessa (que viria caminhando até o santuário) porque uma pessoa muito especial acabou tendo um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Ela é como uma mãe para mim e quando ocorreu esse problema, a única coisa que restava para nós era a esperança. Então fiz essa promessa comigo mesma que se ela melhorasse, eu iria até a Santa para agradecer — contou emocionada.

Porém, ela não fez essa jornada sozinha. Ao seu lado estava a amiga, a psicóloga Silvia Rosset, de 50 anos, que também cumpria uma promessa à Santa ao pedir saúde para a mãe. Para Silvia, no entanto, a caminhada ganhou um significado ainda mais especial ao trazer à memória a lembrança do pai, já falecido.
— A última vez que vim era adolescente e agora estava com um pouco de receio: "Será que eu dou conta?", mas está muito bom. A paisagem, essa energia de fé, de oração é muito gratificante. Minha família sempre foi muito devota à Nossa Senhora de Caravaggio e voltar aqui é sempre muito emocionante, principalmente agora, oito anos após a morte do meu pai. Ele sempre teve muito carinho por aqui — destacou.

Outras amigas que também estavam realizando a caminhada até o Santuário eram Eduarda Machado, 23, e Priscila Fandanneli, 41. Elas trabalham juntas e há dois anos são companheiras de romaria.
— Com a chuva tá sendo bem difícil, mas todo ano a gente vem. É uma tradição que herdei da minha mãe. Agora ela foi morar em outra cidade, mas eu decidi continuar. Sempre venho para agradecer e pedir bençãos, principalmente para alcançar as metas que tracei neste ano — comentou Eduarda.
De longe pela fé

Natural de Caxias do Sul, Jean Fernandes, 30, mora há um ano em Porto Seguro, na Bahia. Mesmo assim, não esqueceu da graça alcançada e da promessa que precisa pagar. Em 2018, após uma viagem a Maceió, em Alagoas, contraiu uma intoxicação alimentar grave, os rins pararam de funcionar e ficou um mês internado em Caxias. Durante a recuperação, foi feita a promessa de ir 10 anos seguidos ao Santuário de Caravaggio. Os primeiros anos foram caminhando, e agora faz o trajeto correndo.
Fernandes saiu de Caxias e percorreu aproximadamente 18 quilômetros em 1h25min. No caminho, fez fotos e agradeceu pela saúde. A peregrinação começou há oito anos.
— Eu cheguei, rezei, agradeci por mais um ano, por saúde, porque o que mais quero na vida é saúde. Depois que ficamos em uma cama no hospital, não conseguindo tomar banho direito, eu não quero mais ficar enfermo — relata Fernandes.

Há seis anos o casal Osmar Palamin, 64, e Regina, 63, começou a vir a Caravaggio. Moradores de Santa Ernestina, no interior de São Paulo, eles ficam hospedados em um hotel ao lado do santuário, em Farroupilha. Dessa vez, chegaram no último domingo (24) e ficam até a quarta-feira (27). Inclusive, Regina faz aniversário no dia 26 de maio.
— (Viemos) por uma graça do pai dela, foi no dia 26, disse que ia fazer uma igreja em sua propriedade e fez. Dali para frente começamos a vir pra Caravaggio, procuramos saber onde ficava, porque sabíamos que o Felipão (Luiz Felipe Scolari, ex-técnico da Seleção Brasileira) é devoto. Acabamos vindo, é sexto ano seguido, e se Deus quiser vamos continuar vindo, porque recebemos umas graças e estamos pagando as promessas — conta Osmar, que complementa:
— Pegamos 250 quilômetros até Campinas e depois para vir para até Porto Alegre, e depois aqui. Mas nada disso é cansativo, é uma benção, uma graça, fazemos de coração, só agradecer.




