
A vinda de técnicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em março para a Serra gaúcha movimenta o setor vitivinícola. O anúncio do presidente da companhia, Edegar Pretto, de que a Conab irá conduzir um estudo para fixar o preço mínimo para a venda de suco de uva indica uma mudança que poderá impulsionar toda a cadeia do produto.
Entidades do segmento acreditam que essa política pública irá criar maior previsibilidade de custo, se tornará referência de negociação para o mercado interno e externo, bem como irá proteger os produtores de vendas abaixo do custo.
Dados do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do RS (Consevitis) indicam que no ano passado 57% das uvas produzidas no Estado foram usadas na produção de suco. Diante disso, o segmento entende que ter um preço mínimo de comercialização é uma medida estratégica para manter a capacidade de pagamento da matéria-prima, ou seja, as uvas.
Atualmente, o mercado opera na livre regulação. Na prática, cada vinícola calcula os custos de produção e determina o preço de venda ao litro. Estão inclusos nessa conta os custos de operação da indústria, o valor do armazenamento, as despesas com o engarrafamento, transporte, rotulagem e embalagem.
— Pelo que acompanhamos, o preço de venda varia entre R$ 12 a R$ 15 por litro. A grande dúvida é quais processos o Conab vai considerar para chegar ao preço mínimo. Nos parece que serão apenas os iniciais, da indústria em si — projeta o diretor executivo do Consevitis, Eduardo Piaia.

Caso o valor inicial não considere os demais processos, Piaia indica que o segmento deve retomar o debate. Isso porque o processo tende a levar certo tempo. Após a coleta de dados pelos técnicos da Conab, o grupo irá estabelecer o preço e apresentá-lo aos ministérios da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e Fazenda, bem como ao Conselho Nacional Monetário Nacional (CNM). Após deliberações, se terá o custo mínimo fixo para a venda de suco de uva.
— Estivemos em Brasília nesta semana e todas as conversas são no sentido de se ter o valor ainda nesta safra. Um passo importante, tendo em vista o volume de uvas colhidas.
Quais os impactos da precificação mínima
A partir do preço fixado, o setor vitivinícola espera destravar os caminhos para vender o excedente de cerca de 230 milhões de litros que estão represados desde a safra passada.
— A preocupação é conseguir essa segurança de apoio dos governos, dos órgãos públicos, para que a gente consiga comercializar esse excedente. Tivemos um ano com acúmulo considerado um dos maiores — aponta o diretor-executivo da Federação das Cooperativas Vinícolas do RS (Fecovinho), Hélio Marchioro.
A expectativa dele é de que o preço mínimo também impulsione as exportações do suco de uva, mercado ainda pouco explorado pelas cooperativas da região, mas que possui grande potencial.



