Municípios da Serra voltaram a ter as respectivas áreas analisadas por profissionais contratados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) neste mês. No entanto, o foco das pesquisas é outro: o potencial mineral de cada um.
Entre os contemplados estão Bento Gonçalves, Boa Vista do Sul, Carlos Barbosa, Caxias do Sul, Coronel Pilar, Cotiporã, Farroupilha, Flores da Cunha, Garibaldi, Monte Belo do Sul, Nova Pádua, Nova Petrópolis, Nova Roma do Sul, Picada Café, Pinto Bandeira, Santa Tereza, São Marcos, São Valentim do Sul e Veranópolis.
O levantamento técnico busca localizar argila, areia, brita e saibro em córregos e leitos de drenagem da região. Os materiais são estratégicos para obras de reconstrução, já que são matéria-prima para tijolos, telhas, base de estradas e fundações.
As avaliações começaram em 6 de abril e irão durar 40 dias. Quem conduz o trabalho são os profissionais da Brasil Explorer, empresa contratada pelo SGB. A pesquisa é custeada pelo governo federal, através do Ministério de Minas e Energia.
Esse levantamento geoquímico de superfície é considerado um complemento das avaliações anteriores, também feitas pelo SGB.
— A proposta é entender detalhadamente a geologia do local. Essas informações ajudam os geólogos a trabalhar nas áreas de risco, além de trazer informações para o uso desses materiais mapeados — explica o pesquisador José Luciano Stropper, gerente de Geologia e Recursos Minerais da Superintendência Regional de Porto Alegre.
Conforme Stropper, a metodologia aplicada neste estudo pode ser comparada a um exame de raio X. A análise feita nos córregos e leitos verifica sedimentos que indiquem a presença de minerais. A partir disso, os pesquisadores fazem a correlação com as rochas que são coletadas em campo.
— A gente consegue fazer uma indicação preliminar de potencial de materiais. Depois, os interessados, sejam eles empresas ou administrações públicas, precisam passar pelos processos de licenciamento. Algo considerado importante, tendo em vista que as cidades que passam pelo estudo ainda estão em reconstrução — pontua.
O estudo, inédito na Serra gaúcha, ainda passará pelas fases de análise de informações e elaboração de relatórios. Os resultados serão divulgados em 2029, quando serão disponibilizados ao público.




