
— Ela só queria ter uma vida melhor, diferente, e acreditou que, por meio da Odontologia, ela conseguiria isso.
Foi assim que a coordenadora do curso de Odontologia do Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG), Juliane Butze, descreveu Raiza Dutra Teixeira, 33 anos, que foi morta nesta quarta-feira (29). O suspeito da autoria do crime é companheiro dela e guarda municipal, Scheiner Onimar Lopes de Sousa, 44 anos.
Raiza era estudante de Odontologia da FSG e formou-se em março deste ano. Segundo a coordenadora, ela tinha conseguido o primeiro emprego na área recentemente, atuando como cirurgiã-dentista. Ela tinha um sonho de mudar de vida através da profissão.
— Raiza carregava consigo sonhos genuínos e uma grande determinação. Acreditava profundamente que, por meio do estudo e da Odontologia, poderia transformar a própria história, proporcionando uma vida mais digna para si e para a família. Sua trajetória foi marcada por esperança de uma vida melhor — destacou Juliane.
Além disso, a professora lamentou a morte de Raiza e prestou solidariedade aos familiares.
— Infelizmente, sua caminhada foi interrompida cedo demais, antes que pudesse viver plenamente tudo aquilo que sonhou e conquistou. Neste momento de dor, nos solidarizamos com familiares, amigos e todos que tiveram o privilégio de conhecê-la. Raiza deixa uma marca de luta e propósito que jamais será esquecida — disse.
Em nome da turma que se formou em 2025/2, uma colega, que preferiu não se identificar, destacou que Raiza era muito gentil.
— Ela era uma pessoa muito solícita e gentil. Gostava bastante do curso, principalmente das áreas reabilitadoras como prótese, tanto que havia ingressado na pós-graduação de prótese. Nossa turma de formandos está bastante triste com o ocorrido e se solidariza com os familiares nesse momento tão difícil — disse.
O suspeito de autoria do crime, Scheiner Onimar Lopes de Sousa, de 44 anos, era guarda municipal desde 2014. Porém, em dezembro de 2025, foi afastado por 30 dias após descumprir o Estatuto dos Servidores Municipais, em artigos como: "deixar de comparecer ao serviço sem causa justificada e não desempenhar os encargos que o cargo exigia".
O secretário municipal de Segurança Pública, Paulo Roberto Rosa da Silva, não quis se manifestar sobre o caso, somente destacou que as investigações estão a cargo da Polícia Civil.
Relembre o caso
Raiza Dutra Teixeira, 33 anos, morreu após ser baleada em uma residência no bairro De Zorzi, na tarde desta quarta-feira (29). O suspeito pelo crime é seu companheiro, Scheiner Onimar Lopes de Sousa, 44 anos, que também faleceu. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio, seguido de suicídio. Se confirmado, Raiza será a primeira vítima de violência de gênero no município em 2026.
O casal foi encontrado pela Brigada Militar (BM) com ferimentos por tiros. O acionamento da polícia foi feito por um filho do guarda municipal, que chegou depois do crime. Ambos foram socorridos em estado grave, mas morreram no hospital.
Conforme a titular da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), Thalita Andrich, Sousa teria atirado contra Raiza e, depois, disparado contra si, segundo as apurações iniciais.
Duas armas de fogo foram apreendidas no endereço. Além disso, ela não tinha medida protetiva de urgência (MPU) em vigor e também não havia registrado boletim de ocorrência contra Sousa.



