
Na Vila dos Distritos, espaço já tradicional da Festa da Uva, o palco está aberto a quem quiser se apresentar e o aroma é de pão no forno. A pequena coluna de fumaça vista já na entrada do Pavilhão 2 vem de um antigo fole que demonstra como funcionavam as ferrarias e, no entorno, casinhas de madeira dão o aspecto de comunidade ao local. A chimia é feita ali mesmo por mulheres da comunidade de Vila Oliva e o restante das produções locais, como cestas, chapéus, facas e artesanato em geral são trazidos por representantes de cada um dos sete distritos de Caxias do Sul.
Do mais campeiro deles, Patrícia Telles, traz de Criúva, seus desenhos e pinturas de cavalos, montarias e cenários do campo.
— Aprendi bem pequena com o meu pai, ele traçava as linhas e eu copiava. O cavalo é o companheiro do homem desde que o mundo é mundo. Acho interessante quando saímos para cavalgar que o cachorro sempre vem junto e então são três espécies juntas —reflete Patrícia.
De Santa Lúcia do Piaí, o motorista aposentado Augustinho Rech vende tábuas, gamelas e caixas feitas em madeira. De Forqueta, que não é distrito, mas colabora com o espaço, a artesã Lucimar Ferraz, traz panos com detalhes em crochê, cestas e chinelos custumizados.
— Parte da renda é revertida para a ONG Voluntários da Esperança — garante Lucimar.
Em frente a uma pipa, o sub-prefeito de Fazenda Souza, Itacir Dall’Agnol é o responsável por servir vinho e suco que costumam acompanhar a refeição de quem opta pelo prato mais tradicional da Festa da Uva – o combinado de queijo, salame e polenta brustolada.
Entre um copo e outro, a conversa é com o sub-prefeito de Galópolis, José Dapont, responsável por organizar as mesas e, por conta própria, divertir os visitantes:
— É um espaço descontraído, as pessoas gostam de interagir, dançar e acompanhar tudo que acontece aqui porque remete a costumes simples, mas que ainda são muito valorizados.
Natural de Caxias, mas atualmente morando em Dublin, a produtora Alexandra de Jesus concorda:
— É meu lugar preferido na Festa, viemos já duas vezes nesse ano. Me lembra muito minha infância, polenta no fogão a lenha era meu café da manhã.

Chama acesa
No centro da Vila, ainda no Pavilhão 2, um antigo maquinário costuma estar rodeado por curiosos. Manuseado pelo morador de Vila Oliva, Bruno Pasquali, o fole de couro se infla e sopra o ar para manter aceso o fogo que molda o ferro.
O instrumento representa como funcionavam as primeiras ferrarias e de que forma os imigrantes italianos criavam suas ferramentas.
— Veio gente do Japão que não fazia mínima ideia do que se tratava. Quanto mais sopra, mais o atiça a brasa que forma as labaredas — explica Pasquali.
A Vila dos Distritos é uma iniciativa da secretaria municipal de Obras e da coordenadoria Distrital. Além da programação cultural e gastronômica, a prefeitura mantém, na Vila dos Distritos, um gabinete institucional de atendimento à comunidade. Ele funciona às quintas, sextas e sábados, no período da tarde.




