O cão comunitário Spike, resgatado após sofrer agressões no bairro Rio Branco, em Caxias do Sul, ganhou um novo lar. O animal foi adotado por uma moradora de Fazenda Souza que, além dele, decidiu acolher também outro cachorro resgatado recentemente pelo Departamento de Proteção Animal (DPA).
O caso de Spike ganhou repercussão na última semana, após denúncias de maus-tratos. Conforme a coordenadora de resgates e maus-tratos do DPA, Valeska Aidée, o animal foi agredido com um pedaço de madeira com pregos e também apedrejado, o que causou escoriações, furos pelo corpo e uma luxação.
Após o resgate, ele foi encaminhado para atendimento veterinário. A mobilização gerada pelo caso fez com que diversas pessoas demonstrassem interesse em adotá-lo. Segundo a coordenadora, mais de 10 pessoas chegaram a procurar o DPA ou o hospital veterinário da UCS interessadas em adotar o animal, além de pedidos feitos pelas redes sociais.
Adoção dupla
O desfecho da história ganhou um novo capítulo quando a adotante, a psicóloga e administradora de empresas Katia Boff, 40 anos, decidiu levar para casa não apenas Spike, mas também outro cão resgatado em situação crítica: o Rambo.
— A parte incrível dessa história é que eu contei para ela a história do Rambo, um outro cachorro que a gente resgatou quase morto, e ela acabou ficando com os dois. Então, o Spike, além de tudo que ele sofreu, ele virou o anjo do Rambo — relata Valeska.
Rambo havia sido resgatado cerca de 30 dias antes de Spike, após ser encontrado gravemente ferido em um condomínio de chácaras. A suspeita é de que ele tenha sido agredido com uma paulada na cabeça.
— A gente resgatou ele magro, puro osso, com a cabeça toda aberta. No outro dia, ele precisou de transfusão de sangue — conta a coordenadora.
Histórico de cuidado com animais
Katia, agora tutora dos bichinhos, conta que conheceu o caso de Spike pelas redes sociais, enquanto estava de férias:
— Me chamou a atenção porque a primeira coisa que me veio na cabeça foi a situação do cão Orelha, lá de Santa Catarina. Eu disse: "não, pelo amor de Deus, agora em Caxias acontecendo isso também".
Ela já atua há anos ajudando a causa animal, principalmente com apoio financeiro para castrações, vacinas e cuidados.
— Eu não me identifico como protetora, mas eu sou uma pessoa que ajuda. Eu tenho uma coisa de resgatar o animal que realmente precisa, aquele que parece que a sociedade não olha pra ele — diz.
Ela explica que a decisão de adotar Spike foi motivada pelo receio de que o animal voltasse a viver nas ruas e fosse novamente vítima de violência:
— Ele não podia, em hipótese alguma, retornar pra onde ele estava. Quem ia garantir que ele estaria em boas condições? Quem garante que essas pessoas não fariam isso de novo?
Atualmente, Spike e Rambo vivem em uma chácara com cerca de dois hectares em Fazenda Souza. Segundo Katia, os cães têm amplo espaço e estrutura para se recuperar.
— Eles ganharam praticamente uma quadra inteira de beach tennis pra eles, duas casas bem grandes e confortáveis — conta.
Apesar do novo ambiente, Spike ainda apresenta sinais do trauma sofrido.
— Ele está muito ressabiado, ainda treme, rosna. Está passando por um momento de adaptação. Ele não está preparado ainda pra socializar com outros cachorros — explica.
Já Rambo, conforme a tutora, apresenta uma recuperação mais avançada, apesar de ter chegado em estado mais grave.
Investigação
Paralelamente à recuperação dos animais, o caso da agressão contra Spike segue sendo investigado pela Polícia Civil. De acordo com Valeska, informações sobre um possível suspeito foram repassadas às autoridades. O caso segue em apuração.


