Em época de provas, uma preocupação entra no radar de pais e mães: as notas das crianças. Prática já estabelecida, alguns optam por aulas particulares para auxiliar os jovens. Atualmente, além desta oferta, há redes especializadas em Caxias do Sul que atuam para o apoio escolar, com foco complementar no desenvolvimento do estudante, uma demanda que tem se intensificado com a rotina cada vez mais apertada das famílias.
Uma delas é a unidade da franquia nacional, Ensina Mais Programas Educacionais, inaugurada em Caxias em fevereiro. Os sócios proprietários, o casal Tiago Tessari, 45, e Liana Frosi Tessari, 44, observaram uma mudança na realidade das famílias e perceberam a oportunidade de ofertar o apoio escolar voltado para o Ensino Fundamental.
Juntos há 25 anos, Tiago e Liana são pais dos gêmeos Pietro e Vicente, 10. Hoje, como notam, existe a demanda por um suporte maior de pais e mães no acompanhamento escolar dos filhos.
— Cada criança tem um ritmo de aprendizado. Os nossos meninos são gêmeos e mesmo assim o ritmo deles é diferente. São bons, mas são diferentes. Então, uma escola de apoio preenche essa lacuna. Depois, eles chegam em casa mais fortes naquele conteúdo, com mais autonomia e mais autoconfiança — observa Tessari.
A rede oferece aulas de apoio em Língua Portuguesa e Matemática, além de cursos em robótica, desenvolvimento de aplicativos, games e programação. A jornada para os alunos é de um ano, com aulas semanais a partir de metodologia que envolve conteúdo interativo e gamificação. Todo material da rede é temático dos clássicos personagens de Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica.
— Um dos nossos pontos principais é somar aquilo que a escola regular trabalha. Até temos uma frase que é: "Quando somamos, transformamos". Temos trabalhado isso com as escolas regulares. Temos parceria com muitas, apesar de pouco tempo. Não viemos substituir o trabalho que fazem, viemos agregar. O nosso objetivo é entregar para elas um aluno melhor — destaca Liana.
Procura é motivada pelo baixo rendimento em sala de aula
Nestes primeiros meses de atuação, os proprietários observaram dois principais perfis de estudantes. Um deles, é de alunos que recebem indicação das escolas para buscar apoio, por alguma dificuldade observada. O outro, é motivado diretamente pelo rendimento escolar baseado nas notas.
Apesar da maior procura estar relacionada às notas, há também quem busque o serviço como atividade complementar. É o caso de João Vicente Adami Tomazi, 10. Estudante do quinto ano, o menino tinha interesse em conhecer mais sobre robótica.
— O João queria fazer robótica há muito tempo. Ele gosta muito de desenhar e de materializar o que cria, mas é difícil para os pais operacionalizarem — conta a mãe Daniela Adami, 49.
A partir dessas aulas, Daniela notou que o filho está mais organizado. Na escola, o menino contou que está gostando da experiência.
— A experiência tem me surpreendido por vários fatores. Primeiro, porque é esse espaço destinado para aprendizagem, pela questão de trabalhar com a programação, com a eletrônica, elétrica, e com o concreto também. O João começa as coisas muito empolgado e depois não quer mais ir. Aqui, a experiência está sendo o oposto — completou Daniela.
Aulas particulares geram renda extra para os professores

Ao mesmo tempo, o reforço escolar tradicional segue sendo oferecido por professores em Caxias do Sul. É o caso do professor de Matemática Germano Mateus Zugno Machado, 33. Há 14 anos lecionando, ele tem as aulas particulares como renda extra.
Como atua pela manhã na rede municipal, costuma oferecer o reforço à tarde. O professor se disponibilizou para aulas particulares desde o início da carreira. A primeira aluna foi atendida na Biblioteca Pública Municipal, no centro de Caxias. Hoje em dia, os atendimentos ocorrem em um espaço no apartamento de Machado.
