
As comunidades dos bairros Ana Rech e Galópolis, em Caxias do Sul, foram surpreendidas no último mês com o anúncio do fechamento das agências dos Correios nas localidades a partir do dia 31 de maio. Segundo o comunicado da empresa, o encerramento das atividades faz parte da otimização da rede de atendimento da estatal em todo o país.
A agência do bairro Ana Rech está localizada na Avenida Rio Branco e, conforme o presidente do Associação Amigos de Ana Rech (Samar), Paulo Ballardin, a decisão do encerramento deve ter um impacto que ultrapassará os moradores do bairro.
— Para nós, essa notícia chegou há poucos dias e a agência de Ana Rech está no meio do Serrano, Jardim Eldorado e São Ciro. Hoje, as postagens, por exemplo, atendem (os distritos de) Santa Lúcia do Piaí, Vila Seca, Vila Oliva, Fazenda Souza... Até gente de Lajeado Grande, quando vêm para o centro de Caxias, cruzam por Ana Rech para deixar as encomendas nos Correios daqui. Então, se tu pegares toda essa região, essas pessoas vão ficar desprotegidas — explicou Ballardin.
Conforme ele, a comunidade já está se mobilizando para tentar impedir o encerramento das atividades das unidades.
— Criamos um grupo com Galópolis, Forqueta e Ana Rech e conversamos com o pessoal dos Correios para ver quantos CNPJs, quantas empresas usam as agências, e todos os detalhes para fazermos uma correspondência para a diretoria dos Correios mostrando a importância dessas unidades — pontuou.

Em Galópolis, a surpresa foi a mesma. Segundo a presidente do bairro, Darla Pereira, o fechamento da unidade na Rua Hércules Galló deve afetar, principalmente, os idosos e a população de baixa renda.
— Galópolis possui características geográficas e demográficas específicas: relevo acentuado, vias estreitas, deslocamentos internos longos e transporte público limitado. Com isso, a agência dos Correios torna-se ponto de apoio central para idosos, pessoas com mobilidade reduzida, famílias de baixa renda e moradores de bairros periféricos, que enfrentariam dificuldade para acessar serviços semelhantes em outras regiões de Caxias. A retirada deste serviço provoca uma ruptura que afeta a sensação de pertencimento, reduz o suporte comunitário e gera desassistência institucional — destacou.
Além disso, Darla comentou como as empresas locais devem ser impactadas, com o aumento do custo de envio de mercadorias, documentos fiscais, insumos, pagamentos e logística cotidiana.
— A retirada do serviço geraria aumento de custos, perda de competitividade e atrasos operacionais em empresas que já operam com margens reduzidas. Além disso, o acesso a serviços públicos de qualidade é um elemento que sustenta o desenvolvimento social e a eficiência das políticas públicas, pautado pelos princípios de equidade e continuidade do serviço público — disse.
Referente à agência do bairro Forqueta, a assessoria dos Correios informou que já havia encerrado os trabalhos da unidade ainda em 2025 e as atividades foram transferidas para o bairro Cidade Nova.
Oito funcionários afetados
Com o fechamento das duas agências, oito funcionários devem ser transferidos para outras unidades, de acordo com o diretor do Sindicato dos Trabalhadores de Correios e Telégrafos da Serra Gaúcha, Ricardo Paim. Atualmente, dois trabalham em Galópolis e seis em Ana Rech.
Ricardo ainda frisou a apreensão dos trabalhadores com a possibilidade de perder os empregos em outras unidades pois, segundo Paim, centros de distribuição domiciliar (CDD) estão sendo unificados.
— Também há outra notícia, do fechamento de um CDD em Caxias, que será o CDD São José, e que vai ser ocupado também pelo CDD Caxias, que hoje fica no bairro São Pelegrino. Já tinha sido fechado o CDD Imigrante, que foi anexado ao de Nossa Senhora de Lourdes. É uma dificuldade grande para os trabalhadores e pode ampliar o que já vem acontecendo há muito tempo, que é o atraso na entrega das correspondências por falta de efetivo — pontuou.
Paim completou dizendo que as decisões da empresa também não estão trazendo soluções para os trabalhadores.
— É lamentável porque ela não apresenta, dentro do plano de reestruturação, nada que traga novos contratos, receitas para a empresa. Ela só está fazendo isso através de fechamento de postos de trabalho e fechamento de unidades para economizar nos aluguéis. Com isso, os mais prejudicados são a população e os trabalhadores — salientou Ricardo.
O que diz os Correios
Por nota, a empresa destacou que o encerramento dos postos de Ana Rech e Galópolis faz parte do "Plano de Reestruturação dos Correios, que prevê a otimização da rede de atendimento da estatal em todo o país".
Junto disso, frisou que os funcionários serão realocados para outras unidades e que a população não ficará desassistida. Confira abaixo:
"As atividades das agências dos Correios Galópolis e Ana Rech passarão a ser absorvidas, a partir de junho, por outras seis unidades que atendem o município. A medida integra o Plano de Reestruturação dos Correios, que prevê a otimização da rede de atendimento da estatal em todo o país.
O objetivo é assegurar a continuidade dos serviços postais, com eficiência e qualidade, garantindo integração, comunicação e logística de forma financeiramente sustentável.
Os empregados das agências serão realocados em outras unidades.
A agência de Forqueta foi realocada no ano passado para o bairro Cidade Nova e segue funcionando normalmente, com atendimento ao público.
A população de Caxias do Sul continuará contando com o atendimento nas agências que funcionam nos seguintes endereços:
- Rua Sinimbu, n° 1951
- Rua Wilson Drago Fantinel, n° 506
- Rua Sinimbu, n° 306
- Rua Moreira César, n° 1519
- Rua General Sampaio, n° 247
- Av. Rio Branco, n° 194."
Crise cresceu em 2025
Os Correios vivem uma grave crise financeira após prejuízo de R$ 6 bilhões nos três primeiros trimestres de 2025. A informação foi divulgada em dezembro de 2025 e, na época, a estatal já somava 13 trimestres consecutivos no vermelho, depois de um período de lucros entre 2017 e 2021, impulsionado pelo crescimento do comércio eletrônico durante a pandemia.
Entre os fatores apontados para a piora das contas foram a queda das receitas com encomendas internacionais após a criação da “taxa das blusinhas”, o avanço da concorrência privada e o aumento das despesas judiciais. Também pesaram os empréstimos contratados pela empresa e os aportes destinados ao fundo de previdência Postalis.
Para tentar recuperar o equilíbrio financeiro, a nova direção dos Correios lançou um plano de reestruturação com medidas de corte de gastos e reorganização da empresa. Entre as ações previstas estão um novo Programa de Demissão Voluntária, fechamento de até mil agências deficitárias e venda de imóveis ociosos. A estatal também busca captar recursos para reforçar o caixa e manter as operações nos próximos anos.



