
A casa onde moravam duas famílias na Rua Cerro Largo, no bairro Carniel, em Gramado, e que desabou na noite de terça-feira (7), já apresentava rachaduras, segundo Lameque Melquesedec, produtor de conteúdo que residia no local. Ao todo, quatro famílias ficaram desalojadas. Ninguém se feriu.
A Defesa Civil municipal foi ao local e constatou que o desabamento teria ocorrido por "problemas estruturais e não por consequências de eventos climáticos". Novas avaliações serão realizadas nesta quarta (8). Os moradores eram inquilinos e estão abrigados em casas de familiares, conforme a prefeitura.

Proprietário da casa que desabou, o confeiteiro Wolmar Luis Carlos não morava no local e o alugava. Ele não estava em Gramado na terça à noite e foi ao endereço na manhã desta quarta-feira. A casa foi construída há oito anos e, segundo ele, não tinha problemas estruturais:
— No ano passado, um dos inquilinos chegou a dizer que viu rachaduras, mas procurei quem fez a casa, trouxe pedreiros aqui, e ele não viu problema.
Melquesedec, no entanto, que morava no local há pelo menos quatro meses com a mulher e os três filhos (de 15, 13 e nove anos), afirma que havia sinais de comprometimento na estrutura:
— Existiam rachaduras e elas foram aumentando.
Segundo ele, os primeiros estalos foram ouvidos pela família por volta das 20h de terça-feira.
— Foi passando o tempo e vimos que realmente o caso era bem mais sério do que a gente imaginava, não eram só pequenos estalos. Em questão de 10 minutos a casa deu o último estalo.
A família, natural do Pará, conseguiu sair e contou com a solidariedade de vizinhos.
— Meu maior patrimônio é a minha família e ninguém se feriu, nem escoriações.
Prefeitura diz que não chovia na hora do desabamento
A coordenadora geral de Proteção e Defesa Civil de Gramado, Juliana Fisch, afirma que não chovia forte no momento do desabamento.
— Quando estivemos no local, a família nos relatou que a residência já estava apresentando rachaduras. Então, eles mesmos relataram problemas estruturais, que haviam ouvido estalos e saído da casa antes do colapso — detalha.
Ainda segundo a coordenadora, o município registrou momentos de pancadas intensas de chuva durante a terça, "mas não foi nada que gerou problemas".
— Tivemos uma queda de árvore, o que é normal. Mas também não tivemos nenhum evento de ventos e nem um momento de chuvas como a gente viu em outros municípios, como Santa Maria — acrescenta.
Juliana ainda afirma que uma vistoria foi feita ainda nesta quarta-feira e que não há mais risco para a casa que fica ao lado da que desabou — que chegou a ficar isolada durante a manhã. A família, inclusive, já voltou para a residência.


