
Gramado começou a estruturar um modelo de expansão urbana com a criação de uma centralidade, fora do centro tradicional da cidade. O projeto prevê o desenvolvimento de uma área de cerca de 900 hectares no bairro Mato Queimado. Uma audiência pública para discutir esse projeto ocorre nesta quarta-feira (15), às 18h, na Câmara Municipal de Vereadores.
A proposta surge a partir de uma característica considerada central para o planejamento urbano: embora tenha cerca de 40 mil habitantes, o município recebe anualmente em torno de oito milhões de turistas. No dia a dia, o fluxo de visitantes e trabalhadores da região faz com que Gramado funcione como uma cidade com aproximadamente 100 mil pessoas.
Segundo o secretário de Planejamento, Urbanismo e Parcerias Estratégicas, Rafael Bazzan Barros, esse cenário gera impactos diretos sobre a infraestrutura, especialmente no centro tradicional, que concentra comércio, serviços e atividades turísticas.
— A ideia é manter o centro tradicional funcionando, ele não vai mudar de lugar, mas com menos pressão. Essa nova centralidade não retira serviços do centro, ela amplia as possibilidades de ocupação da cidade — afirma.
O que é centralidade urbana?
No urbanismo, o termo centralidade se refere a uma área planejada para concentrar diferentes usos em um mesmo espaço. Isso inclui moradia, comércio e serviços, com densidade de população suficiente para sustentar essa sobreposição.
A proposta também prevê diversidade socioeconômica, reunindo moradores de diferentes faixas de renda no mesmo território. Em Gramado, a nova centralidade busca ampliar essa lógica para além do centro tradicional, permitindo uma ocupação mais distribuída da cidade.
Em elaboração desde 2023
Desde 2023, o município passou a desenvolver um projeto urbano mais detalhado, com definição de usos, restrições e possibilidades de ocupação. Essa nova centralidade se refere a uma área totalmente privada, que não deverá sofrer desapropriações por parte da prefeitura. Todo o investimento será feito pela iniciativa privada, enquanto o poder público estabelece regras de urbanização e fornece estudos técnicos. Os padrões arquitetônicos, deverão ser respeitados.
— A arquitetura aqui de Gramado é muito reconhecida, tanto pelos turistas quanto pelos moradores aqui. Então a ideia é que a gente não tenha a Gramado antiga e a Gramado nova. A gente entende que essa expansão urbana tem que manter as características da cidade — conclui o secretário.
Desenvolvimento sustentável
Conforme a Secretária de Meio Ambiente de Gramado, Cristiane Bandeira, uma das estratégias para facilitar a instalação de novos empreendimentos e garantir o desenvolvimento sustentável da área, está no fornecimento de levantamentos ambientais.
— A gente fez toda caracterização da área, ou seja, um mapeamento dos locais que tem uma maior potencialidade de ocupação urbana. Dessa forma, o proprietário vai ter conhecimento sobre áreas com menos restrições identificadas e aquelas onde tem maiores restrições e que terão que ser preservadas, a exemplo dos corredores ecológicos — explica.
Para viabilizar o desenvolvimento, a prefeitura prevê a criação de um escritório específico, vinculado à Secretaria de Planejamento. O setor funcionará como intermediário entre proprietários das áreas, cartórios e concessionárias de serviços como energia, água e gás.
Previsão de novos espaços públicos
O projeto de lei também prevê a implantação de equipamentos urbanos estruturantes, como uma nova área hospitalar e um complexo cultural. Essas áreas passam a integrar o patrimônio público à medida que os projetos privados avançam, já que parte da área urbanizada deve ser destinada a vias públicas, áreas verdes e equipamentos coletivos. A partir daí, o município busca viabilizar esses empreendimentos por meio de parcerias público-privadas.
Não há um cronograma fechado para a ocupação da área. A avaliação é de que os primeiros impactos comecem a ser percebidos a partir do quinto ano, enquanto o horizonte completo do projeto é de, no mínimo, 30 anos. O desenvolvimento gradual também permitiria que o município adapte acessos viários e infraestrutura ao longo do tempo.
A votação do projeto de lei, na Câmara de Vereadores, deve acontecer até o final de abril.



