
Ainda com avanços tímidos em Caxias do Sul, o segmento de segurança condominial aposta na oferta de altas tecnologias e na competitividade de custos para aumentar o leque de clientes no município.
O setor, que abrange serviços de monitoramento e portaria remota, por exemplo, terá até setembro de 2027 para se adequar às regras do Estatuto da Segurança Privada, cuja lei foi sancionada em 2024. Entre as determinações, está a necessidade de autorização de funcionamento emitida pela Polícia Federal e exigência de capital social mínimo de R$ 146 mil.
À coluna da jornalista Marta Sfredo, a presidente da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), Selma Migliori, disse que é preciso haver regulamentação para o setor, uma vez que não existem barreiras de entrada.
Em Caxias, a portaria remota é vista por empresários do ramo com alto potencial para crescimento. O serviço, monitorado e conduzido à distância, substitui a presença 24 horas de um porteiro na entrada de condomínios, sejam horizontais ou verticais.
Dentre as vantagens apontadas por quem oferece o serviço estão a redução de custos, a não necessidade de constituir vínculo empregatício, controle mais rígido e menos passível de erros.
Síndico de um prédio localizado no bairro de Lourdes, Diego De Zorzi Oselame conta que os moradores aderiram ao serviço de portaria remota em maio de 2018. Anteriormente, o prédio contava com vigilância armada 24 horas. Para ele, dois fatores foram determinantes para a mudança:
— A questão financeira, porque era um custo absurdo, juntamente com a falta de preparo e a alta rotatividade dos profissionais. Hoje, a portaria remota está funcionando muito bem, nem comentamos no condomínio em trocar para presencial novamente.
Procedimentos são personalizáveis

Dados da Abese indicam que a portaria remota é uma das operações que mais evoluem no cenário nacional. Segundo a associação, mais de 14 mil condomínios brasileiros já funcionam com o modelo, cuja redução de custos operacionais é prevista em até 60%.
Uma das empresas que autuam na área é a Nidum Segurança Inteligente, que oferece o serviço há 12 anos em Caxias do Sul. Para o proprietário da empresa, Rubens Bonetto, a expansão do sistema ainda esbarra especialmente na falta de conhecimento sobre os mecanismos de segurança oferecidos.
— Percebo que as pessoas ainda são um pouco conservadoras. Às vezes, conversando com elas, vemos que não compreendem bem o conceito de portaria remota. Temos muito potencial para ter mais adesão — analisa.
Nos condomínios atendidos pela empresa, há uma definição antecipada de procedimentos de segurança, o que significa que o formato é personalizável, conforme o perfil daqueles moradores.
Há possibilidade, por exemplo, de cadastro para reconhecimento facial de visitantes contínuos ou liberação via central de atendimento ao acionar o interfone. A entrada, neste último caso, só ocorre mediante autorização prévia do morador. O acesso de veículos também é monitorado, a partir do sistema da empresa.
— Outra coisa importante é que toda a comunicação de voz e todas as imagens ficam gravadas na nuvem. Isso é um nível a mais de segurança, caso ocorra um assalto e levem nosso VTR (câmera de segurança) vamos ter acesso a tudo o que aconteceu — sinaliza Bonetto.
Pensando no aumento de compras pela internet, a empresa também trabalha com os armários inteligentes para atender aos condomínios. A partir da liberação da portaria remota pela central, o entregador acessa a estrutura e coloca a encomenda no local determinado. O morador, então, é avisado da chegada, via aplicativo de celular:
— Ele vai gerar um formato de segurança que só o destinatário consegue abrir — detalha o proprietário da empresa.
As câmeras utilizadas para monitoramento permitem outros recursos além da captação de imagens. Por meio da inteligência artificial, há detecção da presença de pessoas, de fumaça ou fogo e também aviso de portas que não fecharam adequadamente, entre outros recursos.
Sistema permite limitação de dias e horários para entradas

À frente do Grupo Cindapa, Carlos Alberto Köhler entende que os controles de acesso precisam garantir velocidade e fluidez para os condomínios. O que significa, na prática, ter mecanismos tecnológicos e eficientes para garantir uma entrada segura e ágil de moradores, visitantes e prestadores de serviço previamente cadastrados.
O ecossistema de segurança da empresa abrange o reconhecimento facial para as portarias remotas. Por meio de um aplicativo, o morador insere as pessoas da residência, bem como prestadores de serviço, como empregados domésticos e personal trainers, por exemplo.
Há possibilidade de limitação de dias e horários para a entrada de determinadas pessoas, o que garante a privacidade de quem convive no apartamento ou na residência. Quando não há cadastro facial prévio, o visitante aciona a central da Cindapa, que imediatamente abre as imagens das câmeras para verificação e contata o morador.
A entrada de veículos também é feita via reconhecimento facial ou por meio dos caracteres das placas. Outro facilitador, segundo o presidente da empresa, é o sistema de tag, comumente utilizado em pedágios.
— Dá mais fluidez para o acesso e não precisa ter várias tags. Por exemplo, tem cliente que tem casa em Caxias, em Gramado e no Litoral e usam uma só — esclarece.
Segurança de todo o perímetro

Para além de monitorar a entrada de pessoas, as empresas precisam garantir a segurança de todo o perímetro do condomínio. Um dos recursos utilizados pela Cindapa, por exemplo, são câmeras com vídeo analítico e inteligência artificial.
Os equipamentos detectam a temperatura corporal:
— Desta forma, o sistema identifica somente uma intrusão por humanos. Se cair um galho em um temporal ou se passar um gambá, não gera alarme. Gera menos incômodo e dá mais confiança — garante Köhler.
Associado às câmeras, a empresa oferece outra tecnologia, especialmente para os condôminos horizontais. Trata-se de um drone que levanta voo e se dirige automaticamente ao invasor, por voz, após a detecção pelas imagens. Ao mesmo tempo, uma equipe se dirige até o local e as autoridades de segurança são acionadas.
Segundo o CEO do grupo, o serviço é lançamento e ainda não foi contratado em Caxias.
Saiba mais
- A Abese reúne 33 mil empresas do setor, sendo que cerca de 18% delas estão no RS.
- Alguns condomínios optam pela portaria híbrida, com presença humana por determinadas horas e portaria remota nos demais turnos.
- O condomínio pode locar ou comprar os equipamentos de segurança.
- Os custos variam conforme os serviços contratados e o tempo de fidelidade do documento. Em média, a despesa pode variar de R$ 7,5 mil a R$ 8 mil por mês para os contratantes.




