
Marco histórico para Caxias do Sul, a Estação Ferroviária do bairro Desvio Rizzo poderá ser revitalizada a partir de um projeto inscrito na Lei Federal de Incentivo a Cultura — Rouanet. A proposta partiu de Luciano Silva, idealizador do projeto, e da produtora cultural Adriana Tolardo. A captação de recursos, orçado em cerca de R$ 665 mil, foi autorizada no dia 1º de março.
Conforme Luciano, o projeto contemplará a revitalização total do prédio, que, depois pode funcionar como museu ou espaço de convivência. Silva pretende se reunir com o prefeito Adiló Didomenico para apresentar o projeto nos próximos dias.
O prédio foi tombado ao acervo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2007, em um pacote que incorporou o patrimônio ferroviário. Há um termo de compromisso assinado pela União, por meio do Iphan, e pelo município, em 2011 com o objetivo de preservar a linha férrea e o patrimônio ferroviário na cidade.
A inspiração para a restauração da Estação Ferroviária veio das memórias de infância de Silva, que lembra de brincar na região quando criança, enquanto visitava o tio, que morava próximo do local e trabalhava na Estação.

— No ano passado, fui dar uma volta e vi que o (acesso ao bairro) Desvio Rizzo estava todo em obras e aquele prédio lá, caindo aos pedaços. Eu conversei com o encarregado da obra e ele me falou que ali não iam mexer — conta.
Conforme Silva, boa parte da estrutura está preservada, o que pode facilitar o processo de revitalização. As paredes são originais de 1938. Segundo o idealizador do projeto, o último trem saiu da Estação em 1985.
— São 40 anos desde que o último trem saiu, e depois ficou abandonado. Pelo que eu vi, o assoalho era de madeira, então mantém-se a estrutura arquitetônica, e não seria difícil fazer (a restauração) — projeta.
A proposta prevê a recuperação arquitetônica do edifício, respeitando as características históricas e construtivas originais e também a revitalização do entorno.
Como ação complementar, os proponentes do projeto vão produzir um documentário sobre a memória da estação e sua importância para o desenvolvimento ferroviário e social da região. Neste material, serão ouvidos moradores da região.
— O projeto tem duas partes. A primeira seria fazer uma pesquisa sobre como eram as janelas, aberturas, assoalho, teto... Então, a gente faz essa pesquisa e vai fazer um documentário. Como eu morei na região, conheço bastante gente para entrevistar e ouvir as lembranças deles — afirma Silva.
O projeto inclui ainda o programa Domingo na Estação, com atividades culturais e feira de artesanato e gastronomia, além do programa educativo Estação de Memória, com visitas orientadas para professores e alunos da rede de ensino, abordando a história da ferrovia e a preservação do patrimônio cultural.
O prazo para a captação de recursos é de dois anos, mas que podem ser prorrogados, de acordo com a necessidade. Empresas que tiverem interesse em destinar recursos podem entrar em contato pelo e-mail conceitohfilmes@gmail.com ou pelo WhatsApp (54) 99104-9314.

