
O vírus sincicial respiratório (VSR), agente que é a principal causa de bronquiolite em crianças pequenas e pode agravar quadros respiratórios em pessoas acima de 60 anos, vem aumentando o número de infectados no Rio Grande do Sul. As hospitalizações por conta dele cresceram nos últimos três anos: em 2025, o Estado registrou 3.621 internações e 68 mortes pela doença – um aumento de 32% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 2.752 hospitalizações e 56 óbitos, e de 63% em relação a 2023, com 2.222 hospitalizações e 43 mortes.
Entre os 10 municípios mais populosos da Serra — Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Farroupilha, Vacaria, Canela, Gramado, Garibaldi, Flores da Cunha, Carlos Barbosa e Nova Prata —, Bento Gonçalves e Caxias do Sul registraram, neste ano, até esta sexta-feira (17), internações pelo VSR. De acordo com o painel epidemiológico da Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul, são oito hospitalizações registradas em Caxias e uma em Bento Gonçalves, a de uma criança de um ano que foi internada no dia 2 de abril e teve alta três dias depois.
Não há mortes registradas em 2026 na Serra. Já no ano passado, oito morreram por conta da doença na região: dois em Caxias do Sul, dois em Bento Gonçalves, dois em Nova Petrópolis, um em Garibaldi e um em Farroupilha.
Com a temporada de inverno de 2026 se aproximando, especialistas alertam para os grupos mais vulneráveis: bebês no primeiro ano de vida e adultos com mais de 60 anos.
Como identificar e quando procurar ajuda
Na prática clínica, diferenciar o VSR da gripe ou da covid-19 só é possível por meio de exame laboratorial. Atualmente, há testes rápidos que detectam, em uma única amostra, influenza, SARS-CoV-2 (covid-19) e o vírus sincicial respiratório (VSR).
Os sintomas iniciais do VSR se assemelham aos de um resfriado, como coriza, tosse leve e febre. Os sinais de alerta incluem piora do padrão respiratório, aumento do esforço para respirar e queda na oxigenação. Em bebês, a dificuldade para mamar é outro indicativo importante. Qualquer um desses sinais exige avaliação médica imediata.
O período de incubação varia de dois a oito dias, com média de quatro a seis dias. A transmissão ocorre por contato direto ou por gotículas e pode começar até dois dias antes do início dos sintomas.
O vírus também pode permanecer ativo em superfícies, o que facilita a disseminação, especialmente em ambientes fechados, tornando o inverno o período de maior risco.
Prevenção e medidas de barreira
Para bebês, há duas estratégias principais. A primeira é a vacinação da gestante, que permite a transferência de anticorpos pela placenta e protege o recém-nascido nos primeiros meses de vida.
A vacina utilizada nessa estratégia é a Abrysvo, da Pfizer, indicada a partir da 28ª semana de gestação. Estudos clínicos apontam redução de 81,8% nos casos de doença grave do trato respiratório inferior nos primeiros três meses após o nascimento e de 69,4% até os seis meses.
A segunda estratégia é o uso do nirsevimabe, um anticorpo monoclonal contra o VSR comercializado como Beyfortus. Na prática, trata-se de uma espécie de proteção pronta, aplicada no bebê para ajudar o organismo a se defender do vírus – diferentemente das vacinas, que estimulam o corpo a produzir seus próprios anticorpos.
Em comparação com o palivizumabe, utilizado anteriormente, o novo medicamento representa um avanço significativo. Antes, eram necessárias aplicações mensais durante toda a temporada do vírus. Com o nirsevimabe, a proteção é feita em dose única e dura de três a seis meses.
Desde fevereiro de 2026, o Beyfortus está disponível no SUS para dois grupos. O primeiro inclui prematuros nascidos com menos de 37 semanas de gestação, desde que tenham nascido após agosto de 2025 e tenham menos de seis meses de vida.
O segundo abrange crianças de até dois anos com condições de alto risco, como cardiopatias congênitas, doença pulmonar crônica da prematuridade, fibrose cística, doenças neuromusculares, imunossupressão grave ou síndrome de Down.
A aplicação em recém-nascidos prematuros ocorre nas maternidades públicas. Já crianças com comorbidades são atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie). Para bebês nascidos a termo e sem fatores de risco, o produto segue disponível apenas na rede privada.
Vacinação para adultos
Para adultos, as vacinas contra o VSR, Abrysvo (Pfizer) e Arexvy (GSK), estão disponíveis apenas na rede privada.
A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda a vacinação para todos com 70 anos ou mais, independentemente da presença de doenças crônicas, e para pessoas entre 18 e 69 anos com comorbidades. A Anvisa aprovou recentemente a ampliação do uso da Arexvy para adultos a partir de 18 anos.
O esquema é de dose única, aplicada em qualquer época do ano, com proteção estimada por ao menos duas temporadas. No SUS, a vacina para adultos ainda não foi incorporada.
Como reduzir a transmissão
Medidas de barreira ajudam a diminuir o risco de infecção:
- Lavar as mãos com frequência
- Tossir ou espirrar no cotovelo
- Usar lenços descartáveis
- Evitar ambientes fechados e com aglomeração, especialmente sem máscara
- Evitar contato próximo com pessoas com sintomas respiratórios.


