Em abril de 1978, obras no contorno norte da RS-122, em Caxias do Sul, eram descritas em edição do Pioneiro como um "melhoramento rodoviário de maior importância para a nossa cidade". Os trabalhos haviam se iniciado em 1976. Praticamente 50 anos depois, mais uma vez como um sinal de crescimento do município, o trecho urbano da rodovia é palco de intervenções que buscam solucionar gargalos no trânsito.
Atualmente sob concessão, os trabalhos na rodovia são de responsabilidade da Caminhos da Serra Gaúcha (CSG). As intervenções são para os 10,9 quilômetros do trecho do Viaduto Torto até o viaduto do bairro Nossa Senhora da Saúde. Os trabalhos estão dentro do investimento de R$ 250 milhões que a concessionária prevê para este ano.
Da mesma forma que há 50 anos as obras eram vistas como de grande importância, a concessionária observa que a duplicação é "uma intervenção estratégica para toda a Serra gaúcha".
O cenário é bem diferente daquele de 50 anos atrás. O trecho, que era chamado de Perimetral Norte (que depois viria a ser a definição da Avenida Rubem Bento Alves), chegava como a via para que os caminhões acessassem a BR-116. Até então, o tráfego pesado passava todo pelo Centro de Caxias para chegar à rodovia federal, acumulando reclamações de danos em canalizações de água e calçamento, além de congestionamento.
Quem passa atualmente pelo contorno norte, atento ao trânsito intenso e absorvido pela rotina, pode não perceber a mudança permanente que está em andamento no desenho de Caxias. Assim como aquele cenário que parecia de faroeste ficou para trás no fim dos anos 1970, mais um ciclo está começando.

Chama atenção que pontos que eram novidades naquela expansão de Caxias, agora passam novamente por intervenções. É o caso do viaduto em Nossa Senhora da Saúde, no km 78 da RS-122, e na Ponte Seca, sobre o Arroio Tega, no km 74 — a duplicação foi anunciada de forma separada antes e iniciou em janeiro de 2025.
Atualmente, o trecho é importante para a ligação de polos industriais e logísticos.
50 anos antes: o contorno norte de Caxias
No fim de 1975, como está no arquivo do Pioneiro, o contrato para a impactante obra foi assinado pelo então prefeito Mário Vanin junto ao Daer, departamento do Estado. As obras logo iniciariam em 1976 e seriam entregues em 1980, na gestão do prefeito Mansueto Serafini. O custo foi de 1 bilhão de cruzeiros — conforme a Calculadora do Cidadão, do Banco Central, o valor com correção atualmente seria de cerca de R$ 293 milhões — para uma extensão de 17,5 quilômetros.
Quando foi inaugurada, a rodovia passou a fazer parte da Rota do Sol (chamada de Rodovia da Integração, em 1980), como acontece até hoje.
Fotos da época, publicadas no jornal, destacavam as percepções da nova rodovia caxiense, como a beleza natural que acompanhava a estrada e a divisão causada no bairro Santa Fé com a travessia. De grandes proporções, a conclusão da obra trouxe o que foi chamado do contorno de Caxias: o trecho urbano que vai da RS-122, no limite com Farroupilha, até a interseção da RS-453 com a BR-116, em São Ciro.
As construções marcantes daquela empreitada foram a Ponte Seca, sobre o Arroio Tega, e os viadutos que se tornaram pontos de referência na RS-122 em Caxias — em Nossa Senhora da Saúde, Santa Fé, na interseção da rodovia com a RS-453 próximo ao Porto Seco e na interseção da 453 com a BR-116 em São Ciro.
Reportagem do Pioneiro na inauguração, em 1980, destacou avanços como o encurtamento para 80 quilômetros de distância do entroncamento rodo-ferro-hidroviário de Estrela e uma ligação mais acessível para escoar a produção da Serra no porto de Rio Grande. Ao mesmo tempo, a estimativa da época era de que 2 mil veículos a menos entrariam em Caxias — evitando congestionamento e os danos na canalização de água e nas ruas centrais.
Além do Daer, a obra foi executada pela empreiteira Toniolo, Busnello S/A.
E agora?
As obras do pacote da CSG estão no trecho entre os km 69 e 80, que serão duplicados. Em nota, a concessionária explica que "o principal impacto é a melhoria da fluidez e da segurança viária, ao ampliar a capacidade da rodovia e reduzir pontos de conflito, especialmente em trechos urbanos e de grande circulação".
Além da duplicação da extensão, são três construções previstas para aliviar gargalos identificados no trânsito do município:
- Uma nova passagem inferior no km 71 para permitir fluidez no tráfego de bairros como Santa Fé e Cidade Nova. A conclusão, conforme a CSG, pode acontecer até outubro deste ano.
- A duplicação da ponte sobre o Arroio Tega, no km 74. A nova travessia está com mais de 80% da estrutura concluída. A estrutura tem 270 metros de extensão e cerca de 40 metros de altura. A previsão de entrega é em julho deste ano e o investimento é de R$ 50 milhões.
- Um novo viaduto para acesso ao Nossa Senhora da Saúde e aos pavilhões da Festa da Uva. O novo viaduto terá 51 metros de comprimento, pista dupla em cada sentido e altura livre de 5,5 metros. A previsão também é para até outubro deste ano e o investimento previsto é de R$ 13 milhões.

No caso do novo viaduto de acesso ao Nossa Senhora da Saúde, a CSG estima que deve ser atendido um fluxo de 20 mil veículos por dia. O antigo foi demolido nesta sexta (2).
A concessionária também destaca que a nova estrutura soluciona um gargalo histórico. O aumento do viaduto elimina restrições antigas para a passagem de caminhões e qualifica a conexão entre os bairros.
"Somado a isso, as obras no km 71 e em outros pontos do contorno Norte seguem o mesmo propósito: modernizar a rodovia, organizar os fluxos e acompanhar o crescimento da região. É um investimento que impacta diretamente a mobilidade urbana, o transporte de cargas e, consequentemente, o desenvolvimento econômico local", completa a nota da CSG.
Atenção aos desvios
Na obra do km 71, há uma alteração no traçado da RS-122, mas não existe a necessidade de um desvio. Já na Ponte Seca o fluxo segue normalmente.
A única obra em que desvios são necessários é a do novo viaduto no Nossa Senhora da Saúde. Confira abaixo as orientações da CSG para o tráfego na região dos pavilhões da Festa da Uva:
- Sentido ERS-122 → Pavilhões da Festa da Uva: acesso pela alça em desvio até a Rua Ludovico Cavinato.
- Bairro Nossa Senhora da Saúde → Pavilhões: seguir pela ERS-122 sentido Farroupilha até o retorno na Brasdiesel e acessar a alça para a Rua Ludovico Cavinato.
- Pavilhões → RS-122 / Flores da Cunha: utilizar as ruas Âbramo José Mazzochi e Rita Falcão de Azevedo até acessar a rodovia.
- Pavilhões → Bairro Nossa Senhora da Saúde: seguir pelas ruas Âbramo José Mazzochi e Rita Falcão de Azevedo, acessando a ERS-122 e, na sequência, a alça para o bairro.
- Bairro Nossa Senhora da Saúde → Flores da Cunha / km 78 e 81: acessar a Rua Ludovico Cavinato até a Estrada Municipal Vicente Menezes, com saída na ERS-122 no km 81.
- Flores da Cunha → Bairro Nossa Senhora da Saúde: seguir pela ERS-122 e acessar a alça junto à obra do viaduto.



