
É com o objetivo de trazer mais autonomia, independência e debater a longevidade que o programa UCS Sênior, da Universidade de Caxias do Sul, completa 35 anos. Atualmente são 1,2 mil alunos, que estão divididos em cinco municípios: além de Caxias, há aulas em Bento Gonçalves, Farroupilha, Canela e Torres.
Ainda com o nome de Associação Regional de Apoio à Terceira Idade (Arati), os primeiros estudos e atividades se iniciaram em 1991. Mais tarde, o programa se tornou Universidade da Terceira Idade (Unti) até, posteriormente, receber o nome de UCS Sênior.
De acordo com Verônica Bohm, atual coordenadora do programa, um dos grandes objetivos é a educação ao público com 50 anos ou mais. Ela conta que são cerca de 70 turmas ativas em cursos que envolvem atividades físicas, com danças, natação, yoga e pilates, conteúdos voltados à tecnologia e até mesmo o aprendizado de outros idiomas. Somente em Caxias do Sul são 830 alunos.
— (Trabalha) tanto a autonomia quanto a independência. Porque a independência é o poder fazer, e a autonomia é a capacidade de escolha. Olhamos muito para a política de envelhecimento ativo, da OMS (Organização Mundial da Saúde). Atualmente se fala em quatro pilares, saúde, participação, inserção social e segurança. E depois foi inserida a aprendizagem ao longo da vida, porque se o sujeito não segue aprendendo, ele não consegue manter saúde e estar inserido socialmente — revela a professora.

Recentemente, foram lançadas duas novas atividades: um grupo de corrida e a outra voltada às discussões do cotidiano, como os conflitos geopolíticos entre Estados Unidos, Israel e Irã. Há, ainda, ações voltadas à tecnologia, como a utilizada com segurança de aplicativos de transporte.
Ao longo dos últimos anos, o UCS Sênior se tornou referência no país. Além das próprias atividades, também há palestras em empresas e assessorias a municípios em ações voltadas ao tema da longevidade. Ao mesmo tempo, também buscam construir estudos científicos sobre o tema.
— Trabalhamos com homens e mulheres que querem continuar aprendendo — afirma a professora.
Viagens de estudos também fazem parte da rotina do UCS Sênior, principalmente para a participação em fóruns. E quem não perde uma é Elenara Maria Betiolo, 70 anos. A aposentada ingressou no programa ainda em 2011, e a primeira atividade foi voltada à gastronomia.
Mas foi com as aulas de informática que conseguiu encontrar a sua independência. No ano de 2013 fez uma viagem a Israel e queria se comunicar com a professora do curso via e-mail, no entanto, o idioma que o computador estava se tornou uma dificuldade inicial, mas que logo foi superada:
— Eu queria só mandar um e-mail. Eles não falavam a minha língua, e eu consegui passar em português, fazer o e-mail e mandei para a minha profe. E ela disse: "onde tu estás?". Eu disse: "Estou em Israel, tu que me ensinou (a usar a tecnologia)".

Nesta terça-feira (3), Elenara voltou às salas de aula após o recesso. Ela está matriculada na atividade chamada Coisas da Vida, cujo foco é promover o conhecimento e a reflexão sobre questões pertinentes à natureza humana e os respectivos desdobramentos.
— Eu venho para a universidade para aprender, porque era meu sonho. Com 19 anos eu estava grávida, com 22 eu tive o segundo filho. Eu já tinha terminado o Ensino Médio e eu queria fazer uma faculdade, só que em 1975 eu não tinha com quem deixar as crianças, eu tinha que cuidar dos meus filhos, queria dar qualidade para eles, os dois são formados em Administração pela UCS, e eu não me arrependo. (Mas) não sou mais do lar agora, quando vem perguntas para responder, eu (digo que) sou estudante agora — comenta.
Muito conhecimento e amizades
Meris Antônio Mascarello, 81 anos, foi professor da Universidade de Caxias do Sul e se aposentou no ano de 2017. Cerca de dois anos depois, se matriculou no programa da instituição de ensino. Atualmente ele participa de três atividades, duas de dança e uma de tecnologias digitais.
— O professor nos atualiza diante das constantes mudanças que existem nas mídias, por exemplo, o Instagram, depois como ter acesso produtivo a essas mídias. O grupo que participo é muito coeso, que vem se mantendo e dificilmente as pessoas saem desse grupo, porque, além de a gente aprender a utilizar os mecanismos e inovações nessa área tecnológica, o professor tem uma habilidade de trabalhar, e faz uns cortes transversais que, além de trabalhar o formato técnico, trabalha o formato humano — conta o aposentado.
Mascarello se tornou ao longo dos últimos anos um grande divulgador do programa. Sempre que pode, indica aos amigos e conhecidos sobre as atividades. Mas, além do que faz no UCS Sênior, canta em dois coros da cidade e faz musculação diariamente.
— Essas atividades me dão perspectiva de longevidade e de relações sociais, da convivência, porque, segundo um professor da área de educação que fez uma palestra para nós tempos atrás, se queremos prolongar a longevidade, é uma decisão de ordem pessoal, tem que decidir se quer viver mais ou não. E ele dizia que na nossa idade o lugar que menos devemos ficar é no sofá, e cultivei essa ideia. Esses dias, brincando, eu disse que venderia meu sofá, porque lá em casa é só decorativo — revela.
Foi também em 2019 que Airton José Adami, 64, ingressou no programa a convite da esposa Leoni Dani, 61. Na época, o primeiro curso foi o de Cérebro Ativo, que possibilita a estimulação cognitiva através de atividades de atenção, de concentração, de memória, de raciocínio e de funções executivas, além de proporcionar momentos lúdicos e criativos, refletindo em melhorias no bem-estar físico e emocional.
— Vou lá, coloco (o cérebro) em funcionamento, tem atividades lúdicas, que vão mexendo com o cérebro e fazendo com que o movimento aconteça a todo momento — diz Adami.
Ele também já fez aulas de fotografia, e, atualmente, além do Cérebro Ativo, participa do grupo de dança de casais ao lado da esposa.
— Outra questão que eu destaco bastante também de poder participar são as amizades que você faz lá dentro, porque eu estou em contato com muitas pessoas que estão ali também querendo encontrar novas amizades, algumas pessoas que você nunca viu antes na vida e que passam a ser amigos ali a partir daquele momento — complementa.
Como participar?
O período para as matrículas no primeiro semestre já se encerrou. No entanto, a professora Verônica Bohm explica que interessados podem entrar em contato pelo WhatsApp, no telefone (54) 3218-2355, pelo Instagram @ucssenior, ou ir presencialmente na Central de Atendimento, das 8h às 18h. As matrículas podem ser feitas ao longo do ano, desde que tenha vaga na atividade. O valor da mensalidade varia conforme a escolha.



