
A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Caxias do Sul tenta reverter a queda de vacinação do público infantojuvenil com a nova campanha de imunização. A ação prevê a abertura de sete Unidades Básicas de Saúde (UBSs) no último sábado de cada mês. O objetivo é que todos os moradores tenham uma oportunidade a mais para buscar os imunizantes, fora do expediente tradicional.
Dentre as doses com menos adesão das famílias nos últimos meses, segundo o levantamento da SMS até dezembro de 2025, estão as contra febre amarela, tríplice viral, covid-19 e HPV. Conforme a pasta, não há falta de nenhum imunizante neste momento na rede pública de Caxias do Sul.
Com número considerado preocupante, a febre amarela tem cobertura de apenas 68,5% para o público-alvo de até 2 anos. O dado significa que existem 4,5 mil crianças com atraso para este imunizante.
— São crianças que estão desprotegidas, porque, conforme o calendário, uma dose tem que ser feita aos nove meses de idade e um reforço aos quatro anos. Mas é importante salientar que esta vacina também faz parte do calendário do adulto e do adolescente. Todos nós temos que ter pelo menos uma dose de febre amarela para ser considerado imunizado — detalha a diretora da Vigilância em Saúde, Magda Beatris Teles.
Outro dado do levantamento aponta que 1,6 mil crianças menores de dois anos não receberam a segunda dose da tríplice viral. A vacina, ofertada aos 12 e 15 meses, garante a proteção contra o sarampo, a rubéola e a caxumba.
— Observamos que há uma tendência de diminuição (da adesão). O ideal é que a cobertura vacinal esteja acima de 95% e, agora, está em 89%. Nos preocupa porque temos casos de sarampo em países como Argentina, Uruguai e na América do Norte. Existe, portanto, o risco de reintrodução no Brasil — alerta a profissional.
Direcionada para crianças e adolescentes de nove a 14 anos, a vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV) também enfrenta a resistência das famílias. O alcance atualmente é de apenas 68% do público-alvo em Caxias. Ou seja, há mais de 10 mil meninos e meninas desprotegidos.
Uma das justificativas que podem ajudar a explicar a resistência de pais e cuidadores é a desinformação e os preconceitos morais.
— Já existiram vários questionamentos do porquê fazer a vacina com nove anos. E é para que eles estejam protegidos antes de iniciarem a vida sexual. A vacina não irá estimular a sexualidade, muito pelo contrário — aponta Magda.
A diretora da SMS lembra que, embora desacreditadas nos últimos anos, as vacinas representam uma espécie de pacto coletivo, inibindo o avanço das doenças e protegendo os mais suscetíveis ao agravamento dos sintomas.
Quem se vacinou, protege aquele que não pode se vacinar
MAGDA BEATRIS TELES
Diretora da Vigilância em Saúde da SMS
— Existem pessoas dentro da comunidade que não podem se vacinar, porque às vezes têm uma patologia, estão imunodeprimidas ou não têm a faixa etária. Então, no momento em que temos a vacinação da grande maioria e uma cobertura vacinal adequada, quem se vacinou protege aquele que não pode se vacinar — argumenta.
Campanha Vacina Caxias
A partir do dia 28 de março, sete Unidades Básicas de Saúde (UBSs) abrirão no último sábado do mês para aplicar todas as doses do calendário vacinal, para crianças, adolescentes e adultos.
O atendimento ocorrerá por tempo indeterminado, nas unidades de horário estendido: Reolon, Vila Ipê, Esplanada, Eldorado, Cinquentenário, Desvio Rizzo e Cruzeiro. As aplicações serão das 10h às 16h.
Além dos atendimentos nos postinhos, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) firmou uma parceria com a Cruz Vermelha, que disponibilizará profissionais e uma estrutura itinerante. A primeira ação será no dia 28, na Praça Dante Alighieri.
— Nós teremos mais de 30 vacinas disponíveis para toda a comunidade. É uma campanha inédita, queremos recuperar os índices vacinais — salientou o secretário da Saúde Rafael Bueno, durante o lançamento da ação, na Festa da Uva.
Cobertura vacinal crianças e adolescentes*
- BCG: 95%
- Hepatite B em crianças de até 30 dias: 102%
- Rotavírus: 93%
- Meningococo C: 94%
- Varicela: 89%
- Febre Amarela: 68,5% (para crianças até 2 anos)
- Hepatite A: 91%
- Tríplice Viral (segunda dose): 89% (para crianças até 2 anos)
- HPV: 68% (meninos e meninas de 9 a 14 anos)
*Dados até dezembro de 2025.

