
"De uma forma geral é muito libertador. Não que a família nos prenda, não é isso. Mas é uma outra viagem. A pessoa não vai ser questionada. Tu é livre, pode fazer o que quer, pode comprar, ir para a night só das mulheres..." resumem as amigas caxienses Silvia Malicheski, Jaqueline Boufleur e Ilizane Bello sobre como se sentem quando viajam juntas, em grupos apenas de mulheres.
As viagens voltadas ao público feminino são uma tendência crescente no turismo. Seja entre as que optam por viajar sozinhas, ou pelas que preferem a companhia de outras mulheres, mesmo que desconhecidas. Afinal, conforme a pesquisa Os sonhos delas, da ONG Think Olga, viajar o mundo é o desejo mais comum entre as mulheres brasileiras. A pesquisa foi divulgada em 2025 e entrevistou mais de mil mulheres em todo o país. Entre todas as faixas etárias, dos 18 aos 50+, o principal sonho é viajar.
E ver o mundo acompanhada de outras mulheres tornou Silvia, Jaqueline e Iliziane amigas unidas, que, para além de dividir as fotos, experiências e memórias ao redor do globo, construíram relações familiares e de fraternidade também quando não estão viajando.
— A melhor terapia que existe são essas viagens em grupo especificamente. Não vou dizer que viagem com família não é bom, qualquer viagem é ótima. Mas as viagens com as gurias é a melhor terapia que pode existir. Nós precisamos de um tempo para poder nos entender como mulheres. Tem os perrengues, mas tem também aquela coisa muito boa de ficar até a madrugada no quarto conversando, se arrumando, mostrando as comprinhas — diz Silvia.
O grupo, chamado Mulheres pelo Mundo, surgiu em 2013, com uma demanda que a agente de viagens Jaqueline Boufleur percebia dos clientes: muitas mulheres tinham o desejo de viajar, enquanto os companheiros priorizavam outras coisas. Por isso, essas mulheres deixavam de viver essas experiências por não ter companhia.
— Algumas clientes vinham com aquela necessidade de "eu quero viajar, mas não tenho companhia". Na época, os maridos das minhas clientes não gostavam tanto de viajar quanto a mulherada. Fui vendo a necessidade de várias clientes querendo viajar num grupo e veio a ideia de lançar, em 2013. O nosso primeiro roteiro de grupo de mulheres foi pra Turquia — relembra Jaqueline.

De lá para cá, o grupo vai mudando, porque não são sempre as mesmas pessoas que participam de todas as viagens. Há quem prefira fazer uma viagem por ano e quem consiga fazer mais. A característica do grupo é optar, sempre, pelos destinos de experiências.
— Não tem nenhum destino que é pertinho. São todos internacionais. Esse grupo não é muito de praia. São mulheres que querem experiências, vivências e passeios diferentes — analisa Jaqueline.
— Os mais próximos a gente consegue ir com a família, com marido, é mais fácil de conciliar. Em destinos internacionais, para ficar uns oito, até 18 dias viajando, é mais difícil. E um outro fator, também, que a gente gosta de viajar só em mulheres e a gente dá essa desculpa — brinca Silvia.
Amizade fortalecida por meio das viagens
Antes das viagens, Jaqueline, Silvia e Ilizane não eram amigas. Se conheciam por meio de pessoas em comum. Jaqueline convidou Silvia para uma viagem com destino ao Egito e Dubai, há mais de 10 anos. Na época, inclusive, Silvia teve dúvidas se deveria ir viajar sozinha e deixar o marido e a filha, com três anos, em casa.
— Eu encontrei a Jaque casualmente e ela me convidou. Eu disse: "não, né! Eu sou casada, tenho uma filha pequena". E ela me disse: "eu também tenho uma filha da mesma idade e ela fica quando eu viajo". E eu pensei que era fora de cogitação, não é pra mim, fora da minha realidade. Aquilo ficou matutando na minha cabeça e eu fiquei pensando. Imagina que legal que seria viajar só com mulheres, deixar a filha, deixar o marido e ficar viajando — relembra Silvia.

Com o incentivo do marido, Silvia decidiu embarcar com o grupo rumo ao Velho Continente e, desde então, tenta fazer uma viagem por ano com as amigas, que ela considera como a sua terapia.
Ilizane chegou no grupo mais tarde, em 2022, mas desde então as três se tornaram amigas íntimas. Mesmo quando não estão viajando, a amizade se fortaleceu tanto que são recorrentes as jantas em família, cafés da tarde e encontros entre as três.
— Com o decorrer dos anos, a gente acaba mudando as amizades. Amigos de infância não são mais tão próximos quanto as amigas mais novas e é muito bom, porque a gente acaba se identificando muito — afirma Jaqueline.
Destino mais marcante

Depois de já estarem em destinos como Itália, Turquia, Egito, Marrocos, Dubai, Andorra, Estados Unidos, Portugal e muitos outros, é consenso entre as três que a viagem mais marcante do grupo foi para Israel.
— Todas são ótimas, mas a que mais fica na lembrança é a de Israel. Porque é um destino em que a gente se conecta muito. Nós fomos em lugares muito marcantes, a gente se batizou no Rio Jordão e foi uma viagem que eu acredito que eu nunca mais vou ter experiências como eu tive lá — afirma Ilizane.
Da mesma forma, Silvia relembra com carinho o momento do batismo no Rio Jordão, mas também sua primeira experiência com viagem em grupo de mulheres para o Egito e Dubai.
— Eu amo cada uma das viagens, consigo lembrar de cada detalhe de cada viagem. Mas a primeira que foi onde tudo começou, também marcou muito pela questão da religiosidade. Em Israel, a gente foi se batizar no Rio Jordão e aquele momento foi único — lembra.


