
Apesar de os nomes serem parecidos, lipedema e linfedema são doenças completamente diferentes, segundo a fisioterapeuta dermatofuncional de Caxias do Sul, Bruna Aver. Especializada no atendimento de pacientes com alterações do tecido e do sistema linfático, ela atua na área desde o fim de 2023 e reforça que a distinção correta entre as duas doenças é fundamental para o diagnóstico e para o tratamento adequado.
O que é lipedema?
O lipedema é uma condição crônica que afeta principalmente as mulheres, sendo que a prevalência chega a quase 99%. Trata-se de um acúmulo anormal de gordura, geralmente bilateral, que atinge pernas e, em alguns casos, braços, poupando pés e mãos. Essa gordura causa dor e costuma, também, causar sensação de peso, cansaço e inchaço ao final do dia.
Os sintomas podem surgir ou se intensificar em fases de alteração hormonal, como puberdade, gravidez e menopausa.
— Além da dor, muitas pacientes relatam dificuldade para permanecer longos períodos em pé e desconforto com a própria imagem — destaca Bruna.
O diagnóstico do lipedema é clínico, feito a partir da avaliação profissional e da análise dos sintomas. Exames, normalmente encaminhados por médico vascular, como ultrassonografia, Dexa (Absorciometria de Raios-X de Dupla Energia) e termografia, podem auxiliar, mas não confirmam isoladamente a condição, segundo a fisioterapeuta.
A doença foi reconhecida oficialmente e incluída na Classificação Internacional de Doenças (CID) em 2022.
E o linfedema?
Já o linfedema está relacionado a uma falha no sistema linfático, responsável pela drenagem de líquidos do corpo. Pode ser congênito, quando a pessoa já nasce com a condição, ou adquirido ao longo da vida.
Diferentemente do lipedema, o linfedema pode atingir apenas um lado do corpo, causando assimetria. O inchaço é provocado pelo acúmulo de líquido e, embora também gere sensação de peso, geralmente não apresenta a dor característica da gordura do lipedema.
Nesse caso, há exames específicos para confirmação diagnóstica, como a linfocintilografia. Em quadros mais avançados de lipedema (grau IV), pode ocorrer a associação das duas condições, chamada de lipolinfedema.
Tratamento exige mudança de estilo de vida

Tanto no lipedema quanto no linfedema, o tratamento inicial é multidisciplinar, segundo Bruna. A chamada Terapia Descongestiva Complexa (TDC) inclui drenagem linfática, uso de meias de compressão, exercícios específicos (miolinfocinéticos) e acompanhamento nutricional e vascular.
— É um tratamento a médio e longo prazo. Como é uma doença crônica, não existe cura, mas é possível controlar sintomas, dor e inflamação. O paciente precisa entender que precisa levar um novo estilo de vida — afirma Bruna.
Mesmo quando há indicação cirúrgica, o tratamento conservador é indispensável antes e depois do procedimento. Em média, a fisioterapeuta atende a cerca de 10 pacientes por turno com essas condições.
Convivendo com o diagnóstico
A coordenadora fiscal Camila Zotti, de 37 anos, convive com o lipedema desde a adolescência, embora o diagnóstico só tenha vindo em 2016.
— Eu tinha 12 anos e já percebia que minhas pernas eram diferentes. Ia comprar calça jeans e não subia. Eu achava que era só comigo — relembra.
Na época, ouviu de médicos que era “genética” ou característica familiar. O diagnóstico veio após encaminhamento a um especialista fora da cidade. Ainda assim, o caminho foi confuso: chegou a realizar tratamento voltado para linfedema, sem melhora significativa dos sintomas.
— Melhorou um pouco, mas a dor e o peso continuaram — relata.
Mãe de dois filhos, conta que o impacto emocional sempre foi o mais difícil. Apesar de gostar do verão, não gosta de ir à praia e não consegue usar roupas curtas, como vestidos.
Atualmente, faz tratamento com fisioterapia, acompanhamento nutricional e vascular. A melhora, segundo ela, é significativa.