A maior concentração de alunos é do Ensino Médio, especialmente da rede particular. Assim como no apoio escolar, os perfis são variados. Há pais que procuram o serviço desde o início do ano como uma forma preventiva. Contudo, há outros que buscam auxílio dos professores para suprir carências pontuais em conteúdos específicos ou para provas importantes.
Geralmente, o momento de maior demanda é no último trimestre, quando as provas finais se aproximam. Mas a procura já aumenta entre junho e julho, no "primeiro choque" com as notas. O professor orienta que o ideal é manter um acompanhamento contínuo:
— Geralmente, os alunos que vêm para uma aula só apenas antes da prova não vão muito bem. Mas, depois meio que eles caem na realidade, e entendem que é importante fazer todo um acompanhamento mais longo, de um ano inteiro. Geralmente, os meus alunos retornam e fazem aulas semanalmente.
Além da matéria em si, o professor conta que as aulas particulares possibilitam um olhar mais individualizado, identificando mais pontualmente qual é a origem da dificuldade de cada estudante. Segundo ele, em média, as aulas particulares em Caxias podem ser encontradas por valores entre R$ 100 e R$ 120, por hora.
Reforço foi importante para retorno pós-pandemia
No retorno das aulas presenciais no pós-pandemia, em 2022, Adriana Barbosa Dias, 48, foi comunicada pela escola onde estuda o filho Danilo, 17. A reclamação era de que o jovem estava disperso nas aulas e precisaria fazer uma avaliação, apesar de sempre apresentar boas notas. Nesse processo, a mãe descobriu que o filho tinha altas habilidades e superdotação.
Com isso, Danilo precisava de uma dinâmica de estudo diferente. A sugestão de uma psicóloga do jovem foi mudá-lo de escola, deixando a linha conteudista para outro formato. Foi nessa transição que Adriana procurou dois professores para aulas particulares. E um deles foi o Germano. A atuação foi além do conteúdo e contribuiu para a organização da rotina e dos estudos.
— Eu estava tendo alguém de quem eu gostava muito me ensinando. Prestava mais atenção também por essa questão do afeto. Isso me ajudou a entender como eu estudo e como aprendo — relata o jovem.
Além da mudança de escola, Danilo, que está no terceiro ano do Ensino Médio, também iniciou o curso técnico em TI para seguir a carreira de programador.
De casa em casa, até à luz de velas

O professor de Química e Física Carlos Alexandre da Silva, 54, também atua com reforço escolar. Com 27 anos de experiência em sala de aula e mais de dez com aulas particulares, ele atende principalmente alunos do Ensino Médio.
Apesar da formação em Engenharia Química e mestrado em Biotecnologia, uma experiência acadêmica fez com que ele se formasse em Química e Física para dar aulas particulares. Silva atende os alunos à tarde ou à noite, na casa dos estudantes. O docente vê a procura como sazonal, especialmente nos momentos de provas. Mesmo assim, a atividade traz experiências inesperadas e também divertidas.
— Nesta semana aconteceu algo inédito. Uma mãe marcou aula para a filha, que tinha prova. Faltou luz no bairro onde a menina mora e eu já estava me deslocando pra casa dela. Ela me disse que estava sem luz desde às cinco da tarde e que tinha velas. Eu disse, "bom, vamos tentar". E aí foi a primeira aula à luz de velas — contou.
Desde o início, Silva atende em domicílio, o que vê como diferencial. Além do reforço escolar tradicional, atende casos desafiadores, como de uma jovem que quer estudar na Europa e os conteúdos das aulas vão além do que é oferecido pelo programa regular, no Brasil, e outros que até viram amigos. Num desses casos, Silva voltou a atender um antigo aluno quando o estudante entrou na faculdade. A conexão permanece e hoje o professor é padrinho de casamento dele.
— A maioria dos alunos vem por indicação. É o boca a boca. Uma mãe indica para outra, um profissional indica para outro. Todas as minhas aulas hoje são assim — relatou.



