
Para os bebês que nascem muito antes do esperado ou com baixo peso, o leite materno representa uma chance de vida. E o gesto de mulheres tem ajudado muitos bebês que estão na UTI Neonatal do Hospital Geral (HG), por meio do Banco de Leite.
Na UTI, o leite é alimento e remédio para os bebês prematuros. É o caso da Aurora, que precisa ganhar peso com urgência. No dia 9 de maio, ela veio ao mundo após uma gestação de 32 semanas. Sem produção materna suficiente no momento do parto, o leite doado por outras mães tem sido fundamental pra ela.
— O leite humano, em relação ao leite artificial, tem muitos benefícios. O principal são os anticorpos, que o leite artificial não consegue fornecer, que diminuem bastante a infecção dos recém-nascidos. A infecção neonatal, especialmente a sepse, é a principal causa de óbito neonatal dos recém-nascidos — explica Catherine Gotardo, neonatologista do HG.

O Rio Grande do Sul tem 11 bancos de leite humano. Cada um atende a somente os pacientes do hospital que fazem parte. E a prioridade é fornecer para quem pesa menos de 1,5kg. Atualmente, 17 bebês estão nessa condição no hospital de Caxias.
— A ampliação do atendimento depende de doações. Dentro do hospital, a mamãe voluntária pode usar esse espaço (na foto abaixo), mas se preferir pode fazer a coleta em casa. O serviço é gratuito — diz Catherine.

Pietra Castilhos Chaves é doadora de leite materno e faz parte dessa rede de solidariedade — ela utiliza o serviço de doação a domicílio, que começou a funcionar recentemente no HG (confira mais abaixo). O filho dela, o Léo, tem quatro meses e, há dois, ele passou a dividir a produção da mamãe com outros bebês:
— O pessoal vem toda quarta-feira até minha casa, uma vez por semana, e eu entrego o meu frasco com o leite. Eles me dão o frasco lacradinho para fazer a coleta. Como eu tenho uma produção bem alta, não tinha por que não ajudar, né? Então o Léo compartilha com os amigos desde cedo o leite da mamãe.
E a Pietra respeita todas as orientações de segurança pra garantir que o leite seja aproveitado e não tenha desperdício. Bruna de Carli, coordenadora de nutrição do HG, explica o processo:
— Quando o leite chega aqui no Banco, ele passa por um longo processo. A primeira análise acontece na chegada, pra ver se o vidro não está quebrado, se veio com etiqueta. Passada essa etapa, aí ele vai para um freezer. Depois, a equipe de nutrição seleciona o leite, pasteuriza e manda uma amostra pra um laboratório externo e, se estiver tudo certo, o leite é liberado pra servir de alimento aos bebês da UTI. Por isso que a coleta é algo importante e precisa seguir os passos rigorosamente. Qualquer item, um fio de cabelo, um cílio, um pelinho de roupa, alguma coisa que estiver dentro do leite, acaba impedindo o processo e ele é descartado.
Para informações sobre a coleta domiciliar ou para agendar atendimento, o telefone é o (54) 98138-0635. Com a equipe, a doadora alinha a retirada do kit em casa, que contém um frasco higienizado, luva, máscara, touca e etiqueta de identificação.
O Banco de Leite Humano do HG recebe doações de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h. As doadoras devem se dirigir à recepção do HG. Após a coleta, o leite será submetido a exames para garantir a segurança e qualidade para os bebês que necessitarem do aleitamento. O alimento será armazenado por até 15 dias.



