
Quase seis mil pessoas estão expostas a riscos relacionados a enchentes e desmoronamentos em Bento Gonçalves. É o que aponta o estudo realizado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), apresentado nesta terça-feira (7) à comunidade e autoridades da cidade em uma audiência pública.
A análise, feita no município entre 2024 e 2025 pelos profissionais da SGB, indica 139 áreas com chance de serem atingidas por deslizamentos, enxurradas, inundações ou quedas de rochas.
Ao todo, 1,4 mil imóveis entre área urbana e interior estão sujeitos a eventos climáticos potencialmente prejudiciais. Desse total, 83 imóveis estão situados em áreas com risco muito alto de serem impactadas. Outras 492 moradias foram mapeadas em locais com risco alto e 834 residências estão situadas em espaços de risco médio.
Para estimar o grau de vulnerabilidade a que cada região está exposta, o SGB classificou os espaços por setores, com diferentes níveis de risco, sendo eles: muito alto, alto e médio.
Entre todas as localidades do interior de Bento Gonçalves, o distrito de Faria Lemos é o mais sensível. Isso porque foram mapeados seis setores com risco de serem atingidos por enxurradas, deslizamentos e movimentação de terra no local. Mais de 290 pessoas que residem no local podem ser impactadas.

Na área urbana, o bairro Municipal concentra o maior número de moradores em áreas de alto risco, sendo 264 pessoas mapeadas na Rua José Gasperini sob o risco de deslizamentos. Já no bairro Zatt, na Rua João Domingos, são 648 pessoas vivendo em áreas com irsco de médio serem atingidas por desmoronamentos
— São números que exigem atenção. A cidade tem risco elevado em diversas áreas sobretudo pelas suas características geomorfológicas de revelo, como serras, morros altos e rios que cruzam a cidade — indica o pesquisador Tiago Antonelli, que apresentou o estudo na audiência pública.
Veja a classificação de risco dos bairros abaixo.
Caminhos para ampliar a segurança
Além do panorama, a equipe do SGB apresentou à prefeitura e comunidade a recomendação de uma série de obras para estabilizar os pontos classificados como alto ou muito alto e mitigar os riscos.
— Nós não vamos propor retirar ninguém das suas casas, mas estamos sugerindo pré-projetos de obras de engenharia personalizadas para cada setor. Tem uma gama gigantesca de projetos, que vão desde contenções em costas, até contenção de córregos de arroios e rios. Também vamos dimensionar quanto vai custar cada uma delas — explica Antonelli.
A partir do levantamento técnico, detalhamento das obras necessárias e orçamento, a prefeitura de Bento Gonçalves poderá buscar recursos junto aos governos estaduais e federais para financiar as intervenções.

Além disso, o estudo realizado pelo SGB irá integrar o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) do município. Em outubro de 2024 a cidade da Serra foi anunciada, com Santa Cruz do Sul, como os únicos municípios gaúchos selecionados em uma ação do governo federal. Esse projeto auxilia cidades de todo o país a elaborarem o PMRR.
Inicialmente, a ação era destinada às cidades com comunidades periféricas, que estão em áreas suscetíveis a riscos geológicos. O programa foi ampliado para o Rio Grande do Sul após o episódio da enchente de maio, ocorrido há dois anos.
Classificação de risco dos bairros de Bento Gonçalves:
- Risco muito alto: Zatt, Municipal, Fenavinho e Faria Lemos.
- Risco alto: Eucaliptos, Zatt, Municipal, Universitário, Progresso, Borgo, Estrada Buratti, Estrada Zemith, Conceição, Vale dos Vinhedos, Vinosul, Fenavinho, Barracão, Vila Nova, Vila Nova II, Salgado, Santa Helena, Linha Ferri, Linha Quilômetro 2, Linha São Martinho da Paulina e São Luiz da Santa Jabuticaba, além dos distritos Faria Lemos e Tuiuty.
- Risco médio: Eucaliptos, Zatt, Fenavinho, Municipal, Roque, Universitário, Progresso, Borgo, São Paulo, Jardim Glória, Vinosul, Imigrantes, Vila Nova, Vila Nova II, Santa Helena, Fátima, Caminhos da Eulália e Juventude da Enologia, além dos distritos Faria Lemos e Tuiuty, da Comunidade Capela São Luís, da Capela Santo Antônio de Paulina e das linhas Passo Velho, Ferri, Imaculada Conceição, Eulália Baixa e Estrada Velha - São Valentim.
Conforme o SGB, um mesmo bairro pode aparecer em mais de uma classificação, devido à divisão de setores, ou seja, um mesmo bairro pode ter setores com risco muito alto, muito alto e médio, como é o caso do Zatt.
