
Calistenia é um método de treinamento físico baseado no peso do próprio corpo que vem ganhando praticantes em Caxias do Sul — basta dar uma olhada pelos parques da cidade em dias de tempo bom. Segundo o professor do curso de Educação Física da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Ricardo Rodrigo Rech explica, a calistenia não é vista apenas como uma atividade, mas como um estilo de vida pelos praticantes.
Para praticá-la, não há necessidade de máquinas ou equipamentos mais complexos. Entre os principais exercícios estão as flexões de braço, os agachamentos, as pranchas e a barra fixa, um dos únicos que necessita de aparelhagem, neste caso, uma barra fixa.
— Tu podes ir duas vezes na academia e depois, se só tiver tempo para fazer exercícios em casa, podes usar do método da calistenia para complementar esse treino. Eles podem ser isolados, mas podem ser complementares, porque os exercícios da musculação vão trabalhar um pouco mais isolado a questão dos grupos musculares, já os exercícios calistênicos têm por característica trabalhar várias articulações ao mesmo tempo — explica Rech.
O professor afirma que qualquer pessoa pode praticar a calistenia, mas, como toda atividade física, precisa de cuidados, como respeitar as progressões nos exercícios, ter o acompanhamento de um profissional de Educação Física, sempre iniciar a pratica com aquecimento articular e mobilidade, além de ter atenção à recuperação dos grupos musculares:
— Para quem é sedentário, fazer uma barra fixa é bastante difícil, mas uma pessoa sedentária consegue ficar pendurada por 10, 20 ou 30 segundos na barra fixa, então começa assim, depois faz um exercício de mobilidade.

Os esportes nem sempre fizeram parte da rotina de Jean Subtil, 23 anos. Foi somente aos 15 que ele resolveu iniciar na musculação, e acabou gostando. Depois, se encontrou ainda mais no muay thai, onde também conheceu a calistenia. Hoje, mescla a arte marcial com os treinos com o peso do corpo, e com a corrida de rua.
— Procuro fazer full body porque como treino também o muay thai e a corrida, um treino muito pesado de perna (por exemplo), pode afetar os outros, então sempre procuro o full body que consigo estimular um pouco cada grupo muscular, e não acaba me afetando nos outros esportes — conta Subtil.
Os treinos dele costumam ser feitos no Jardim Botânico de Caxias do Sul e na academia ao ar livre da Universidade de Caxias do Sul (UCS). Se quando criança não era adepto dos esportes, hoje já não consegue mais ficar sem as atividades físicas na rotina.
— Qualquer esporte traz paz, é um jeito de (tirar) todos os problemas que acabamos carregando do dia a dia. O exercício acaba limpando a mente. E a calistenia, comparada com a musculação, acredito que tenha alguns benefícios, como no ganho de força mais rápido. Também tem a questão dos horários, não é preciso depender de uma academia, qualquer lugar que tenha uma barra ou até mesmo em casa dá para fazer — diz o estudante.
Um esporte versátil
O empresário Fabio Mantovani, 33, pratica atividades físicas desde criança. Ele começou com a bicicleta downhill, jogou basquete, e há cerca de uma década ingressou na musculação. Já a calistenia faz parte da sua rotina há pelo menos sete anos:
— Naquela época eu pensei: "quero me dedicar a mais um esporte" e o que mais me atraiu foi a calistenia pela parte de domínio do controle do peso corporal, os movimentos que via em vídeos. Me interessou por ser algo mais dinâmico.
Atualmente, além da calistenia, Mantovani segue na academia, principalmente pelas características climáticas de Caxias. Somando as duas modalidades, são ao menos seis treinos por semana.
— Hoje Caxias tem poucos pontos para esses treinos, com barras e estruturas, mas como é um esporte bem versátil, o chão já é o suficiente para treinar.
Os primeiros treinos foram feitos no Parque dos Macaquinhos. Por lá, inclusive, chegou a fazer um grupo de amigos.
— Esse contato com a natureza, por exemplo, a possibilidade de treinar na beira da praia ou em um parque ao ar livre, no meio das árvores, dá uma sensação de satisfação. Muitas pessoas não frequentam academia por não gostarem do ambiente, e a meu ver se torna uma alternativa bem interessante — avalia.





