
O preço da gasolina comum voltou a subir em Caxias do Sul. Pesquisa realizada na manhã desta quarta-feira (11) em 12 postos da cidade apontou que o litro do combustível já chega a R$ 6,49 em alguns estabelecimentos.
Na média dos locais pesquisados, o preço do litro está em R$ 6,36. Na última pesquisa, realizada em 26 de fevereiro, o valor médio era de R$ 6,23, o que representa uma elevação de R$ 0,13 em duas semanas.
Entre os postos consultados, o maior aumento foi de R$ 0,30 e ocorreu em dois estabelecimentos. Em um posto localizado na Avenida São Leopoldo com a BR-116, o litro passou de R$ 6,19 para R$ 6,49. Já em outro, na Avenida São Leopoldo com a Rua Sarmento Leite, o preço subiu de R$ 6,16 para R$ 6,46 no mesmo período. Os dois são da mesma rede, a SIM.
Apesar da tendência de alta, nem todos os postos registraram reajuste. Em um estabelecimento localizado na BR-116 com a Rua Rodrigues Alves, por exemplo, o litro da gasolina comum passou de R$ 6,23 para R$ 6,19, registrando leve redução. Já em outros pontos da cidade os preços permaneceram estáveis.
Os postos pesquisados*
Posto SIM (Avenida São Leopoldo com Rua Sarmento Leite)
- 26/02/2026: R$ 6,16
- 11/03/2026: R$ 6,46
Posto Ramar (Avenida São Leopoldo com Perimetral Sul)
- 26/02/2026: R$ 6,16
- 11/03/2026: R$ 6,26
Posto Buffon (Perimetral Sul, bairro Kayser)
- 26/02/2026: R$ 6,19
- 11/03/2026: R$ 6,39
Posto SIM (Avenida São Leopoldo com BR-116)
- 26/02/2026: R$ 6,19
- 11/03/2026: R$ 6,49
Posto Gambino (BR-116, bairro Vila Verde)
- 26/02/2026: R$ 6,23
- 11/03/2026: R$ 6,24
Posto Rodoil (BR-116 - bairro Planalto)
- 26/02/2026: R$ 6,24
- 11/03/2026: R$ 6,24
Posto Ipiranga (BR-116 com Rodrigues Alves)
- 26/02/2026: R$ 6,23
- 11/03/2026: R$ 6,19
Postos Tirol/Imigrante
- 26/02/2026: R$ 6,23
- 11/03/2026: R$ 6,23
Posto Capoani (BR-116 - bairro Presidente Vargas)
- 26/02/2026: R$ 6,19
- 11/03/2026: R$ 6,39
Posto Pinheiro (BR-116 - bairro São Ciro)
- 26/02/2026: R$ 6,27
- 11/03/2026: R$ 6,47
Posto Buffon (bairro Interlagos)
- 26/02/2026: R$ 6,29
- 11/03/2026: R$ 6,49
Posto SIM (São Ciro)
- 26/02/2026: R$ 6,39
- 11/03/2026: R$ 6,49
*A pesquisa considera os preços da gasolina comum expostos nos estabelecimentos ao consumidor.
Distribuidoras têm papel central no repasse
O último ajuste anunciado pela Petrobras para a gasolina ocorreu em janeiro de 2026, quando a estatal reduziu em R$ 0,14 por litro o preço do combustível vendido às distribuidoras, uma queda de 5,2%. Apesar disso, os valores nas bombas podem variar ao longo das semanas, já que o repasse ao consumidor não depende apenas da estatal.
Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo da Serra Gaúcha (Sindipetro Serra Gaúcha), Vilson Pioner, o repasse de preços aos postos não é feito diretamente pela Petrobras.
— Normalmente, quem repassa valores para os postos são as distribuidoras. A Petrobras passa o produto para as distribuidoras e elas é que vendem para o revendedor. Quem controla mais os valores são as distribuidoras — explica.
Segundo ele, não há tabelamento no setor, o que permite variações de preços.
— A distribuidora não tem tabelamento nenhum. Ela vende pelo preço que entender que é possível e viável. Por isso que tem tanta concorrência também entre as distribuidoras. E o posto em si tem toda liberdade de usar a sua planilha de custo e acrescentar uma margem para poder sobreviver. Então a liberdade de preços é total — diz.
Cenário internacional pressiona mercado
O dirigente também aponta que o cenário internacional influencia o mercado de combustíveis, embora o preço brasileiro ainda esteja abaixo do praticado no exterior.
Nos últimos dias, o mercado global de petróleo tem sido pressionado pelo agravamento do conflito no Oriente Médio. Após ataques do Irã, a cotação do barril chegou perto de US$ 120 na reabertura do mercado, na segunda-feira (9), recuando posteriormente para cerca de US$ 105. Na semana anterior, o preço havia fechado em torno de US$ 92, já com forte alta em relação aos cerca de US$ 72 registrados antes da ofensiva militar de Estados Unidos e Israel na região.
A situação é agravada pelo fechamento parcial do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, além de ataques a refinarias e bases de produção em países como Emirados Árabes Unidos e Kuwait.
— É evidente que o preço internacional impacta. Só que, no momento, o preço internacional está muito acima do valor que nós temos aqui no Brasil. Se fosse repassar totalmente para fazer paridade de preço, seria um valor exorbitante que subiria os combustíveis — afirma.
Para Pioner, o prolongamento do conflito pode provocar novos impactos:
— Eu tenho fé que isso acabe logo, mas é muito provável que, se houver demora, haja procura de novos fornecedores numa tentativa de que não tenha todo esse aumento como a gente está vendo. O aumento que o barril teve na segunda-feira foi de quase US$ 120 — afirma.
Apesar das incertezas no cenário internacional, o presidente do sindicato afirma que não há risco de falta de combustíveis na região.
— Eu acredito que desabastecimento não vai haver. O que está havendo é um pouco de controle, também por parte das distribuidoras, porque elas têm contrato com os postos bandeirados e precisam fornecer o produto. Então eu diria que hoje elas estão administrando o estoque, mas nenhuma está deixando de fornecer — garante.



